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Chapter 3: The Clock Narrows

Caio confronta Lúcia com a página rasgada que traz a anotação 'entregar L.'. Sob pressão emocional, ela confessa que Marina descobriu um esquema de desvio das indenizações dos trabalhadores da explosão e foi silenciada por isso. Admite ter recebido uma carga especial para guardar a mando de Zé Raimundo, mas garante que nunca abriu o conteúdo completo. Revela que o que resta da lista está enterrado no antigo barracão de Tio Lauro, dentro de um contêiner de ferramentas velhas no cais. No meio da discussão, batidas fortes na porta anunciam um oficial da Autoridade Portuária com ordem de desocupação em 48 horas por 'risco estrutural', antecipando drasticamente a demolição e apertando o prazo para Caio e Lúcia. Caio corre até o barracão abandonado de Tio Lauro dentro da área velha do cais, usando a chave que Lúcia lhe entregou relutantemente. Dentro do contêiner de ferramentas, ele encontra uma caixa de metal trancada com um cadeado enferrujado. Ao forçar a abertura, descobre fragmentos da lista de cargas com nomes de empresas fantasmas e valores desviados, além de uma nota manuscrita da irmã apontando que Zé Raimundo era apenas o executor — o verdadeiro mandante era alguém ainda no comando do porto. Antes que consiga fotografar tudo, ouve passos e vozes se aproximando. Caio escapa do barracão com fragmentos da lista, mas encontra Lúcia no carro. Ela confessa ter entregado a página final a um advogado que agora trabalha para o mandante do cais. Uma mensagem chega com foto da máquina de costura destruída e ameaça de 5 dias; outra mostra a porta da casa com 'Amanhã cedo' riscado, encurtando o prazo para menos de 48 horas. Caio percebe que tem prova parcial, mas insuficiente para incriminar o mandante, enquanto a família passa a ser alvo direto.

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The Clock Narrows

Confronto na Sala Antiga

Caio empurrou a porta do apartamento com o ombro, a página rasgada ainda dobrada na mão esquerda como se queimasse. O cheiro de café requentado e óleo de máquina de costura o atingiu antes mesmo de ver a tia.

Lúcia estava de costas, curvada sobre a Singer preta, pedalando devagar como se costurasse o silêncio. A fita métrica de alfaiate pendia do pescoço dela, frouxa, inútil agora.

— 'Entregar L.' — disse Caio, voz baixa, mas cortante. Jogou o papel na mesa ao lado da máquina. A folha caiu aberta, a letra cursiva de Zé Raimundo tremendo na luz fraca da lâmpada.

Lúcia parou de pedalar. Não virou de imediato. Só os ombros subiram uma fração, como quem recebe um soco que já esperava.

— Você não devia ter trazido isso pra cá — murmurou ela.

— Eu não trouxe. Trouxeram pra mim. Armado na cara. — Caio deu dois passos para dentro da sala. — Seis dias, tia. O bilhete na porta. Agora isso. O que você guardou pra minha irmã?

Ela finalmente se virou. Os olhos fundos, vermelhos de quem não dorme há mais de uma noite. Pegou a página com dedos que tremiam só o suficiente para ele notar.

— Não era pra você saber.

— Ela morreu por causa disso, não foi? — A pergunta saiu mais rouca do que ele queria. — Não foi acidente. Ela descobriu o desvio das indenizações e ameaçou abrir a boca.

Lúcia fechou os olhos por um segundo longo.

— A carga especial chegou dois dias antes da explosão. Zé me chamou de noite, disse que precisava de um lugar seguro por algumas semanas. Eu recusei. Ele insistiu. Disse que era a única forma de proteger o dinheiro dos homens que tinham ficado sem nada depois do acidente. Eu cedi. — A voz dela rachou na última palavra. — Só guardei o contêiner de ferramentas. Nunca abri. Juro.

— Mas ela descobriu.

— Sim. — Lúcia baixou o olhar para a página. — Marina encontrou o comprovante na gaveta dele. Confrontou Zé. Ameaçou ir à polícia. Dois dias depois… a explosão.

Caio sentiu o chão inclinar de leve. Encostou na parede para não cair.

— E você ficou quieta.

— Eu tinha medo. — Ela ergueu o rosto, os olhos molhados mas firmes. — Medo por você, que já tinha ido embora. Medo por mim, que ainda vivia aqui. Medo do que fariam se soubessem que eu guardei a carga. Mas a lista completa… não está comigo.

— Onde está?

— No barracão do Tio Lauro, no cais. Dentro de um contêiner velho de ferramentas. Ele enterrou antes de sumir. Se ainda estiver lá… é o único lugar.

Caio respirou fundo, o ar parecendo grosso.

— Então eu vou buscar.

— Não vai, Caio. — A voz dela subiu pela primeira vez. — Seis dias viraram menos. Eles estão acelerando. Se você mexer naquele barracão, vão saber na hora. E vão vir atrás de nós dois.

Antes que ele pudesse responder, três batidas secas e pesadas na porta fizeram os dois congelarem.

— Dona Lúcia! — voz masculina do outro lado, oficial, sem paciência. — Autoridade Portuária. Abra, por favor.

Lúcia olhou para Caio, pânico cru no rosto.

Ele foi até a porta, espiou

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