O Preço da Proteção
O ar na sala privativa do Hotel Unique era rarefeito, impregnado pelo perfume amadeirado de Arthur e pelo odor metálico de uma derrota que Helena ainda tentava digerir. Sobre a mesa de mogno, a caneta tinteiro parecia um instrumento de tortura. Ela acabara de assinar o documento que transformava seu sobrenome em um ativo da holding Cavalcanti. O colar de diamantes, arrematado minutos antes por duzentos mil reais, era apenas o primeiro item de sua liquidação pública.
— A formalidade é indispensável, Helena — Arthur disse, a voz desprovida de qualquer calor, embora seus olhos escuros rastreassem cada contração em seu maxilar. — A imprensa precisa de uma narrativa, não de dúvidas. A partir de agora, o seu silêncio é o seu maior trunfo.
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