Cláusulas de Intimidade
O escritório de Arthur Cavalcanti não era um cômodo; era uma câmara de pressão. O ar, rarefeito pelo sistema de climatização central, cheirava a couro envelhecido e ao tabaco que ele raramente fumava, mas que parecia impregnar as paredes. Helena Viana fechou a porta, o som do trinco metálico soando como uma sentença definitiva. Ela não estava ali por curiosidade, mas por necessidade. A ruína financeira que a cercava não era apenas um número em uma planilha; era uma contagem regressiva que ameaçava apagar seu sobrenome da história de São Paulo.
Seus dedos, trêmulos apenas o suficiente para que ela os cerrasse em punhos, percorreram a mesa de carvalho. Ali, sob um peso de papel de cristal, repousava o dossiê que ela buscara.
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