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Chapter 9: O Confronto Final

Beatriz e Rafael resgatam a noiva original após uma negociação tensa no galpão, onde Beatriz usa o diário de transações de Helena como trunfo para forçar a liberdade da refém. Rafael sacrifica sua posição de controle para garantir a segurança de Beatriz, e ambos retornam à sede da Viana sob o cerco da imprensa, prontos para o confronto final no conselho.

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O Confronto Final

A biblioteca da propriedade rural dos Viana cheirava a couro envelhecido e a uma eletricidade estática que não vinha da tempestade lá fora. Rafael estava diante do mapa tático, os dedos pressionando a mesa de carvalho com tanta força que as juntas estavam brancas. Faltavam exatamente duas horas para a reunião do conselho. O silêncio era um predador à espreita.

— O sócio de Helena enviou a localização — disse ele, sem desviar o olhar do mapa. — Um galpão industrial na zona portuária. Ele exige as chaves de criptografia da holding em troca da noiva original. Se eu recusar, ele a elimina e vaza a substituição para o conselho. O império cai em minutos.

Beatriz observou o homem que a usara como ativo estratégico. A vulnerabilidade dele não era fraqueza; era o custo de uma vida inteira construída sobre a desconfiança. Ela sentiu o peso do contrato em sua bolsa — a algema dourada que, agora, parecia um trunfo.

— Você quer ir sozinho para garantir que o conselho não descubra sua falha — ela afirmou, a voz cortante. — Mas você não vai. Eu tenho o diário de transações offshore de Helena. Se formos, não vamos negociar com o sócio dela. Vamos neutralizá-lo.

Rafael virou-se. O olhar dele, antes frio, agora carregava uma dependência perigosa. Ele sabia que, sem ela, era um CEO acuado. Com ela, ele tinha uma chance de sobrevivência que não envolvia a rendição.

O galpão era um labirinto de sombras e cheiro de óleo queimado. Quando a ponta fria de um revólver tocou a têmpora de Beatriz, ela não recuou. Manteve a coluna ereta, o queixo alto. A dignidade era a única moeda que o sócio de Helena não conseguia falsificar.

— Você não vai atirar — disse Beatriz, a voz firme como aço. — Se Helena ordenou minha morte, ela esqueceu de um detalhe: o diário de transações offshore que carrego. Se eu cair, ele vai direto para a Polícia Federal. O sistema está programado para disparar em dez minutos.

O sócio, um homem cujos olhos denunciavam o desespero de quem jogava um jogo que não sabia vencer, vacilou. Ele mantinha a noiva original, uma mulher pálida e trêmula, amarrada a uma cadeira enferrujada, como um escudo inútil.

— Você é apenas uma substituta — ele rosnou, o cano da arma pressionando mais forte. — Rafael Viana não se importa com você. Ele quer o império. Se eu exigir a renúncia dele, ele entrega a empresa antes de arriscar o próprio pescoço.

Rafael emergiu das sombras, não como o herdeiro intocável, mas como um homem pronto para o abate. Seus olhos estavam fixos apenas em Beatriz, ignorando o sócio.

— O contrato de renúncia está assinado — o sócio estendeu a mão, a ganância brilhando em seu rosto. — A holding é sua, Rafael. Agora, a moça. Ela não tem utilidade.

Beatriz viu a noiva original, encolhida e quebrada. Não havia nada de heroico ali, apenas a brutalidade de uma chantagem que destruiria Rafael. Ele estava prestes a entregar o império que sustentava sua existência.

— Espere — a voz de Beatriz cortou o ar. Rafael virou-se, o olhar faiscando um aviso, mas ela não recuou. Ela sentiu o diário sob o forro da bolsa, um trunfo que pesava como chumbo. — O acordo de renúncia não menciona a proteção contra as denúncias que tenho em mãos. Se a empresa for entregue sem garantias de imunidade para todos, o dossiê será vazado de qualquer forma.

O sócio congelou. A lógica de Beatriz era letal. Ela não estava apenas salvando a noiva original; estava reescrevendo as regras do jogo. A noiva foi libertada, mas o sócio, percebendo que perdera o controle, fugiu, deixando para trás a promessa de um caos que logo alcançaria a sede da Viana.

Dentro do SUV, o silêncio era interrompido apenas pelo rugido do motor. Rafael mantinha o olhar fixo na estrada, os nós dos dedos brancos.

— Você não precisava ter feito isso — a voz dele era fria, mas carregada de uma urgência que ele mal conseguia mascarar. — Entregar as provas contra minha mãe vai destruir o que resta da fachada da família. O escândalo será irreversível.

Beatriz virou-se, observando o perfil rígido do homem que, até poucos dias, ela via apenas como um predador. A revelação de que a noiva original era apenas uma peça descartável ainda reverberava, mas a forma como ele a protegia agora, arriscando o próprio império, mudava o peso da balança.

— Você me trouxe para este jogo, Rafael. Eu não sou uma peça que você move e descarta — ela rebateu. — Se a noiva original era refém, o conselho é a única arena onde temos autoridade para encerrar isso. Eu não vou deixar você ser destruído por uma mulher que não conhece o significado de lealdade.

Chegaram à sede da Viana sob o cerco da imprensa. O flash das câmeras era como uma metralhadora disparando contra a fachada. Rafael abriu a porta, o vento frio de São Paulo atingindo-os como um aviso. Ele olhou para Beatriz, e pela primeira vez, a máscara de CEO implacável caiu. Ele estava pronto para perder o império, mas, ao segurar a mão dela, percebeu que a vitória não dependia de números, mas da mulher ao seu lado. O escândalo estava prestes a explodir, e o mundo veria a queda — ou a ascensão — de um Viana.

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