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Chapter 3: Cinco Dias Restantes

Elias invade o armazém familiar para recuperar o livro-razão, mas descobre que ele foi sabotado. O executor da rede o encurrala, oferecendo um acordo: a prova em troca da segurança de Beatriz, enquanto o sistema começa a destruir a reputação de Elias com deepfakes.

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Cinco Dias Restantes

O som das escavadeiras não era apenas ruído; era uma contagem regressiva física. A cada impacto da caçamba contra o concreto do armazém da família, o piso de madeira sob os pés de Elias gemia, uma vibração que subia pelas solas de seus sapatos como um aviso. Ele ignorou o tremor nas mãos e ajoelhou-se sob a poeira densa, a lanterna do celular cortando a escuridão até encontrar a irregularidade no assoalho que o mapa mental da caixa de ébano indicava.

Faltavam 141 horas para o leilão. O sistema de vigilância, um software de mascaramento dinâmico, já havia rastreado sua localização. Ele não era mais apenas um observador; era a isca que o sistema precisava para confirmar a linhagem que Beatriz tentara enterrar.

Com a lâmina de um estilete, Elias forçou a fresta. A madeira cedeu com um estalo seco, revelando o compartimento secreto. O coração disparou. Ele esperava encontrar o registro original, o livro-razão que detalhava as transações do pai antes da ruína. Ele puxou o volume de couro, mas o peso era insuficiente. Ao abrir a capa, o sangue congelou: as páginas cruciais, aquelas que continham os meses anteriores à morte do pai, haviam sido arrancadas com uma precisão cirúrgica. Não era desgaste. Era sabotagem interna.

O cronômetro em seu pulso, sincronizado com o feed do leilão, saltou de 141 para 140 horas. O sistema sabia exatamente o que ele buscava e estava fechando as portas.

— Você não vai encontrar o que procura, Elias. O passado foi limpo antes mesmo de você chegar.

A voz veio das sombras atrás de uma viga de sustentação, calma, destituída de qualquer urgência. Elias girou, a lanterna iluminando um homem de terno cinza impecável. O executor da rede. Elias recuou, mas o homem bloqueou a única saída de emergência, observando o caos da demolição lá fora com a mesma indiferença com que olhava para Elias.

— O sistema já identificou a sabotagem nas páginas centrais — continuou o homem, deslizando o dedo sobre um dispositivo que projetava um feed em tempo real. — Isso não foi uma falha. Foi um aviso. O que acontece com Beatriz agora depende inteiramente do que você faz com esse livro. Entregue-o e a interrupção no fluxo de dados dela será cessada. Se não, a rede transformará a vida dela no próximo espetáculo de entretenimento público.

Elias olhou para o livro sabotado, depois para o executor. Ele sentiu o peso da escolha: entregar a prova e condenar a verdade ao esquecimento, ou mantê-la e ver Beatriz ser devorada pela máquina de escândalos. Enquanto o executor aguardava, o celular de Elias vibrou. O feed do leilão havia acabado de publicar um vídeo, uma montagem distorcida onde ele aparecia invadindo o armazém com uma arma que ele nunca carregou. A credibilidade de Elias estava sendo apagada em tempo real, enquanto o cronômetro, agora em 139 horas, pulsava como um segundo coração, mais letal do que nunca.

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