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Chapter 3: O Preço da Lealdade

Beatriz é confrontada pela matriarca Helena Viana e descobre, através de documentos deixados pela noiva original, que seu contrato de noivado é uma armadilha legal para incriminá-la por crimes financeiros. Ao investigar o escritório de Rafael, ela é flagrada por ele, estabelecendo um novo nível de tensão e perigo entre os dois.

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O Preço da Lealdade

A mansão Viana não era um lar; era uma fortaleza de mármore e silêncio, onde cada corredor parecia projetado para medir a obediência de quem o percorria. Beatriz caminhava sobre o piso de granito polido, sentindo o peso invisível dos seguranças que, mais do que proteger, monitoravam cada milímetro de sua postura. Ela era, agora, um ativo sob custódia, uma peça de xadrez que Rafael Viana movia com a frieza de quem não aceita erros.

— O senhor Viana aguarda no escritório para a revisão final do protocolo de amanhã — disse um assistente, a voz desprovida de qualquer cortesia humana. — A pontualidade é a única virtude que ele tolera.

Beatriz não respondeu. Apenas assentiu, sentindo o contrato de noivado como uma algema invisível. Faltavam quatro horas para que o conselho votasse a fusão. O destino de seu pai, e o seu próprio, dependia de sua capacidade de encenar o papel de noiva devota. Ao entrar no quarto que lhe fora designado, ela trancou a porta. O luxo ali era opressor, uma extensão do controle de Rafael. Foi sobre a penteadeira de ébano, escondido sob folhetos sobre o baile de gala, que ela encontrou o envelope pardo. Ao romper o lacre, suas mãos tremeram: não era uma carta de despedida, mas documentos de criptografia e uma nota manuscrita com uma caligrafia nervosa. A noiva original não fugira; fora silenciada.

Antes que pudesse processar a gravidade da descoberta, uma batida seca na porta anunciou a convocação da matriarca. O chá na sala de estar não tinha nada de reconfortante. Helena Viana observava Beatriz como quem analisa um espécime biológico de valor duvidoso.

— Você tem uma elegância notável para alguém que veio do nada, Beatriz — a voz de Helena era um corte preciso. — Mas o sobrenome Viana é uma sentença de lealdade absoluta. O que espera ganhar? Dinheiro? Status? Ou está aqui para garantir que o erro de Rafael seja irreparável?

Beatriz sentiu o peso do envelope no forro de sua bolsa. Ela manteve o queixo erguido, a dignidade sendo sua única armadura.

— O que eu ganho é irrelevante frente ao que está em jogo, Helena — respondeu Beatriz, a voz firme. — Rafael precisa de uma aliada que entenda que a reputação, nesta família, é uma moeda que se queima rápido demais. Se o meu papel é ser a noiva, serei a melhor que este conselho já viu.

Helena estreitou os olhos, surpresa com a resiliência daquela jovem que, teoricamente, deveria estar em frangalhos. A matriarca recuou, mas deixou um aviso:

— Cuidado, Beatriz. Os segredos dos Viana têm dentes. Se você os tocar, eles vão morder.

Beatriz aproveitou a breve ausência de Rafael para invadir o escritório. O cheiro de couro e papel antigo a cercava. Ao abrir o envelope novamente sob a luz do abajur, a verdade a atingiu com a força de um soco: o contrato que ela assinara continha uma cláusula de responsabilidade penal oculta. Ela não era apenas uma substituta; era o bode expiatório perfeito para os crimes financeiros dos sócios de Rafael.

O silêncio do escritório foi quebrado pelo clique metálico da porta. Rafael entrou, o paletó impecável, a expressão uma máscara de frieza. Ele parou, seus olhos escuros varrendo o ambiente antes de se fixarem nela, que ainda segurava os papéis contra o abdômen.

— O conselho antecipou a reunião para daqui a três horas — disse ele, a voz baixa, pragmática. Ele caminhou até ela, diminuindo o espaço até que a sombra de seu corpo a envolvesse. — Você deveria estar se preparando. O que faz aqui, revirando o que não lhe pertence?

Beatriz endireitou a coluna. Ela não podia recuar. A dignidade era sua única defesa.

— A mansão Viana é um labirinto, Rafael. E eu não gosto de me perder — ela respondeu, desafiando-o.

Rafael se inclinou, o olhar perigoso e carregado de uma curiosidade que ele não tentou esconder.

— Você é muito mais audaciosa do que o contrato previa, Beatriz. Mas cuidado: a audácia, nesta casa, tem um preço que você talvez não consiga pagar.

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