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Chapter 3: O Custo da Verdade

Elias e Júlia escapam da delegacia após o sistema marcar Elias como anomalia. A relíquia revela-se um rastreador de dissidentes. A contagem regressiva torna-se pública, transformando Elias em um alvo nacional e expondo sua localização em tempo real.

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O Custo da Verdade

As luzes do Setor de Arquivos da 4ª Delegacia não apenas apagaram; elas se transmutaram em um carmesim pulsante. O som metálico das travas magnéticas selando as saídas ecoou como um veredito. Elias sentiu o peso do relicário no bolso da jaqueta, o microchip de vidro emitindo um calor febril contra sua coxa. A peça não era apenas um artefato; era um cronômetro de carne e osso.

— Eles estão executando a substituição de narrativa — Júlia sussurrou, a voz trêmula perdendo a autoridade de quem, até dez minutos atrás, dominava aquele labirinto. Ela tateava o console, mas a tela exibia apenas um cursor estático. — Elias, se o sistema terminar a limpeza, não seremos apenas demitidos. Seremos apagados. Não haverá registro de que entramos aqui.

O Feed não estava apenas deletando arquivos; estava reescrevendo a cronologia da delegacia para remover qualquer rastro de sua presença. O custo daquela busca era óbvio: a segurança de ambos estava sendo dissolvida. Elias puxou o microchip. A peça brilhava com uma luz azul gélida, contrastando com o alerta de emergência da sala. Com um movimento preciso, ele forçou o chip na porta de serviço do terminal. Faíscas saltaram, o cheiro de ozônio preenchendo o ar. A sobrecarga forçou uma falha temporária no sistema de selamento, e a porta cedeu com um estalo seco. O relógio de Elias vibrou violentamente: o tempo restante para o Feed Permanente despencou para 138 horas. A punição pela invasão era imediata.

Eles se arrastaram até um banheiro de serviço, o único lugar sem sensores de movimento ativos. Enquanto Júlia soluçava baixinho, olhando para o próprio crachá — agora uma peça de plástico inútil revogada pelo sistema —, Elias conectou o chip ao terminal portátil. A inscrição oculta finalmente se revelou: 'Objeto de Silenciamento: Linhagem 0-Beta. Protocolo de Erradicação de Dissidentes ativo.'

— Não é apenas uma chave, Júlia — Elias disse, a voz seca. — É um rastreador. A relíquia que eu carregava foi o que marcou os dissidentes para o Feed. Nós não estamos apenas investigando; estamos sendo caçados pela própria arma que deveria nos proteger.

Eles precisavam sair, mas o saguão da delegacia era um campo minado. Ao atravessarem o corredor, o zumbido de um drone 'Sentinela' vibrou contra os dentes de Elias. Júlia, percebendo o cerco, tomou uma decisão drástica. Ela parou diante de um painel de controle e, com um gesto carregado de desespero, inseriu sua senha de nível administrativo para criar um curto-circuito proposital em todo o setor de vigilância.

— Vá! — ela gritou, enquanto os alarmes de incêndio disparavam, cegando as câmeras. Elias correu, atravessando a multidão de policiais atônitos, e emergiu na chuva ácida do centro de São Paulo. Mas, ao olhar para o telão gigante da praça, o sangue gelou. A transmissão do influenciador assassinado fora substituída. Em letras garrafais, o Feed anunciava: 'Anomalia Identificada: Elias V. Responsável pelo Colapso da Verdade.'

O relógio não estava mais apenas no pulso de Elias; estava projetado em escala urbana. Ele era o entretenimento da noite. Ao redor, pedestres paravam, os celulares apontados para ele como armas. A narrativa de "culpado" estava se solidificando antes que ele pudesse dar o próximo passo. O celular em seu bolso apitou. Uma notificação nova: sua localização exata acabara de ser publicada no Feed público. A caçada não era mais uma possibilidade; era o novo status quo da cidade.

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