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Chapter 10: Sombras do Passado

Helena descobre que a interdição de seu pai é uma manobra do grupo Alencar em conluio com Beatriz. Ela decide usar a chave prateada para revelar a verdade, confrontando Beatriz publicamente no gala do Hotel Unique com provas de corrupção, consolidando sua posição.

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Sombras do Passado

O ar na suíte privativa da Viana Holding estava denso, saturado pelo cheiro de café frio e pela eletricidade estática de uma crise iminente. Sobre a mesa de mogno, o tablet exibia o documento judicial: um pedido de interdição total contra o pai de Helena. As palavras, frias e burocráticas, não eram apenas um ataque jurídico; eram uma sentença de morte para a legitimidade que Helena acabara de conquistar.

— Ela alega que meu pai não possui faculdades mentais para assinar a transferência das ações — Helena murmurou, a voz cortante, desprovida de qualquer tremor. — Beatriz sabe que a validade da minha posição como acionista majoritária depende inteiramente da sanidade dele no momento daquela assinatura. Se o tribunal aceitar essa farsa, o controle volta para o conselho, e ela terá vencido.

Rafael, ainda com o movimento do braço direito limitado pelo ferimento, observava a tela com uma rigidez predatória. Ele não buscava consolo; buscava o ponto de ruptura.

— Não é apenas a Beatriz — ele respondeu, a voz baixa, carregada de uma gravidade que fez o sangue de Helena gelar. — Fiz uma varredura nas transações vinculadas a esse pedido. O juiz foi comprado pelo grupo Alencar. Eles querem controlar o seu pai para anular a fusão e derrubar o seu controle acionário antes que você possa consolidar o poder.

Helena sentiu o peso do império Viana sobre seus ombros. Ela precisava da prova real. Seus olhos desviaram-se para a chave prateada que Rafael mantinha sob custódia sobre a mesa — o único objeto capaz de abrir o cofre onde o prontuário médico original de seu pai estava guardado. Era o trunfo final, a prova de que a sanidade de seu pai nunca fora um problema, mas uma invenção de Beatriz.

— Se usarmos a chave agora, não há volta — Rafael avisou, sua voz carregada de uma autoridade que exigia submissão, não apenas obediência. — Aquele cofre guarda segredos que mantêm a Viana Holding em pé. Se você abrir aquele cofre, o conselho saberá que você não é apenas uma substituta, mas a herdeira que eles tentaram apagar. Você estará na mira de todos.

Helena estendeu a mão, seus dedos roçando o metal frio da chave. A hesitação durou apenas um segundo. Ela não era mais a garçonete que aceitava ordens; ela era a mulher que detinha o controle do império.

— Então que eles olhem — ela afirmou, pegando a chave. — Prefiro ser caçada como herdeira a ser destruída como uma fraude.

No dia seguinte, o salão de gala do Hotel Unique fervilhava com a tensão de uma elite que farejava sangue. Helena, vestida em seda azul-noite que funcionava como uma armadura, sentia os olhares como agulhas. Rafael, impecável ao seu lado, mantinha a mão espalmada contra a base de suas costas — um gesto de posse que servia como aviso silencioso a qualquer um que ousasse desafiá-la.

Beatriz surgiu entre os convidados como uma sombra bem vestida, os olhos fixos em Helena com um desdém que não conseguia mascarar o pânico. Ela parou a poucos metros, o veneno transbordando em cada palavra.

— A encenação está ficando cara demais, não acha? — Beatriz disparou, a voz calculadamente baixa. — A interdição do seu pai já está protocolada. Amanhã, ele será declarado mentalmente incapaz e, por extensão, todos os seus atos acionários serão anulados. Você não é herdeira, Helena. É uma fraude que logo será despejada deste salão.

O silêncio ao redor pareceu se expandir, os convidados aguardando o colapso da substituta. Rafael deu um passo à frente, mas Helena tocou seu braço, detendo-o. Era o momento. Ela retirou uma pasta de couro de sua clutch e a estendeu, não para Beatriz, mas para o juiz que observava de um canto próximo.

— A senhora confunde as coisas, Beatriz — Helena respondeu, a voz desprovida de tremor. — A senhora baseou seu caso em um prontuário forjado. Mas o que a senhora esqueceu é que, na pressa de me destruir, a senhora deixou rastro. Eu não trouxe apenas a prova da sanidade do meu pai. Eu trouxe a prova da sua corrupção financeira com o grupo Alencar.

O rosto de Beatriz empalideceu, o pânico substituindo o desdém. Helena sentiu a mão de Rafael apertar firme sua cintura, um sinal de aprovação silenciosa e possessiva. A vingança não era apenas um prato servido frio; era a conquista definitiva de seu lugar no topo.

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