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Chapter 3: O Custo da Lealdade

Beatriz utiliza sua posição como noiva substituta para acessar os registros confidenciais de Ricardo, descobrindo que sua família está sabotando o império dele. Após defender Ricardo em um jantar tenso, ela ganha acesso ao cofre privado, onde encontra a prova definitiva de que sua exclusão familiar foi um plano orquestrado há décadas. O capítulo termina com a descoberta de que ela está sendo vigiada.

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O Custo da Lealdade

O escritório de Ricardo cheirava a couro legítimo, café amargo e a uma frieza calculada que fazia a pele de Beatriz formigar. Ela não estava ali como a noiva submissa que Mariana fingia ser; estava como uma cirurgiã pronta para expor o tumor que corroía aquele império. Enquanto Ricardo, absorto em chamadas internacionais, ignorava sua presença, Beatriz deslizou para a mesa de mogno. O monitor estava desbloqueado. Seus olhos varreram a auditoria da holding com uma rapidez que ela não deveria possuir. Ali, entre números inflados e remessas para contas offshore, estava a assinatura cifrada: o selo da família que a exilara. Eles não estavam apenas sabotando a fusão; estavam drenando o capital de Ricardo para forçá-lo a uma aquisição hostil que os beneficiaria diretamente.

— O que você está fazendo? — A voz de Ricardo cortou o silêncio, grave e carregada de uma desconfiança que ele mal tentava esconder. Ele se aproximou, a sombra de seu corpo alto cobrindo a luz da luminária. Beatriz não hesitou. Ela apontou para a tela.

— A auditoria está errada, Ricardo. A margem de erro na divisão de infraestrutura não é um descuido contábil. É uma sangria deliberada. Se você assinar a fusão amanhã com esses dados, a empresa será liquidada em seis meses.

Ricardo estreitou os olhos, o silêncio entre eles tornando-se um campo de batalha. Ele analisou a tela e, em seguida, o rosto dela, buscando a Mariana que ele achava conhecer. O que encontrou foi uma determinação que ele não sabia que ela possuía. Ele não a expulsou; ele a observou, e naquele momento, o poder no escritório mudou de eixo.

Horas depois, o lustre de cristal na mansão dos patriarcas parecia pesar toneladas. À cabeceira, o homem que assinara o documento de seu exílio anos atrás cortava a carne com uma precisão cirúrgica. Ao lado de Beatriz, Ricardo mantinha a mão espalmada sobre a toalha de linho, uma âncora de autoridade.

— Mariana, querida — a voz da matriarca era como veludo sobre uma lâmina. — Soubemos que o seu comportamento tem sido errático. O casamento é uma fusão de ativos, não um capricho. Você pretende honrar os termos ou seremos forçados a renegociar?

Beatriz sentiu o olhar de Ricardo pesar sobre seu perfil. Ele esperava a fragilidade de sempre. Ela endireitou a coluna.

— A lealdade não é algo que se assina em papel, tia — respondeu, a voz desprovida de hesitação. — É algo que se conquista. Ricardo e eu temos nossos próprios termos. Não vejo por que a família precisaria intervir em algo tão privado quanto a nossa gestão de risco.

Ricardo, surpreendendo a todos, entrelaçou os dedos nos de Beatriz, um gesto de proteção pública que silenciou a mesa. Ele a defendeu com uma frieza cortante, elevando seu status perante os patriarcas, mas Beatriz sabia o custo: ela agora era um alvo exposto.

De volta ao escritório, tarde da noite, o ar estava denso. Ricardo estava à mesa, a gravata afrouxada.

— Você encontrou a falha — murmurou ele, sem erguer o olhar. A voz carregava uma exaustão nua. — Como você sabia onde procurar?

— Eu aprendi cedo que, em um império, a lealdade é apenas uma variável contábil — respondeu ela, aproximando-se. Ela usou a vulnerabilidade dele como uma distração, observando-o enquanto ele se afundava na cadeira, o peso da solidão no topo tornando-o, pela primeira vez, humano.

Quando ele se retirou por um momento, Beatriz correu para o cofre físico atrás da estante. Seus dedos, ágeis, manipularam o segredo. A porta cedeu com um clique metálico. Lá dentro, envolto em veludo, estava um dossiê com o brasão de sua própria família: Lane & Associados. Ao abrir, a tela de seu tablet iluminou seu rosto com a verdade: não era apenas uma falha administrativa. Era um plano deliberado, assinado por seu tio, datado de duas décadas atrás, para apagar sua existência legal e redistribuir seus ativos. A traição era absoluta. Ela guardou o documento na bolsa, mas o som de passos no corredor congelou seu sangue. Ela percebeu que um informante a observava pela fresta da porta. O disfarce de Mariana tinha prazo de validade, e o cronômetro acabara de começar a correr.

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