Novel

Chapter 2: Lances de Sangue e Papel

Arthur infiltra-se na sala de controle da Casa Alencar, expõe a fraude digital de Sampaio no leilão de jade e garante a vitória de Beatriz, estabelecendo uma nova dinâmica de poder e ameaça direta contra o antagonista.

Release unitFull access availablePortuguese / Português
Full chapter open Full chapter access is active.

Lances de Sangue e Papel

O corredor lateral da Casa de Leilões Alencar cheirava a verniz caro e desespero contido. Arthur Valente caminhava com a precisão de um predador que não precisa apressar o passo, embora cada segundo ali fosse um custo que Beatriz Alencar não podia mais pagar. Antes que ele pudesse alcançar a entrada do salão principal, um segurança de ombros largos bloqueou o caminho, a mão repousando ostensivamente sobre o rádio no cinto.

— Sem convite, sem acesso, amigo — rosnou o homem, a voz carregada pela arrogância de quem serve a um patrão intocável. — O Sr. Sampaio deu ordens expressas. Pessoas como você não entram aqui.

Arthur parou, a postura perfeitamente relaxada em contraste com a tensão do segurança. Ele não piscou. Seus olhos, frios como o jade que buscavam proteger, varreram o crachá do homem e a marca de queimadura antiga no pulso direito dele. Não era uma cicatriz comum; era a marca de um erro operacional na refinaria de Sampaio, uma falha que custara a vida de dois operários e fora apagada dos registros públicos com suborno e silêncio.

— O Sr. Sampaio é um homem de muitas ordens, não é? — Arthur falou baixo, a voz cortante como uma lâmina cirúrgica. — Ele também ordenou que você esquecesse o que aconteceu na refinaria em 2018? Aquele relatório da perícia que nunca chegou ao Ministério Público... eu tenho uma cópia digitalizada aqui no meu bolso.

O segurança empalideceu, o sangue drenando de seu rosto enquanto a mão que segurava o cinto tremia imperceptivelmente. Arthur não esperou pela resposta; ele contornou o homem, que recuou como se tivesse sido atingido por um choque elétrico, e entrou no coração da tempestade.

Dentro da sala de controle, o ar estava saturado com o cheiro de ozônio e pânico. Beatriz Alencar, com os nós dos dedos brancos de tanto apertar a borda da mesa, encarava o painel digital que exibia o colapso de sua fortuna. O lance do lote de jade imperial, a peça central de seu leilão, não subia por mérito; ele era drenado por um algoritmo fantasma que redirecionava as ofertas para o cartel de Ricardo Sampaio.

— O sistema não está travando, Beatriz. Ele está sendo drenado — a voz de Arthur cortou o silêncio tenso. Ele não parecia um pária. Seus olhos, frios e analíticos, liam o código de fluxo de dados na tela com a facilidade de quem lê um jornal matutino.

Beatriz virou-se, os olhos marejados de uma fúria impotente. — Quem é você para me dizer isso? O sistema da Casa Alencar é inviolável. Sampaio apenas tem mais capital.

— O mercado é a desculpa dos fracos — respondeu Arthur, aproximando-se. — Sampaio não tem mais capital. Ele tem um backdoor no servidor de lances. Observe o padrão: a cada trinta segundos, o sistema ignora qualquer lance que não venha do ID criptografado dele. É uma matemática de roubo.

No salão principal, o leiloeiro anunciava os valores sob o olhar predatório de Sampaio. — Cento e cinquenta mil. Alguém oferece mais?

— Agora — sussurrou Arthur, sua voz um comando seco atrás de Beatriz. — Digite o valor exato no painel manual: duzentos e doze mil e quinhentos. Não use a rede sem fio. Conecte o cabo de serviço direto no terminal da mesa.

Beatriz hesitou apenas um segundo, a confiança em Arthur sobrepondo-se ao pânico. Ela agiu. Enquanto seus dedos moviam-se, o sistema de Sampaio tentou processar a entrada, mas encontrou o código de segurança que Arthur havia plantado. O painel piscou em vermelho, emitindo um zumbido agudo que silenciou o salão. A fraude estava exposta em tempo real na tela gigante para todos os convidados verem.

O martelo de mogno atingiu a base de veludo com um estalo seco, finalizando o leilão. Beatriz venceu. Sampaio não aplaudiu; ele se levantou, a máscara de benevolência substituída por um ódio contido. Ele caminhou até Arthur, parando a centímetros de distância.

— Você acha que venceu algo hoje, Valente? — Sampaio rosnou, a voz baixa. — Você não é nada. Amanhã, a Alencar será minha, e você será apenas uma nota de rodapé esquecida na sarjeta desta cidade.

Arthur ajustou as abotoaduras, mantendo o olhar gélido. — A arrogância é um custo alto, Ricardo. O leilão foi apenas o começo. Eu tenho documentos que tornariam sua permanência nesta cidade impossível antes do amanhecer.

Sampaio empalideceu, o choque estampando seu rosto enquanto percebia que não enfrentava um pária, mas um estrategista que possuía as chaves de sua ruína. O martelo havia caído, mas a guerra estava apenas começando.

Member Access

Unlock the full catalog

Free preview gets people in. Membership keeps the story moving.

  • Monthly and yearly membership
  • Comic pages, novels, and screen catalog
  • Resume progress and keep favorites synced