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Chapter 5: Arquivista de Sombras

Júlia e Elias tentam acessar o arquivo 88-Beta no museu, apenas para descobrir que o acervo foi movido para um bunker na Zona Portuária que será lacrado em 72 horas. Elias se sacrifica para distrair os executores do Protocolo Zero, deixando Júlia com a prova real enquanto ele é capturado.

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Arquivista de Sombras

A chuva de São Paulo não limpava; ela apenas empurrava o lodo para as grades das docas, transformando a fuligem em uma pasta oleosa que grudava nas botas de Júlia. Elias encostou-se no metal frio, sentindo o tremor das máquinas sob seus pés. O relógio no seu pulso, sincronizado com a rede de vigilância que agora o caçava, piscava em um vermelho agressivo: 72 horas para o lacre de concreto do bunker.

— As credenciais não vão funcionar, Júlia — Elias sussurrou, a voz rouca. — O Protocolo Zero já queimou seu acesso. Estamos sendo rastreados.

Júlia não respondeu. Ajoelhada diante do painel de controle da entrada de serviço, seus dedos buscavam a brecha no sistema. Ela não podia aceitar que o acervo de sua família fosse enterrado sob toneladas de cimento. Quando inseriu o cartão, o leitor emitiu um bipe agudo, seguido por um zumbido grave. Uma luz âmbar girou sobre o batente. O sistema não havia apenas negado o acesso; ele havia disparado um alerta silencioso.

— Afaste-se! — Elias puxou-a pelo braço no momento em que as travas magnéticas cederam. A porta de carga rangeu, revelando o subsolo. O ar lá dentro cheirava a poeira antiga e ozônio residual.

Elias forçou a passagem. Júlia entrou, a lanterna de seu celular cortando a escuridão. Ela correu para a prateleira central, onde o arquivo 88-Beta deveria estar. Estava vazia. No centro, um único envelope pardo estava grampeado ao metal. Elias arrancou o papel. Era um aviso de transferência, datado de três horas atrás.

— Eles anteciparam — disse Elias, sentindo o peso da relíquia no bolso, um dispositivo que agora parecia uma âncora de chumbo. — O acervo foi movido para um bunker privado na Zona Portuária.

Júlia tocou o terminal. A mensagem surgiu, fria e mecânica: Protocolo de Lacração Ativado. 72 horas para a concretagem permanente.

O ambiente tornou-se denso. O sistema de ventilação começou a sibilar, liberando um gás inerte. O feed de monitoramento, antes estático, agora exibia o rosto de Elias em alta definição, com uma tarja vermelha pulsante: TERRORISTA DIGITAL IDENTIFICADO. O Algoritmo não queria apenas detê-los; queria o espetáculo.

— Eles nos querem aqui dentro — Elias percebeu, a calma em sua voz soando mais perigosa que um grito. — Júlia, você precisa sair. Eles não vão nos deixar sair juntos.

Ele empurrou Júlia em direção a um duto de ventilação lateral enquanto os seguranças privados, os executores do Protocolo Zero, invadiam as docas. O som da chuva contra o metal era ensurdecedor. Elias se entregou, atraindo a atenção dos executores com uma manobra calculada. Júlia assistiu, escondida no beco adjacente, enquanto o círculo de homens de máscara de polímero fechava o cerco. Um golpe seco na base do pescoço de Elias o fez ceder. Ele caiu, entregando a relíquia — uma distração barata, um engodo.

Enquanto os executores arrastavam Elias para um veículo blindado, o dispositivo de Júlia vibrou. O mapa da rede de infraestrutura, decifrado no subsolo, projetou uma nova coordenada. O bunker não era apenas um depósito; era o ponto de purga. Com Elias capturado e o cronômetro marcando 72 horas para o lacre, Júlia compreendeu a verdade: a relíquia que Elias entregou era apenas o começo. A prova real, aquela que derrubaria o Protocolo Zero, estava agora apenas com ela.

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