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Chapter 1: O Altar da Humilhação

Beatriz é forçada a substituir sua irmã fugitiva em um casamento de conveniência com Rafael, um CEO implacável, para evitar a ruína financeira e a prisão de sua família. O capítulo termina com a revelação de que Rafael já sabia da substituição e que o contrato, agora selado, a coloca sob seu controle direto.

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O Altar da Humilhação

O silêncio no salão de baile do Hotel Fasano não era ausência de som; era uma lâmina suspensa. Sob o brilho impiedoso dos lustres de cristal, a elite paulistana observava o vazio no altar. O noivo não viria. A ausência dele era um grito que ecoava pelo mármore, expondo a falência da família de Beatriz não apenas em ativos, mas em dignidade. Ela estava ali, imobilizada pelo peso do vestido de seda que, em outra vida, teria sido um sonho, mas que agora parecia um nó corrediço.

O olhar dos convidados era um toque físico. Beatriz sentia cada par de olhos como uma pressão que ameaçava desmantelar sua fachada de compostura. Ela não era a noiva, mas era a única que restava para sustentar a farsa.

Seu pai surgiu das sombras, as mãos trêmulas escondidas pelos punhos de uma camisa impecável. Não havia compaixão em seu rosto, apenas a urgência fria do desespero.

— Sua irmã fugiu com o dinheiro da conta conjunta — sibilou ele, sem olhar para Beatriz. — Se você não assumir o lugar dela, a polícia estará na nossa porta antes que a última taça de champanhe seja servida. A fraude não pode sair desta sala.

Beatriz sentiu o sangue fugir de seu rosto, mas sua coluna permaneceu rígida. A dignidade era a única coisa que lhe restava, e ela não a entregaria à mercê daquelas pessoas. Antes que pudesse protestar, foi arrastada para uma sala privativa, escondida atrás das cortinas de veludo.

O ar ali era rarefeito, pesado com o cheiro de charuto caro e medo. O advogado da família, um homem de semblante cinzento, observava a cena com a frieza de quem conta os minutos para o naufrágio.

— Você quer que eu finja ser ela? — Beatriz perguntou, a voz cortante. — Você quer que eu me case com Rafael, um homem que trata pessoas como ativos corporativos, sabendo que, no momento em que ele descobrir a farsa, ele vai me usar como bode expiatório?

— Você é a única que conhece os termos — o pai respondeu, sem hesitar. — Se você não for, o escândalo será a nossa ruína absoluta. Você não tem escolha.

Beatriz não respondeu. Ela sabia que a escolha havia sido feita no momento em que nasceu como parte daquele legado de mentiras. Ela ajustou o véu, sentindo o peso da decisão. Caminhou de volta ao salão, sabendo que sua vida como a conhecia havia terminado.

O salão parecia inclinar-se. Beatriz deu o primeiro passo em direção ao altar, o som de seus saltos contra o mármore ecoando como um veredito. Ela sentia o olhar de Rafael sobre si, não como o de um noivo, mas como o de um auditor conferindo os números de um ativo que ele acabara de adquirir. Quando ela finalmente parou diante dele, o frio que emanava de sua postura era quase tátil.

— Você está atrasada, Beatriz — ele disse. A voz era baixa, um barítono que não continha surpresa, apenas uma certeza cortante.

Beatriz parou, o fôlego preso na garganta. Como ele sabia o nome dela? O plano de seu pai era que ela fosse apenas uma substituta anônima, um rosto velado por rendas e desespero.

— Onde está ela? — ela sussurrou.

Rafael não respondeu imediatamente. Ele a encarou, seus olhos frios revelando que ele sabia exatamente quem ela era e o que estava em jogo. O contrato já estava assinado. Ele a puxou para perto, sussurrando uma ordem que a fez tremer, não de medo, mas de uma eletricidade desconhecida:

— O contrato é com a família, e você é a única que restou para pagar a dívida.

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