Novel

Chapter 2: A Cláusula de Proteção

Após o anúncio do noivado, Rafael protege Beatriz da imprensa com uma demonstração de poder possessivo, estabelecendo o tom transacional da relação. Beatriz revela ter provas contra Ricardo, mas descobre que o contrato exige coabitação permanente, selando sua dependência total de Rafael.

Release unitFull access availablePortuguese / Português
Full chapter open Full chapter access is active.

A Cláusula de Proteção

O ar-condicionado do saguão do Hotel Unique parecia incapaz de dissipar a eletricidade estática que emanava dos flashes. Beatriz sentia o peso de cada lente como projéteis; cada estalo de obturador era um lembrete cruel de que sua dignidade, até minutos atrás, era apenas um item em liquidação. Ao seu lado, a postura de Rafael Viana era uma muralha de granito: ombros largos, gravata impecavelmente alinhada e um semblante que não traía uma única emoção.

— Sr. Viana! — um repórter de tabloide avançou, ignorando o cordão de isolamento. — É verdade que o noivado com Beatriz é apenas uma jogada para salvar a Viana Holding da crise de imagem? Ou a falência da família dela é o verdadeiro motivo deste casamento às pressas?

Beatriz sentiu o estômago revirar. O silêncio que se seguiu foi um abismo. Ela não podia responder sem expor a fragilidade de suas contas bancárias, e qualquer negação soaria como uma confissão de desespero. Seus dedos, escondidos sob a luva de seda, apertaram a palma da mão até as unhas marcarem a pele. Antes que ela pudesse formular uma desculpa ensaiada, Rafael moveu-se. Não foi um gesto brusco, mas uma tomada de posse. Sua mão direita deslizou pela cintura de Beatriz, firme e possessiva, puxando-a para o encontro de seu corpo. O calor do paletó dele atravessou o tecido de seu vestido, uma âncora quente no meio do caos social.

— Minha vida pessoal não é pauta para tabloides de quinta categoria — a voz de Rafael era fria, cortante como vidro. — Se o próximo a abrir a boca não quiser ter seu veículo processado por difamação, sugiro que limpem o caminho.

O jornalista recuou, intimidado pelo peso do nome Viana. Rafael não olhou para trás. Ele conduziu Beatriz para fora do hotel sob uma chuva de flashes, sussurrando no seu ouvido, tão baixo que apenas ela podia ouvir: — Finja que me ama, ou perderemos tudo.

Dentro do sedã blindado, o silêncio era um vácuo. Rafael mantinha os olhos fixos em um tablet, onde relatórios de métricas de redes sociais rolavam com rapidez mecânica. Ele não estava apenas monitorando o escândalo; ele estava deletando-o. Com poucos toques, forçava servidores de portais de fofocas a removerem as fotos da humilhação, substituindo o caos por uma nota polida de noivado.

— Minha reputação não é um ativo que você possa gerenciar como uma subsidiária em crise, Rafael — disse Beatriz, a voz firme, embora o coração martelasse contra as costelas. — O que você fez lá dentro... foi uma invasão.

Ele finalmente levantou o olhar. O cinismo em seus olhos era uma barreira, mas havia algo mais, uma eletricidade fria que a fazia sentir-se observada como uma peça de xadrez rara.

— Você é um ativo da Viana Holding agora, Beatriz — ele respondeu, a voz desprovida de qualquer calor. — Se a sua imagem cai, a credibilidade do meu casamento cai. E se o casamento falha, o conselho da minha empresa me destitui. A partir de agora, não fale com ninguém do seu círculo social sem minha aprovação prévia. Você pertence ao meu controle.

Ao chegarem na Mansão Viana, o escritório de Rafael cheirava a couro legítimo e a uma urgência que Beatriz podia sentir vibrando no ar. Sobre a mesa de mogno, uma notificação brilhava: a convocação extraordinária do conselho familiar para a manhã seguinte. Eles exigiam provas de que a união era real.

— Eles querem garantias, Rafael? — Beatriz deu um passo à frente, a adrenalina subindo por sua garganta. — Pois eu tenho algo que eles vão valorizar mais do que uma foto posada. Eu possuo provas concretas dos desvios de Ricardo em nossas antigas joint ventures. Se eu entregar isso ao conselho, Ricardo deixa de ser uma ameaça e se torna o bode expiatório da crise.

Rafael olhou para ela, reconhecendo pela primeira vez a faísca de astúcia por trás da fachada de noiva em ruínas. Ele entregou-lhe o contrato final. Beatriz começou a ler, mas seus olhos pararam no parágrafo 14: Coabitação integral e ininterrupta. Vigília de domicílio 24 horas. Ela sentiu o chão fugir debaixo de seus pés. Era uma gaiola dourada. Ela olhou para Rafael, que a encurralou contra a estante de livros, sua presença dominando cada centímetro de ar.

— Não há alternativas, Beatriz — ele murmurou, a proximidade fazendo o ar entre eles parecer denso. — Você assina, ou volta para a miséria que Ricardo desenhou para você.

Com a mão trêmula, ela pegou a caneta. Ao assinar, ela percebeu que a proteção de Rafael era a armadilha definitiva.

Member Access

Unlock the full catalog

Free preview gets people in. Membership keeps the story moving.

  • Monthly and yearly membership
  • Comic pages, novels, and screen catalog
  • Resume progress and keep favorites synced