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Chapter 1: Sucata ou Ascensão: O Teste de Sobrevivência

Kaelen Viana enfrenta o teste de descarte final. Sob pressão de um cronômetro e humilhado por Jaxon Valerius, ele força seu mech ao limite, descobrindo que seu chassi não está danificado, mas sim bloqueado por um limitador de software da Academia. Ele instala um módulo proibido, ganhando performance instantânea, mas atraindo a atenção imediata do Comandante Silva.

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Sucata ou Ascensão: O Teste de Sobrevivência

O cronômetro no canto superior do visor piscava em um vermelho agressivo: 09:58. Dez minutos para o descarte. Para qualquer outro cadete, era apenas uma rodada de treino; para Kaelen Viana, era o som da sentença de morte de sua família. Se o seu chassi não atingisse a cota de eficiência exigida pelo sistema até o zero, ele não seria apenas reprovado — seria removido da Academia, e a dívida de seu pai seria cobrada diretamente de seus órgãos ou de anos de servidão forçada.

— Olha só, o lixão ambulante ainda está tentando se mover — a voz de Jaxon, herdeiro da linhagem Valerius, cortou o canal aberto da arena. O Gale-4 de Jaxon deslizou com precisão cirúrgica, uma máquina de guerra imaculada que parecia zombar da carcaça enferrujada de Kaelen.

Kaelen não respondeu. Seus dedos voavam pelo console tátil, ignorando os avisos de superaquecimento que inundavam sua visão. Seu Scrap-Crawler gemia. A junta do ombro direito soltou uma faísca, enviando um pulso de dor fantasma pelo link neural. No camarote blindado, o Comandante Silva observava com o desdém de quem olha para um inseto sob uma lupa. Para Silva, Kaelen era uma anomalia estatística que precisava ser limpa da folha de pagamento.

— Recuar é para os que têm futuro, Kaelen — provocou Jaxon, disparando um projétil de treino que raspou na blindagem de Kaelen, fazendo o metal retorcido gritar.

Kaelen sentiu o calor do motor subir. Ele tinha duas opções: aceitar a humilhação e ser sucateado, ou forçar o sistema de resfriamento para além do limite de segurança. Ele escolheu a loucura. Com um solavanco violento, ele ignorou os limitadores de torque e forçou o chassi em uma manobra suicida, girando o torso metálico enquanto disparava seus propulsores de emergência. A manobra pegou Jaxon de surpresa, abrindo uma brecha na formação inimiga, mas o custo foi imediato: um alarme ensurdecedor disparou. Seu chassi entrou em modo de falha crítica.

Kaelen mergulhou em uma fenda estreita da Zona Morta, um local onde os sensores da Academia falhavam devido à interferência magnética. O contador marcava nove minutos e quarenta segundos. Ele precisava de silêncio, não para rezar, mas para encontrar o motivo de seu motor estar engasgando como um pulmão perfurado.

— Vamos, sua carcaça maldita — sibilou ele, as mãos suadas deslizando pelos controles. Ele abriu o painel de acesso manual, ignorando os avisos de voltagem que subiam pelo braço de seu traje de conexão. O visor projetou uma cascata de erros em âmbar. A maioria era lixo: desgaste de pistão, fadiga de metal. Kaelen começou a deletar as entradas, mas algo chamou sua atenção. Um arquivo oculto, protegido por uma criptografia de nível militar, estava enterrado sob o código de diagnóstico da própria Academia.

Ele forçou a decodificação. O sistema tentou purgar os arquivos, tratando-o como um intruso, mas Kaelen usou o próprio erro de superaquecimento do mech como uma cortina de fumaça digital. O log de dados proibido brilhou no visor, revelando a verdade: o chassi de Kaelen não estava quebrado. Ele estava bloqueado por um limitador de software imposto pela própria Academia para garantir que modelos de sucata nunca superassem os de linhagem.

Kaelen sentiu um frio na espinha. A corrupção não era apenas social; era estrutural. Ele tinha três minutos restantes. Com as mãos trêmulas, ele conectou o módulo protótipo — um chip de processamento de núcleo denso que encontrara em um carregamento de lixo industrial — diretamente no slot de expansão oculto que o log acabara de revelar.

O metal do chassi queimou seus dedos através das luvas, mas ele não recuou. O sistema do mech deu um solavanco, as luzes de alerta mudaram de um vermelho de falha para um azul pulsante. A assinatura de energia subiu de forma abrupta, distorcendo o ar ao redor do chassi. Kaelen sentiu uma conexão direta com os motores; não era mais o atraso de milissegundos de sempre, era uma resposta instantânea. Ele não estava apenas pilotando; ele estava sentindo a estrutura do metal sob sua pele sintética.

No camarote, Silva inclinou-se para frente, os olhos fixos na tela de telemetria. O Comandante notou a anomalia de energia — um pico impossível para um modelo V-7. Ele tocou o comunicador, ordenando que a equipe de segurança travasse a zona. Kaelen sentiu o rastro de energia disparar os alarmes de inspeção da Academia. Ele estava exposto, mas pela primeira vez, ele tinha poder em suas mãos.

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