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Chapter 11: A Fuga para o Alto

Kael escapa da arena do Nível 10 através da face externa da Torre, utilizando o log proibido para manipular a infraestrutura e alcançar o Nível 12. Ele derrota Valéria em um duelo rápido, mas a vitória revela que o topo da Torre é apenas o início de uma estrutura industrial infinita, mantendo a pressão do Sindicato e a erosão de sua memória.

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A Fuga para o Alto

O cronômetro no canto da minha visão não marcava apenas o tempo até a minha execução pelo Sindicato; ele contava os segundos que restavam da minha própria identidade. Treze horas. A cada vez que o log proibido injetava dados no meu sistema nervoso, uma memória de infância — o cheiro de chuva no Nível 1, o rosto da minha mãe — transformava-se em estática, sacrificada para manter o chassi de pé.

Eu estava no Nível 10, cercado. A arena, antes um palco de glória, agora era uma armadilha de luzes estroboscópicas vermelhas e o som metálico de guardas de elite se aproximando. Meus sensores captavam dois Mechs pretos, modelos de alta performance da Guarda da Torre, bloqueando a saída principal. Eles não estavam ali para me prender; estavam ali para me desmantelar.

— Piloto 047, identifique-se e desative o chassi — a voz do oficial era desprovida de qualquer humanidade, um eco sintético que reverberava na minha cabine.

Eu não tinha tempo para diplomacia. O chassi, uma colcha de retalhos de titânio-carbono roubado e peças de sorteio, gemia sob a pressão térmica. Forcei o bypass manual. O calor subiu, queimando a pele das minhas costas, enquanto o log proibido assumia o controle dos atuadores. Eu não senti o movimento; eu apenas vi o mundo se inclinar quando disparei a propulsão oculta. Rompi a parede externa da arena, não em direção à saída, mas em direção ao abismo vertical da Torre.

O vento do Nível 11 atingiu o chassi como um martelo. Eu estava pendurado na face externa da estrutura, a quilômetros de profundidade, onde a névoa industrial escondia os restos de quem falhou antes de mim. Drones de caça emergiram das frestas de ventilação, silhuetas negras contra o brilho frio dos andares superiores. Eles mapeavam minha assinatura térmica, aguardando o momento em que o superaquecimento do meu motor me tornaria um alvo estático.

Mais uma memória, pensei, enquanto o log devorava o último registro do meu pai. A dor foi um clarão branco, mas o ganho foi imediato: o sistema de ventilação da Torre, antes bloqueado, abriu-se para mim. Hackeei o fluxo de ar comprimido, criando uma corrente ascendente violenta. O impacto quase despedaçou minha estrutura, mas o empuxo me lançou como um projétil contra a plataforma do Nível 12.

O Nível 12 não era apenas um andar; era um santuário de ozônio e privilégio. Valéria estava lá, parada no centro da arena, seu Mech imaculado refletindo a luz da cúpula. Ela não parecia surpresa. Ela parecia entediada.

— Você é um erro de cálculo, Kael — ela disse, a voz amplificada pelos alto-falantes da arena. — Um sucateiro que se atreve a subir onde não pertence.

Eu não respondi. Eu não podia. O log estava ocupado demais mantendo meus sistemas vitais funcionando. Forcei o protótipo além de qualquer limite de segurança. O chassi contorceu-se em ângulos impossíveis, uma manobra de desvio que desafiava a física e a própria integridade do metal. Eu passei por Valéria como um borrão de faíscas e aço, desativando os suportes de sustentação da plataforma com um golpe preciso de lâmina térmica.

O chão sob ela cedeu. O choque no rosto de Valéria foi a única recompensa que eu tive antes que o sistema da Torre reagisse. Eu venci, mas a vitória teve um gosto de cinzas. Enquanto o cronômetro marcava treze horas, a plataforma se reconfigurou com um ruído de engrenagens colossais. O chão se abriu, revelando não a liberdade, mas uma escadaria industrial infinita que subia para a escuridão absoluta do próximo nível.

Eu olhei para cima. A escada nunca terminava. A Torre não era uma cidade; era uma máquina de mineração, e eu era apenas uma peça que tinha aprendido a lutar. O próximo andar já estava lá, esperando, e a dívida do Sindicato ainda pesava sobre mim como uma sentença.

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