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Chapter 3: Leilão de Sangue e Aço

Kaelen entra no Pavilhão Cinzento com dezoito cristais médios penhorados da relíquia materna e setenta e duas horas até o duelo. Ele usa uma manobra de mercado para fazer Dante gastar trinta cristais em cristais de eco vazio inúteis para o rival. Em seguida, adquire o verdadeiro núcleo de energia (lote disfarçado) por dezoito cristais em lance final sem concorrência. Dante reage com ódio público. Ao sair, Kaelen recebe uma mensagem de Valéria revelando que o leilão foi uma armadilha: o núcleo não pode ser usado sem consequências imediatas de rastreio ou desclassificação. O ganho visível abre um novo patamar de risco institucional e físico.

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Leilão de Sangue e Aço

Kaelen empurrou a porta enferrujada do Pavilhão Cinzento com o ombro. O cheiro de incenso rançoso e suor azedo o acertou como um soco. Dezoito cristais médios queimavam no bolso interno — tudo que restara do penhor do pingente de prata da mãe. No pulso, o cronômetro de qi piscava: setenta e uma horas e cinquenta e dois minutos até o duelo direto contra o quadragésimo andar.

Sem o núcleo de energia, o vínculo permanente não aguentaria a pressão. Ele seria esmagado em público e arrastado para as minas. Dívida de cultivo não perdoava.

Dante já ocupava o mezanino VIP, leque de jade girando devagar entre os dedos. Seus olhos encontraram Kaelen e o sorriso veio lento, venenoso.

— O mendigo trouxe os trocados da mamãe? — A voz cortou o burburinho.

Kaelen não respondeu. Marchou até o balcão. O atendente de bigode fino nem ergueu o olhar.

— Entrada comum: três cristais. VIP: quinze.

Kaelen deslizou uma moeda de cobre gasta, palma virada no ângulo exato que o tio morto lhe ensinara. O tilintar soou mais rico do que era.

— Esta vale dezoito no submundo. Troca por VIP temporária. Só até o primeiro lote do núcleo.

O atendente mordeu a moeda, olhou para Dante, depois para Kaelen. Um riso baixo veio de cima.

— Deixa o rato subir, Tio Ming. Quero ver quanto tempo aguenta.

Ming acenou. Kaelen subiu as escadas sem olhar para trás.

No mezanino, o leiloeiro ergueu o primeiro estojo.

— Lote 17. Cristais de eco vazio. Lance inicial: três cristais médios.

Kaelen ergueu a mão.

— Quatro.

Dante inclinou a cabeça, divertido.

— Cinco.

— Sete.

— Dez.

— Quinze.

O salão começou a prestar atenção. Kaelen manteve o rosto impassível. Aqueles cristais não eram inúteis. Eram a chave para onze segundos de eco falso — tempo suficiente para um golpe surpresa no duelo. Dante não precisava saber.

— Vinte — disse Dante, voz preguiçosa.

Kaelen deixou os ombros caírem meio grau, exatamente o ângulo de quem sente o chão sumir. Mostrou o desespero que o rival queria ver.

— Vinte e um.

Dante bufou.

— Trinta.

O martelo caiu.

— Vendido ao jovem mestre Dante por trinta cristais médios!

Risadas esparsas. Dante voltou a atenção para o próximo lote como se tivesse esmagado um inseto. Trinta cristais queimados em lixo que ele nunca saberia usar. Kaelen sentiu o peito aliviar um milímetro. Espaço. Espaço para o verdadeiro golpe.

Do camarote elevado, Mestra Valéria observava em silêncio. Lentes frias refletiam a luz dos globos de qi. Seus lábios não se moveram. Mas os olhos diziam tudo.

O leiloeiro anunciou o lote principal.

— Lote 42. Núcleo de energia de terceira camada, disfarçado como fragmento de eco negro. Lance inicial: doze cristais médios.

Kaelen esperou três lances mornos. Então ergueu a placa.

— Dezoito.

Silêncio absoluto. Ninguém mais ofereceu. O martelo caiu.

— Vendido ao cultivador Kaelen por dezoito cristais médios!

O núcleo frio foi colocado em suas mãos. Pesado. Zumbindo. Energia proibida pulsava contra a palma, faminta, perigosa. Com ele, poderia empurrar o vínculo permanente além do trigésimo andar. Talvez ameaçar o vigésimo. O ganho era visível, mensurável. Mas o custo ainda viria.

Dante virou o corpo inteiro. O sorriso desaparecera. Apenas ódio puro restava.

Kaelen guardou o núcleo sob a capa surrada e desceu a escadaria lateral. Os corredores estreitos cheiravam a mofo e derrota. Passos leves ecoaram atrás. Ele não virou a cabeça.

Uma silhueta mascarada bloqueou a passagem. Manto cinza, capuz baixo.

— Mestra Valéria envia cumprimentos.

O mensageiro estendeu um papel selado com cera preta. Kaelen quebrou o selo.

A letra era dela, reta e sem ornamento:

“Parabéns pela aquisição, aluno Kaelen. O núcleo foi liberado exatamente porque sabíamos que você viria. Use-o antes do duelo e o vínculo será rastreado em menos de uma hora. Use-o durante o duelo e será considerado artefato externo — desclassificação e servidão nas minas. Guarde-o e permanecerá no último andar, sem margem.

A Academia sempre oferece escolhas.

Valéria.”

Kaelen dobrou o papel devagar. O núcleo queimava contra o peito, quase insolente. Setenta e uma horas e quarenta e um minutos.

Tudo que ele fizera — a humilhação calculada, os cristais gastos até o osso, o orgulho de Dante sangrando recursos — tinha sido permitido. Orquestrado.

Valéria não estava apenas vigiando o erro estatístico.

Do alto do camarote, ela sorriu.

Ela não estava apenas assistindo ao leilão; estava armando uma armadilha.

Kaelen apertou o núcleo contra as costelas. A energia proibida já começava a percorrer suas veias. Mas seus ossos deram o primeiro estalo sutil, um aviso frio de que o preço ainda não havia sido pago por inteiro.

E o duelo no quadragésimo andar esperava.

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