A Escolha do Herdeiro
O silêncio na Suíte Presidencial do Fasano não era vazio; era uma pressão atmosférica que comprimia os pulmões. Lá fora, o zumbido dos helicópteros da imprensa sobrevoando o hotel era o som de uma reputação sendo triturada. Arthur estava parado diante da janela, a silhueta rígida contra as luzes de São Paulo. Ele segurava um copo de uísque intocado, os dedos apertando o cristal com tanta força que os nós de suas mãos pareciam esculpidos em mármore branco. Sobre a mesa de mogno, o contrato — agora um instrumento de ruína pública — repousava como uma sentença.
— A anulação é o único caminho, Helena — disse ele, sem se virar. A voz era polida, destilada pela mesma disciplina que o conselho familiar usa
Preview ends here. Subscribe to continue.