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Chapter 4: Alianças nas Sombras

Beatriz confronta a vigilância da família ao sair do escritório de Ricardo com provas da sabotagem de seu tio. Ela aconselha Ricardo a realizar uma auditoria estratégica, consolidando sua posição como aliada indispensável. O capítulo termina com a ameaça iminente de um informante e uma mensagem anônima que revela que sua identidade foi descoberta.

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Alianças nas Sombras

O ar no vigésimo andar do edifício da holding era rarefeito, carregado com o cheiro metálico de documentos de alta segurança e o zumbido constante dos servidores. Beatriz sentiu o peso do pendrive contra a palma de sua mão, escondido sob a seda do vestido de grife que, embora impecável, parecia uma armadura desconfortável. Ela acabara de extrair a prova definitiva da sabotagem familiar — a trilha de pagamentos que ligava seu tio à falência técnica de Ricardo.

O silêncio do corredor não era um refúgio; era uma sentença de morte aguardando execução.

Um passo seco ecoou atrás dela. Beatriz não se virou imediatamente. Ela ajustou a postura, permitindo que a frieza cultivada durante anos de exílio substituísse o pânico. Quando girou nos calcanhares, encontrou o segurança noturno, um homem cuja lealdade, ela sabia, pertencia ao bolso de seu tio. Ele bloqueou o caminho, os olhos fixos na bolsa pequena que ela segurava com firmeza.

— Srta. Mariana? — A voz do homem era ríspida, desprovida do decoro exigido para a futura esposa do CEO. — O horário de expediente encerrou-se há horas. O Sr. Ricardo não gosta de visitas inesperadas em seu setor particular.

Beatriz arqueou uma sobrancelha, deixando que a arrogância que o papel de Mariana exigia transbordasse. Ela não era uma intrusa; era, perante a lei e o contrato, a dona daquele espaço tanto quanto ele.

— A minha presença aqui, senhor, é uma extensão da autoridade do meu futuro marido — ela disparou, o tom gélido cortando o ar. — Se o Sr. Ricardo desejar explicações sobre a minha agenda, ele as receberá pessoalmente. A menos que o senhor pretenda sugerir que eu não tenho permissão para transitar livremente no império que estou prestes a gerir.

O segurança hesitou, o olhar vacilando diante daquela autoridade inesperada. Ele se retirou, mas Beatriz percebeu, pelo brilho predatório em seu olhar, que ele agora tinha certeza de que ela escondia algo mais do que apenas a insatisfação de uma noiva entediada.

Ao chegar ao saguão, a atmosfera era de crise absoluta. Ricardo a esperava perto da recepção, o rosto uma máscara de granito. A pressão da fusão estava ruindo, e ele parecia ter envelhecido anos em poucas horas.

— Mariana. O conselho está exigindo uma declaração sobre os protocolos de segurança contornados — disse ele, a voz contida, mas carregada de tensão. — Se eu não apresentar uma solução em dez minutos, a fusão cai.

Beatriz parou à sua frente, sentindo o peso do pendrive sob o casaco. Ela viu o tremor quase imperceptível nas mãos dele. Ricardo não estava apenas perdendo dinheiro; ele estava sendo sabotado por dentro.

— Você não precisa de uma declaração — disse ela, a voz firme, cortando a estática do ambiente. — Você precisa de um bode expiatório que não seja você. O vazamento veio do departamento de logística, aquele que meu tio controla. Se você falar agora, você se torna o culpado por omissão. Se você auditar aquele setor em nome da 'segurança da noiva', você recupera o controle sem se expor.

Ricardo a encarou, o olhar penetrante buscando algo que ele não conseguia definir. Por um momento, a barreira entre patrão e esposa se dissolveu, substituída por um reconhecimento mútuo de inteligência. Ele retirou um broche de família do bolso, um símbolo de status e proteção, estendendo-o em direção a ela.

— Isso é um reconhecimento — ele murmurou, a voz baixa, quase um segredo.

Beatriz recusou o gesto com um movimento elegante, mantendo sua independência.

— Não quero símbolos, Ricardo. Quero que a fusão ocorra como planejamos. O meu sucesso é o seu, e vice-versa.

Ele assentiu, uma centelha de respeito genuíno brilhando em seus olhos. Ao retornar para o quarto na mansão, o silêncio era opressor. Ela escondeu os documentos em um fundo falso no armário, mas o som de um estalo na maçaneta a fez congelar. A porta não se abriu, mas o aviso era claro: o informante a seguira. Ela correu para a janela, observando o reflexo no vidro. Seu tempo de disfarce estava se esgotando. Antes que pudesse processar a ameaça, seu celular vibrou com uma mensagem anônima: 'Eles não vão deixar você sair viva do altar, Beatriz.'

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