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Chapter 1: O Preço da Dignidade no Salão de Cristal

Beatriz é publicamente deserdada por sua família em um baile de gala. Rafael Alencar, buscando uma esposa para garantir sua sucessão, oferece um contrato de casamento como única saída para a ruína social da protagonista. Beatriz assina, trocando sua autonomia por proteção, e o casal é forçado a encenar uma união apaixonada sob os flashes da imprensa.

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O Preço da Dignidade no Salão de Cristal

O brilho dos lustres de cristal do Grand Hotel, em São Paulo, não iluminava o salão; ele expunha. Beatriz ajustou o colar de pérolas, sentindo o metal frio contra a pele, enquanto atravessava o mármore sob o peso de centenas de olhares. Ela era a imagem da perfeição, até que a orquestra silenciou, cortada bruscamente pela voz de seu pai, amplificada pelo sistema de som.

— Beatriz, sua presença aqui é um erro — declarou o patriarca, a voz desprovida de qualquer afeto, ecoando como uma sentença.

Ao lado dele, Ricardo, seu irmão, segurava uma pasta de couro com a expressão de quem descarta um ativo tóxico.

— O conselho votou. Você não é mais uma herdeira, nem representante da nossa linhagem. O desfalque que você tentou encobrir... está tudo aqui.

O silêncio que se seguiu foi absoluto. Beatriz sentiu o sangue fugir de seu rosto, mas manteve a espinha ereta. Ela sabia que não tinha encobrido desfalque algum; ela tinha descoberto o deles. Era uma armadilha, um xeque-mate desenhado para deixá-la sem um centavo ou credibilidade antes que pudesse abrir a boca.

— Vocês não podem provar o que não existe — disse ela, a voz firme, embora seu coração martelasse contra as costelas como um animal enjaulado.

— O tribunal da opinião pública já decidiu, Beatriz — Ricardo sorriu, um gesto cruel. — Você está falida.

Beatriz tentou cruzar o salão em direção à saída lateral, mas o brilho dos lustres agora parecia feito de lâminas. Antes que ela alcançasse a pesada porta de carvalho, um corpo sólido bloqueou seu caminho. O cheiro de cedro e o frio calculista que emanava de Rafael Alencar eram inconfundíveis. Ele não a olhou com a piedade que ela detestaria; ele a observou como um analista de risco avaliando um ativo em queda livre.

— Tentar fugir pela porta da cozinha é um erro de etiqueta — disse ele, a voz baixa, cortando o murmúrio da multidão. — A saída de emergência leva apenas aos fundos. Você não quer que os fotógrafos te encontrem soluçando entre caixas de lixo.

Beatriz endireitou a coluna, forçando os ombros a se manterem firmes, embora suas mãos estivessem geladas sob as luvas de cetim. Ela não lhe daria o prazer de vê-la tremer.

— O que você quer, Rafael? Veio rir do desastre ou apenas garantir que o prejuízo da minha família não afete suas ações na bolsa?

Rafael deu um passo à frente, invadindo seu espaço pessoal com uma autoridade que exigia submissão ou uma trégua.

— Eu venho oferecer o que eles tiraram: a sua sobrevivência. Eu preciso de uma esposa para ativar uma cláusula de sucessão que me mantém refém da minha própria diretoria. Você precisa de um escudo contra a ruína que seu pai acaba de assinar.

Beatriz olhou para o documento que ele retirou do paletó. Era uma pasta de couro, pesada, contendo um contrato de casamento. Não havia espaço para hesitação. Sua dignidade estava sendo estraçalhada em praça pública, e Rafael, o herdeiro que todos temiam, era o único escudo disponível. Se ela assinasse, tornava-se um peão; se recusasse, seria devorada viva.

Ela pegou a caneta tinteiro, sentindo a ponta metálica pressionar o papel com uma precisão cirúrgica. Ao terminar a assinatura, o silêncio ao redor pareceu se intensificar, carregado de uma tensão elétrica. Rafael estendeu a mão, não para ajudá-la a levantar, mas para entregar a caneta do contrato.

— O escândalo é seu, Beatriz — a voz dele cortou o burburinho, carregada de uma autoridade que exigia resposta. — A solução é minha.

Ele a puxou para o centro do salão, forçando uma demonstração pública de união. Os flashes da imprensa cegaram, mas o aperto firme de Rafael em sua cintura era a única coisa que a mantinha de pé.

— Sorria, esposa — sussurrou ele, o hálito quente contra seu ouvido, contrastando com o cinismo de seus olhos. — Eles precisam acreditar que estamos apaixonados.

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