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Chapter 3: A Primeira Falha no Sistema

Elias escapa da segurança do hospital após acionar o alarme de incêndio, mas descobre que seu carro foi rebocado como forma de intimidação. Ao tentar analisar o prontuário de Heitor Mendes, ele descobre um vírus de rastreamento inserido pela Dra. Beatriz Lins, revelando que sua única aliada o traiu sob pressão.

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A Primeira Falha no Sistema

O zumbido das luzes fluorescentes na Ala de Residência Médica não era um defeito elétrico; era o som da paciência do Hospital Santa Helena se esgotando. Elias Viana sentiu o envelope pardo contra as costelas, uma âncora de papel que parecia pesar quilos a cada passo. O cronômetro em seu pulso marcava 46 horas e 12 minutos para a purga definitiva dos logs de Heitor Mendes.

Ao dobrar o corredor, um segurança de ombros largos bloqueou o caminho. O homem não piscava. O crachá de Elias, pendurado inutilmente em seu pescoço, era um peso morto; ele sabia que, no sistema, seu acesso fora revogado por ordem direta da diretoria.

— Auditor Viana — a voz do homem era desprovida de cortesia. — O Diretor Mendes solicitou uma revisão de rotina nos seus pertences. Entregue a mochila.

Elias não hesitou. Se entregasse a mochila, o prontuário seria confiscado e ele terminaria em uma sala de interrogatório antes de entender por que Heitor Mendes morrera de um choque anafilático impossível. Elias recuou, a mão roçando a caixa de alarme de incêndio. Com um movimento seco, quebrou o lacre e puxou a alavanca. O som estridente cortou o ar, transformando o silêncio clínico em caos. Enfermeiras correram, carrinhos de medicamentos foram empurrados, e o segurança hesitou por um segundo crucial. Elias mergulhou na massa de jalecos brancos, tornando-se apenas mais um vulto em direção à saída de serviço.

Quando alcançou o estacionamento externo, a chuva de São Paulo não lavava nada; transformava o asfalto em um espelho negro. Ele correu para o setor C, mas parou bruscamente. Sua vaga estava vazia. Um guincho do hospital manobrava na saída, arrastando seu sedã cinza. O segurança que o confrontara no corredor agora estava sob a marquise, observando-o. Não era uma falha administrativa. Era uma mensagem: o hospital não queria apenas impedi-lo; queria deixá-lo a pé, isolado na neblina urbana.

Elias, encharcado, buscou abrigo em um café 24 horas a duas quadras. O local cheirava a café queimado e desespero. Sentado em uma mesa de fórmica gasta, ele abriu o envelope. Além do prontuário, havia um cartão SD colado no verso de uma folha de observação. Ele conectou o cartão em seu tablet de auditoria. O arquivo abriu, mas o cursor começou a tremer. Um código de erro em cascata invadiu a tela, letras verdes correndo como formigas frenéticas. Era um vírus de rastreamento, disparado no instante em que o dado deixou o ambiente seguro do hospital.

O sangue de Elias gelou. Ele não estava apenas lendo um prontuário; estava carregando um farol para a segurança do hospital. Ele verificou o log de acesso no tablet, tentando rastrear a origem do vírus. O código não era uma defesa automática; era um log de auditoria externa, assinado digitalmente por um terminal interno. A Dra. Beatriz Lins. Ela não apenas entregara o prontuário; ela o havia marcado para que o sistema soubesse exatamente onde ele estava. A confiança, ele percebeu, era um luxo que ele não possuía mais.

Ele fechou o tablet, o relógio marcando 40 horas e 14 minutos. O metrô era sua única opção para desaparecer. Ao atravessar a catraca da Estação Consolação, Elias sentiu o peso do envelope sob o sobretudo úmido. Cada câmera de segurança girando em um ritmo predatório parecia um olho de Otávio Mendes. Ele não era mais um auditor; era um fantasma em um sistema que não tolerava assombrações. Ele se encolheu em um canto da plataforma, sabendo que cada minuto de silêncio era apenas o tempo necessário para que eles fechassem o cerco.

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