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Chapter 1: O Custo da Ineficiência

Kaelen sobrevive à auditoria de Mestre Vane usando uma técnica proibida, mas acumula uma dívida de energia crítica. Ele utiliza um blefe tático para vencer um leilão de alto risco por um Fragmento de Núcleo de Fera, garantindo a peça necessária para estabilizar seu cultivo, mas atraindo a atenção perigosa de seus rivais.

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O Custo da Ineficiência

O cronômetro holográfico sobre a Arena de Auditoria do Pináculo de Aço pulsava em um vermelho agressivo: 00:03:12. Para Kaelen, não era apenas um contador regressivo; era o prazo de validade de sua existência na Academia.

— Candidato 402, Kaelen — a voz de Mestre Vane ecoou, seca e desprovida de qualquer traço de humanidade. O mentor, cujas vestes bordadas em prata simbolizavam a linhagem pura que Kaelen jamais alcançaria, nem se deu ao trabalho de olhar para o pergaminho de notas. — Seus depósitos de energia estão em menos de 5% da média exigida. Dívidas de cultivo acumuladas e um desempenho medíocre. Por que ainda desperdiça o oxigênio deste setor?

Ao redor da arena, os alunos de linhagem superior, Lira entre eles, trocaram sorrisos desdenhosos. Lira, com sua aura de perfeição intocável, ajustou o bracelete de jade, um artefato que custava mais do que a cota anual de Kaelen. O silêncio da multidão era um peso físico, a pressão social de um fracassado sendo expurgado do sistema. Kaelen sentiu o vazio em seu núcleo, a dor aguda de quem tentava cultivar sem o combustível necessário. Ele não tinha patrocínio. Ele tinha apenas o desespero e um fragmento de pergaminho amarelado que encontrara nas ruínas da biblioteca proibida — uma técnica que Vane consideraria heresia, se soubesse que ele a possuía.

Kaelen não respondeu. Ele não podia. Cada palavra consumiria o fôlego necessário para manter a aura de pressão que ele sustentava contra a gravidade do Pináculo. Ele sentia as veias do braço latejarem, uma vibração metálica e errática que não pertencia ao seu cultivo natural. O fragmento — uma runa de absorção forçada — rugia em seu peito, drenando não apenas a energia ambiente, mas a própria estabilidade de sua reserva vital.

— O ranking não perdoa amadores, Kaelen — Vane cortou o ar como um chicote. — Você acabou de converter sua escassez em uma dívida técnica que o sistema da Academia irá cobrar com juros no próximo ciclo.

Kaelen sentiu o relógio de pulso vibrar em um tom âmbar: Dívida de Energia: 400 unidades de mérito. Prazo: 12 horas. Ele tinha acabado de sobreviver à expulsão imediata, mas o preço havia sido o seu acesso aos próximos suprimentos do mês. Ele estava vivo, mas faminto.

Horas depois, o ar no Salão de Leilões do Pináculo estava denso, carregado com o cheiro de incenso caro e a eletricidade estática de linhagens nobres disputando frações de poder. Kaelen ajustou o colarinho de seu uniforme surrado, sentindo o vazio em seus meridianos. No centro do palco, o leiloeiro revelou o item: um Fragmento de Núcleo de Fera de Vento, a peça exata que Kaelen precisava para estabilizar a técnica proibida. Sem aquilo, seu cultivo continuaria sendo uma hemorragia de energia; com ele, ele poderia converter a pressão da Academia em força cinética.

— Lance inicial: cinquenta créditos de mérito — anunciou o leiloeiro.

Kaelen levantou a mão, o coração batendo contra as costelas. — Cinquenta e cinco — ele disse, a voz firme, embora seu saldo estivesse negativo em quase todos os registros da tesouraria.

— Sessenta — retrucou uma voz arrogante. Era Valerius, um herdeiro de linhagem cujos recursos eram tão vastos quanto sua falta de necessidade real pelo item. Ele apenas queria ver Kaelen humilhado. — Setenta. Vamos, Kaelen, o lixo da Academia não precisa de relíquias.

O riso abafado da plateia cortou o salão. Kaelen sentiu o suor frio. Ele precisava blefar. Ele canalizou a energia instável da técnica proibida para a palma da mão, criando uma distorção visual que imitava o despertar de um cultivo de alto nível. O brilho intenso atraiu a atenção imediata de Vane no camarote superior. O Mestre estreitou os olhos, confuso e alarmado pela demonstração súbita de poder de alguém que deveria estar exaurido.

— Oitenta — Kaelen declarou, a voz gelada, como se o item fosse apenas uma curiosidade barata. Valerius hesitou, olhando para a aura ao redor de Kaelen. O medo de que o "fracassado" estivesse escondendo um segredo de linhagem fez o herdeiro baixar a guarda. O leiloeiro bateu o martelo antes que Valerius pudesse reagir.

Kaelen assegurou o item, mas ao descer do palco, sentiu o olhar de predadores sobre si. Ele havia vencido o leilão, mas agora todos sabiam que ele possuía algo valioso — e a próxima auditoria seria muito mais difícil do que a primeira.

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