Novel

Chapter 4: Corredores de Vidro e Sombra

Elias tenta usar um residente para subir a prova do crime para um servidor externo, mas é traído. Ao tentar fugir, descobre que o hospital foi totalmente selado, deixando-o encurralado com a segurança e Helena.

Release unitFull access availablePortuguese / Português
Full chapter open Full chapter access is active.

Corredores de Vidro e Sombra

O ar no duto de ventilação tinha gosto de metal oxidado e desespero. Elias Viana contava os segundos pelo pulsar das luzes de emergência no corredor abaixo: 10:48:12. O sistema de segurança, um leviatã digital programado para a purga, não estava apenas rastreando seu login; estava devorando o histórico do servidor. Cada milissegundo era uma página de evidência sendo incinerada.

Botas táticas bateram contra o linóleo. Elias encolheu-se, o corpo pressionado contra a grade metálica, enquanto o feixe de uma lanterna varria o setor de TI.

— O protocolo de isolamento está ativo — a voz de Helena Siqueira cortou o silêncio, fria como uma lâmina cirúrgica. — Ninguém entra, ninguém sai. A diretora ordenou a limpeza total dos backups do setor 4. Não deixem nem o rastro de um acesso não autorizado.

Elias sentiu o peso do pen drive contra a palma da mão. Era a prova da execução no quarto 402, a evidência de que Mendes e Helena não haviam apenas falhado; eles haviam encerrado uma vida para proteger uma linhagem. Ele precisava de um terminal externo, um servidor que não estivesse sob o domínio da rede interna. O monitor de sinais vitais na sala de descanso dos residentes era sua única chance.

Ele deslizou pelo duto, ignorando a dor nos joelhos, e caiu na sala de descanso com um baque surdo. Lucas, o residente, estava sentado à mesa, as olheiras profundas denunciando trinta horas de plantão ininterrupto. Ele deu um pulo, derrubando o café.

— Elias? Você está louco? Estão caçando alguém da auditoria! — Lucas sussurrou, a voz trêmula.

— Eles estão apagando pacientes, Lucas. Não apenas arquivos — Elias conectou o pen drive ao notebook do residente. A imagem granulada surgiu: Mendes e Helena, curvados sobre o leito, manuseando os tubos de suporte com uma precisão letal. — Eles terminaram o serviço. Preciso que você suba isso para um servidor externo. Agora.

Lucas encarou a tela. O horror lutava com o medo da carreira destruída. Enquanto Elias se virava para monitorar a porta, o residente não digitou o comando de upload. Ele pegou o ramal interno, a mão hesitando por um segundo antes de discar.

— Segurança, código vermelho na sala de descanso dos residentes. O auditor está aqui.

O sangue de Elias gelou. A traição não veio com um grito, mas com o silêncio de quem escolheu o próprio pescoço. Ele arrancou o pen drive e disparou para o corredor. As luzes de emergência piscavam em um ritmo clínico, transformando o hospital em um labirinto de sombras. Ele mergulhou na escadaria de serviço, o ar impregnado pela umidade da chuva que castigava as paredes externas, isolando o hospital do mundo lá fora.

Ao atingir o subsolo, o desespero tornou-se físico. Ele forçou a porta de saída, mas a trava magnética permaneceu imóvel. Através do vidro reforçado, viu apenas a cortina de chuva torrencial transformando a cidade em um borrão cinzento. Todas as saídas haviam sido seladas remotamente. Ele estava preso no mesmo andar que Helena e seus seguranças, com o relógio marcando 11:08:00 para o fim de tudo. O hospital não era mais um local de cura; era uma câmara de vácuo, e ele era o próximo resíduo a ser eliminado.

Member Access

Unlock the full catalog

Free preview gets people in. Membership keeps the story moving.

  • Monthly and yearly membership
  • Comic pages, novels, and screen catalog
  • Resume progress and keep favorites synced