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Chapter 2: A Cláusula do Escândalo

Rafael consolida o controle sobre a narrativa pública, protegendo Beatriz de um ataque da imprensa com uma demonstração de possessividade calculada. Beatriz descobre a 'Cláusula 14' no contrato, que a prende a dois anos de convivência ininterrupta, revelando que sua proteção é, na verdade, uma estratégia de sucessão de longo prazo.

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A Cláusula do Escândalo

O papel do contrato, ainda quente da impressora do Grand Hotel, parecia vibrar sob as pontas dos dedos de Beatriz. Era uma sentença de liberdade comprada ao preço exato de sua identidade. Na penumbra da sala privada, o silêncio não era paz; era uma lâmina. Rafael Alencar não a olhava com a piedade que ela temia, mas com a precisão clínica de um cirurgião avaliando um tecido necrosado.

— A regra é simples, Beatriz — disse ele, a voz desprovida de qualquer calor. Seus dedos, ao tocarem o colar de diamantes que ele mesmo colocara em seu pescoço, moviam-se com uma lentidão deliberada, quase predatória. — Eu forneço a blindagem contra o escândalo de desfalque que sua família arquitetou. Você fornece a fachada de uma noiva devota para a diretoria. O que acontece entre quatro paredes é irrelevante, mas o que acontece diante da imprensa é a nossa única moeda de troca.

Beatriz sentiu o peso do metal contra a pele. Não era um presente; era uma marcação de propriedade. O orgulho, o último bem que lhe restara após a humilhação no salão, queimava, mas ela o manteve contido sob uma camada de gelo.

— Eu entendo as cláusulas, Rafael — respondeu, encontrando o olhar dele sem vacilar. — O que eu não entendo é por que o meu silêncio sobre a origem desse desfalque é tão valioso para você. Por que eu? Por que agora?

Rafael inclinou-se, o perfume amadeirado envolvendo-a como uma cela. — Porque você é a única pessoa com o treinamento necessário para proteger o que é meu sem fazer perguntas. Agora, vamos. O espetáculo espera.

Ao saírem para o átrio, o caos organizado da imprensa paulistana os engoliu. Flashes estroboscópicos cortavam o ambiente, transformando a realidade em uma série de quadros desconexos. Beatriz manteve o queixo erguido, a espinha rígida. Cada clique de câmera soava como um martelo em um julgamento público. Uma jornalista, com um sorriso predatório, avançou, ignorando a barreira de segurança.

— Beatriz, é verdade que a família cortou os laços após o desfalque? Como pretende manter o padrão de vida ao lado de um homem que exige impecabilidade nos negócios?

Beatriz sentiu a garganta secar. A armadilha estava armada: negar o desfalque a faria parecer culpada; confirmá-lo, uma pária. Antes que pudesse articular uma resposta, o braço de Rafael envolveu sua cintura, puxando-a para o seu lado com uma possessividade que silenciou o burburinho. Ele a defendeu com uma frieza cortante, lançando um olhar de desprezo calculado para a repórter.

— Minha noiva não responde a calúnias arquitetadas por abutres — disse Rafael, a voz ecoando pelo salão com autoridade absoluta. — O que a família dela faz é irrelevante para o império que estamos construindo. Sugiro que foquem na celebração, a menos que queiram ser processados por difamação antes do amanhecer.

Os flashes cegavam, mas o aperto de Rafael em sua cintura era a única coisa que a mantinha de pé. Ele sussurrou ao ouvido dela, o tom baixo e perigoso: — Sorria, esposa. Eles precisam acreditar que estamos apaixonados.

Dentro da limusine, a fachada de noivos desmoronou assim que a porta foi batida. Rafael ajustava os punhos da camisa com uma precisão cirúrgica, os olhos fixos na pasta de couro sobre o colo. Beatriz estendeu a mão, exigindo a cópia do contrato. Ao folhear as páginas, seus olhos correram pelas letras miúdas até que uma seção específica, sublinhada em tinta fresca, travou sua respiração: Cláusula 14: Lealdade Incondicional e Sucessão.

A leitura revelou que a validade do contrato não dependia apenas de um casamento público, mas de dois anos de convivência ininterrupta. Qualquer tentativa de autonomia financeira independente resultaria na perda total de seus ativos remanescentes. Rafael fechou a pasta, impedindo-a de continuar a leitura. O silêncio entre eles tornou-se mais perigoso do que qualquer insulto que ouviram no salão. A proteção de Rafael era, na verdade, uma gaiola de ouro.

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