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Chapter 5: A Reforma do Pátio

Beatriz recupera evidências de uma fraude imobiliária antiga escondidas no sótão e sob o piso do pátio. Lúcia tenta intimidá-la com uma vistoria falsa, mas Beatriz percebe o nervosismo da antagonista. A descoberta da certidão de tombamento muda o jogo, enquanto uma figura misteriosa observa a casa de chá.

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A Reforma do Pátio

O ar no sótão era denso, saturado com o cheiro de madeira envelhecida e o pó de décadas de silêncio. Beatriz sentia cada rangido do assoalho como uma acusação. Com a lanterna trêmula, ela forçou a alavanca improvisada entre as tábuas soltas, o metal protestando contra a madeira seca. O prazo de vinte e nove dias, gravado na notificação de despejo que ela carregava no bolso, não era apenas um número; era o tempo que restava antes que a escavadeira de Lúcia transformasse a história de sua família em entulho.

Sob a fuligem, uma caixa metálica surgiu. O cadeado, corroído pelo tempo, cedeu com um golpe seco de martelo. Beatriz não encontrou joias, mas papéis: escrituras e protocolos de intenção de compra datados de trinta anos atrás, assinados pelo pai de Lúcia. As páginas detalhavam uma manobra deliberada para forçar a desapropriação do pátio sob alegações falsas de insalubridade. O coração de Beatriz martelava contra as costelas enquanto ela descia as escadas, o peso da caixa em suas mãos parecendo maior do que o metal sugeria.

No pátio, Seu Arnaldo removia as tábuas podres do piso, o suor escorrendo pelo rosto marcado.

— Onde está o resto do livro, Arnaldo? — Beatriz perguntou, a voz firme, apesar da exaustão.

Ele parou, o pé de cabra suspenso no ar.

— Seu tio não escondia as coisas por maldade, Beatriz. Ele escondia por sobrevivência. Este lugar é uma testemunha, e testemunhas são silenciadas quando se tornam perigosas para os negócios da cidade.

Ele deu um golpe preciso na madeira, arrancando o tabuado central. O vazio revelou uma cavidade de alvenaria. Beatriz se ajoelhou, sentindo o cheiro de terra úmida. Ali, protegida por tijolos antigos, repousava uma segunda caixa, esta selada com o brasão da família. Antes que pudesse tocá-la, o som de saltos altos estalando nas pedras interrompeu o trabalho.

Lúcia surgiu na moldura da porta, impecável em seu terninho cinza, um contraste gritante com a desordem organizada do pátio.

— Vistoria técnica, Beatriz — disse Lúcia, a voz cortante. — A imobiliária precisa garantir que a integridade estrutural permita a demolição segura.

Beatriz levantou-se, limpando o suor da testa com o dorso da mão, mantendo o corpo entre Lúcia e a lona que cobria a caixa.

— Você não quer uma vistoria, Lúcia. Você quer garantir que o que está enterrado aqui continue invisível.

Lúcia congelou por um milissegundo, a máscara de frieza oscilando.

— O prazo de vinte e nove dias está correndo. Não brinque de detetive com o que você não pode salvar.

Ela se virou e saiu, mas o tremor em suas mãos ao ajustar a bolsa foi a evidência que Beatriz precisava. Assim que Lúcia desapareceu, os vizinhos, atraídos pelo barulho, começaram a se aglomerar na entrada. Sem trocar palavras, Arnaldo e Beatriz abriram o compartimento secreto. Dentro da caixa, Beatriz encontrou a certidão oficial de tombamento histórico do pátio e cartas que ligavam a fraude de décadas atrás à pressão atual.

Ela segurou os documentos contra o peito. A prova estava em suas mãos, mas ao olhar para a rua, viu um vulto parado na penumbra, observando cada movimento seu. A batalha pelo pátio tinha mudado de nível; ela não estava apenas consertando tábuas, estava enfrentando um crime que a cidade inteira queria esquecer.

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