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Chapter 9: A Guerra de Classes

Arthur neutraliza uma tentativa de interdição estatal na Casa Alencar usando sua influência oculta, consolidando a liderança de Beatriz e expondo os diretores traidores. O capítulo termina com a chegada de um mensageiro da linhagem da capital, marcando o início de um conflito de escala superior.

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A Guerra de Classes

O ar na Casa Alencar carregava o cheiro metálico de ozônio e poeira de mármore. O silêncio que se seguiu à queda de Marcelo Valente não era de paz; era uma vibração de baixa frequência que prenunciava um terremoto. Arthur Valente, imóvel no centro do salão, observava os reflexos distorcidos no piso polido. A elite local, antes altiva, agora evitava seu olhar, como se a simples proximidade com ele pudesse contaminar suas próprias reputações em frangalhos.

O som de sirenes oficiais rompeu a atmosfera, não como uma emergência, mas como uma invasão. Fiscais estaduais, com uniformes cinzentos e a arrogância burocrática de quem carrega o selo do Estado, cercaram o pórtico. O fiscal-chefe, um homem de pescoço largo e olhos desprovidos de curiosidade, avançou sobre os seguranças da casa.

— Interdição imediata — anunciou ele, a voz ecoando pelo átrio. — Irregularidades na gestão de Marcelo Valente. A linhagem da capital não tolera fraudes em sua rede de distribuição. A Casa Alencar está sob custódia.

Arthur não se moveu até que o homem estivesse a dois passos de distância. Ele não gritou. Sua voz, baixa e cortante, silenciou o burburinho dos presentes.

— O senhor está lendo o protocolo errado, fiscal.

Arthur estendeu um documento selado com o brasão dourado do Comando Central. O papel, pesado e frio, continha a imunidade temporária que invalidava qualquer tentativa de lacre. O fiscal-chefe, ao reconhecer a chancela, empalideceu. O documento não era apenas uma ordem; era uma sentença de exoneração para quem ousasse ignorar a autoridade que o emitira.

— Isso é… — o fiscal gaguejou, o semblante arrogante desmoronando.

— Isso é o fim da sua jurisdição aqui — Arthur interrompeu, o olhar fixo no homem. — Retire seus homens antes que eu decida que a sua presença é uma violação de segurança nacional.

Os fiscais recuaram, o peso do segredo que acabavam de vislumbrar sendo mais do que podiam carregar. Beatriz Alencar aproximou-se, seus saltos ecoando como disparos no mármore. Ela não olhou para os carros que se afastavam, mas para as mãos de Arthur, ainda tensas.

— Você comprou tempo, Arthur, não paz — murmurou ela. — A linhagem da capital não perde peões sem buscar o rei no tabuleiro. Eles virão pessoalmente.

Arthur retirou-se para o escritório privado, onde o zumbido dos servidores era o único som. Ele precisava transformar a Casa Alencar em um bunker inexpugnável. Em um canal criptografado, ele contatou um aliado em Brasília. A voz do outro lado, filtrada por camadas de segurança, trazia a autoridade de quem movia as engrenagens do país.

— Valente — a voz era um aviso. — Você virou o tabuleiro. A linhagem da capital não tolera que o valor do jade seja ditado por quem eles consideram um pária. Eles estão movendo os ativos para sufocar sua liquidez.

Arthur compreendeu a dimensão. Não se tratava mais de Marcelo ou do cartel de Sampaio; ele havia atingido um pilar da infraestrutura econômica da região. A soberania da cidade estava em jogo.

De volta à sala de reuniões, Beatriz assumiu o comando. Com as provas de desvio de fundos de Marcelo e as evidências de conluio com Sampaio, ela confrontou os diretores infiltrados.

— A lealdade de vocês foi comprada — disse ela, a voz firme. — A auditoria federal está a caminho. Renunciem agora ou encarem a justiça.

Arthur observava da penumbra. A aliança entre eles estava selada. Beatriz não era mais a herdeira acuada; era a autoridade legítima da Casa Alencar. Mas, na entrada do complexo, um mensageiro aguardava. Ele trazia um envelope selado com cera negra, uma intimação.

— A linhagem da capital não aprecia surpresas — disse o mensageiro, os olhos fixos em Arthur. — O que você fez com Marcelo foi um erro de cálculo que eles pretendem corrigir.

Arthur pegou o envelope. Ele não sentiu medo, apenas a certeza de que a guerra de classes havia atingido seu ápice. Ele olhou para o mensageiro com um sorriso gélido.

— Diga aos seus senhores que a era em que a capital ditava o valor do que acontece aqui terminou. A partir de hoje, as regras são minhas. E eles não vão gostar do que está por vir.

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