O Custo da Ineficiência
O cronômetro holográfico sobre a Arena de Auditoria do Pináculo de Aço pulsava em um vermelho agressivo: 00:03:12. Para Kaelen, não era apenas um contador regressivo; era o prazo de validade de sua existência na Academia.
— Candidato 402, Kaelen — a voz de Mestre Vane ecoou, seca e desprovida de qualquer traço de humanidade. O mentor, cujas vestes bordadas em prata simbolizavam a linhagem pura que Kaelen jamais alcançaria, nem se deu ao trabalho de olhar para o pergaminho de notas. — Seus depósitos de energia estão em menos de 5% da média exigida. Dívidas de cultivo acumuladas e um desempenho medíocre. Por que ainda desperdiça o oxigênio deste setor?
Ao redor da arena, os alunos de linhagem superior, Lira entre eles, trocaram sorrisos desdenhosos. Lira, com sua aura de perfeição intocável, ajustou o bracelete de jade, um artefato que custava mais do que a cota anual de Kaelen. O silêncio da multidão era um peso físico, a pressão social de um fracassado sendo expurgado do sistema. Kaelen sentiu o vazio em seu núcleo, a dor aguda de quem tentava cultivar sem o combustível necessário. Ele não tinha patrocínio. Ele tinha apenas o desespero e um fragmento de pergaminho amarelado que encontrara nas ruínas da biblioteca proibida — uma técnica que Vane consideraria heresia, se soubesse que ele a possuía.
Kaelen não respondeu. Ele não podia. Cada palavra consumiria o fôlego necessário para manter a aura de pressão que ele sustentava contra a gravidade do Pináculo. Ele sentia as veias do braço latejarem, uma vibração metálica e errática que não pertencia ao seu cultivo natural. O fragmento — uma runa de absorção forçada — rugia em seu peito, drenando não apenas a energia ambiente, mas a própria estabilidade de sua reserva vital.
— O ranking não perdoa amadores, Kaelen — Vane cortou o ar como um chicote. — Você acabou de converter sua escassez em uma dívida técnica que o sistema da Academia irá cobrar com juros no próximo ciclo.
Kaelen sentiu o relógio de pulso vibrar em um tom âmbar: Dívida de Energia: 400 unidades de mérito. Prazo: 12 horas. Ele tinha acabado de sobreviver à expulsão imediata, mas o preço havia sido o seu acesso aos próximos suprimentos do mês. Ele estava vivo, mas faminto.
Horas depois, o ar no Salão de Leilões do Pináculo estava denso, carregado com o cheiro de incenso caro e a eletricidade estática de linhagens nobres disputando frações de poder. Kaelen ajustou o colarinho de seu uniforme surrado, sentindo o vazio em seus meridianos. No centro do palco, o leiloeiro revelou o item: um Fragmento de Núcleo de Fera de Vento, a peça exata que Kaelen precisava para estabilizar a técnica proibida. Sem aquilo, seu cultivo continuaria sendo uma hemorragia de energia; com ele, ele poderia converter a pressão da Academia em força cinética.
— Lance inicial: cinquenta créditos de mérito — anunciou o leiloeiro.
Kaelen levantou a mão, o coração batendo contra as costelas. — Cinquenta e cinco — ele disse, a voz firme, embora seu saldo estivesse negativo em quase todos os registros da tesouraria.
— Sessenta — retrucou uma voz arrogante. Era Valerius, um herdeiro de linhagem cujos recursos eram tão vastos quanto sua falta de necessidade real pelo item. Ele apenas queria ver Kaelen humilhado. — Setenta. Vamos, Kaelen, o lixo da Academia não precisa de relíquias.
O riso abafado da plateia cortou o salão. Kaelen sentiu o suor frio. Ele precisava blefar. Ele canalizou a energia instável da técnica proibida para a palma da mão, criando uma distorção visual que imitava o despertar de um cultivo de alto nível. O brilho intenso atraiu a atenção imediata de Vane no camarote superior. O Mestre estreitou os olhos, confuso e alarmado pela demonstração súbita de poder de alguém que deveria estar exaurido.
— Oitenta — Kaelen declarou, a voz gelada, como se o item fosse apenas uma curiosidade barata. Valerius hesitou, olhando para a aura ao redor de Kaelen. O medo de que o "fracassado" estivesse escondendo um segredo de linhagem fez o herdeiro baixar a guarda. O leiloeiro bateu o martelo antes que Valerius pudesse reagir.
Kaelen assegurou o item, mas ao descer do palco, sentiu o olhar de predadores sobre si. Ele havia vencido o leilão, mas agora todos sabiam que ele possuía algo valioso — e a próxima auditoria seria muito mais difícil do que a primeira.