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Chapter 1: Sucata com Prazo de Validade

Kaelen recebe um frame avariado (CASCA-19) com um prazo de 48 horas para provar seu valor, sob a ameaça de uma dívida de sangue familiar. Com a ajuda da engenheira Mira, ele descobre um módulo de processamento proibido escondido sob a ferrugem do frame. Ao ativá-lo, o frame responde com uma precisão anômala, sinalizando um ganho de poder imediato e perigoso.

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Sucata com Prazo de Validade

O cronômetro suspenso acima do corredor de entrega da Academia de Aço e Neon piscava em um vermelho agressivo: 47:59:12.

Para Kaelen, aquele número não era apenas tempo; era o peso da dívida de sangue que sufocava sua família. Quarenta e oito horas para provar utilidade com um frame que ninguém queria, ou a cobrança chegaria à porta de casa. No Mercado da Seita, a fraqueza tinha preço, e a dele estava cotada na baixa.

Kaelen caminhou até a plataforma central. O ar cheirava a ozônio e desdém. Valerius, impecável em seu frame de elite, bloqueou o caminho com um sorriso que não chegava aos olhos.

— O órfão veio buscar o resto? — Valerius provocou, a voz ecoando pela arena. — Achei que a academia já tivesse aprendido a economizar com perdas.

Risos contidos surgiram da plateia. Kaelen manteve o olhar fixo no Fiscal do Mercado, um burocrata que tratava a miséria alheia como tabela de preços.

— Sorteio concluído — o Fiscal anunciou, estendendo a prancheta. — CASCA-19. Confiabilidade: crítica. Prazo de reatribuição: 48 horas.

Um guindaste depositou o frame. Era um amontoado de placas amassadas e rebites de emergência. Valerius soltou uma risada curta.

— Isso ainda anda? Ou vocês entregam o caixão junto?

Kaelen ignorou a provocação. Ele se aproximou do chassi, sentindo o metal frio sob as luvas. O Fiscal inclinou-se, a voz baixa e venenosa:

— Não desperdice o tempo, Kaelen. A dívida da sua família não aceita atraso. Se esse chassi não render, a reatribuição será o menor dos seus problemas.

Kaelen não respondeu. Ele tocou a lateral do frame, sentindo uma vibração irregular, mas persistente. Havia algo ali.

*

Na oficina, o relógio marcava 47:12. Mira, a engenheira de mãos marcadas por solda, observava Kaelen inspecionar o CASCA-19 sob a luz amarela.

— Você veio rápido — ela comentou, sem tirar os olhos do escâner.

— Se eu demoro, eles selam — Kaelen respondeu, passando o sensor pela carcaça. A tela falhava, recusando o exame padrão.

— Viu alguma coisa? — Mira perguntou, aproximando-se.

Kaelen apontou para uma camada de ferrugem espessa no painel lateral. Com uma lâmina de inspeção, ele removeu o óxido, revelando um módulo de processamento compacto, selado por blindagem militar. Não era sucata.

— Isso é cobertura — Mira murmurou, chocada. — Alguém escondeu isso aqui.

Kaelen conectou os cabos. A tela piscou: PROCESSADOR PROIBIDO / IDENTIFICAÇÃO PARCIAL. O ar na oficina tornou-se denso.

— Se o fiscal vir isso, você está fora — Mira avisou.

— Se eu não usar, a dívida me consome — Kaelen retrucou. — Preciso saber o que ele viu.

O relógio marcava 01:13:27 para a inspeção automática. Mira suspirou e conectou um jumper de energia auxiliar, isolando a bancada.

— Quatro minutos. É tudo o que tenho.

Kaelen respirou fundo. Ele tocou o painel exposto. Por um segundo, o silêncio reinou. Então, uma luz azul, proibida e limpa, pulsou sob a carcaça, ignorando os protocolos de segurança e iluminando a oficina com uma intensidade que desafiava a lógica daquele ferro-velho.

O frame respondeu sob sua palma com um sobressalto mecânico, uma contração de precisão impossível. Mira recuou, os olhos arregalados enquanto os números de resposta ativa subiam na tela, superando qualquer limite de oficina. O jogo tinha mudado.

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