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Chapter 1: O Preço da Dignidade no Salão de Cristal

Beatriz é humilhada publicamente por seu ex-noivo em um evento de gala. Rafael Viana, um CEO pragmático, intervém com uma proposta de casamento por contrato para atender a uma cláusula de sucessão de sua holding, oferecendo a Beatriz a proteção necessária contra a ruína social. O capítulo termina com o casal sendo forçado a encenar uma união sob o escrutínio da mídia.

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O Preço da Dignidade no Salão de Cristal

O Salão de Cristal do Hotel Unique não era um tribunal, mas, sob o brilho cortante dos lustres de Baccarat, a sentença de Beatriz Valente já estava assinada. O zumbido das conversas — uma sinfonia de poder que ela dominara por anos — transformara-se em um ruído metálico que vibrava contra suas têmporas. À sua frente, Ricardo, o homem com quem ela deveria se casar em dois meses, segurava o microfone com a precisão de um carrasco que aprecia o próprio ofício.

— A falência não é apenas um detalhe contábil, Beatriz — anunciou ele, a voz amplificada ecoando pelo salão, fria e desprovida de qualquer traço de hesitação. — É uma escolha de caráter. E, infelizmente, a herança da família Valente não cobre mais o estilo de vida que você insiste em manter. Este leilão de caridade não é o lugar para fantasmas de uma fortuna que já não existe.

O silêncio que se seguiu foi absoluto, uma pausa dramática que Ricardo saboreou. Beatriz sentiu o sangue fugir de seu rosto, deixando-a com uma palidez marmórea. Ela não tinha para onde correr; a saída estava bloqueada por uma parede humana de fotógrafos e convidados ávidos por seu desmoronamento. Cada segundo ali era uma erosão de sua existência social. Ela sentia o peso de mil olhares, um escrutínio que desnudava sua vulnerabilidade. Ricardo não estava apenas terminando o noivado; ele estava garantindo que, até o amanhecer, o nome 'Beatriz Valente' fosse sinônimo de ruína.

Então, o ar mudou. O burburinho cessou quando um homem se destacou das sombras próximas à mesa principal. Rafael Viana. O CEO que raramente se dava ao trabalho de comparecer a eventos de caridade, a menos que houvesse um império para ser consolidado ou destruído. Ele caminhou com uma elegância predatória, ignorando Ricardo como se este fosse apenas uma interrupção incômoda em sua agenda.

Beatriz não esperou. Com o que restava de seu orgulho, ela atravessou o salão, ignorando os flashes que começavam a disparar. Ela precisava de um aliado, ou melhor, de um escudo. Ela encontrou Rafael no corredor lateral, onde a penumbra servia de refúgio aos que preferiam o cinismo à etiqueta.

— Você tem um péssimo hábito de escolher lugares sombrios para se esconder, Beatriz — a voz dele era um bisturi, desprovida de qualquer traço de empatia pelo que acabara de acontecer.

— E você tem o hábito de observar o naufrágio alheio com um copo de uísque na mão — Beatriz retrucou, a voz firme apesar do pânico que tentava subir por sua garganta. — O espetáculo da minha ruína não foi o suficiente para o seu entretenimento, Rafael? Ou você está esperando para comprar os destroços?

Ele deu um passo à frente, invadindo seu espaço pessoal. O perfume dele — sândalo e poder — era um lembrete constante de que ele detinha as cartas que ela precisava.

— Eu não compro destroços, Beatriz. Eu invisto em ativos que outros não sabem valorizar. Seu ex-noivo cometeu um erro tático. Ele expôs você, mas também expôs a fragilidade do acordo de fusão que ele tanto deseja. Eu preciso de uma esposa para desbloquear a cláusula de sucessão do conselho da Viana Holding. O estatuto exige um casamento estável, e você... bem, você precisa de alguém que silencie os credores antes que eles tomem o que resta da sua dignidade.

Beatriz sentiu o peso da proposta. Era uma transação, fria e sem coração, mas era a única que mantinha sua cabeça acima da água.

— É um casamento de conveniência — ela afirmou, mais para si mesma do que para ele.

— É um contrato de sobrevivência mútua — ele corrigiu, estendendo a mão. — Aceite, e o escândalo de hoje se torna apenas um mal-entendido entre um casal prestes a oficializar a união. Recuse, e você será a nota de rodapé esquecida nos jornais de amanhã.

Beatriz olhou para a mão estendida. Era uma promessa de proteção, mas também uma algema de ouro. Ela aceitou, sentindo o choque do contato. Rafael a conduziu de volta ao centro do salão, onde a luz dos holofotes era cegante. Ele a puxou para perto, a mão firme em sua cintura, um gesto que, para o público, parecia uma carícia de noivo, mas que para ela era o peso da nova realidade. Enquanto os flashes explodiam, Rafael sussurrou, a voz carregada de uma autoridade que não admitia falhas:

— Finja que me ama, Beatriz. Ou perderemos tudo o que nos resta.

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