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Chapter 10: A Nova Elite

Caio e Lívia enfrentam a retaliação direta da hierarquia estadual após o vazamento das provas. Um atentado orquestrado pelo 'Corvo' é frustrado por Caio, que agora possui a prova definitiva para derrubar o Secretário Estadual. O capítulo termina com a confirmação de que a elite local está acuada, mas a guerra de poder apenas escalou para um confronto aberto.

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A Nova Elite

O escritório de Lívia Saldanha, no trigésimo andar, parecia uma redoma de vidro suspensa sobre o caos da cidade. Lá embaixo, as luzes da reurbanização costeira piscavam como brasas moribundas. Caio Valença observava o horizonte, as mãos nos bolsos, a postura de quem não precisava de autorização para estar ali.

Lívia, por outro lado, mantinha a coluna rígida. O celular sobre a mesa de mogno vibrou pela terceira vez em cinco minutos. Ela não atendeu.

— O Secretário Estadual não costuma repetir chamadas — disse ela, a voz contida. — Ele quer um acordo. Consultoria sênior, imunidade funcional e o seu desaparecimento definitivo da pauta de obras. Em troca, o termo de confidencialidade que sela o destino de todos os envolvidos no esquema do hospital.

Rafael Duarte, encostado na porta, soltou uma risada nervosa. — Ele está com medo, Caio. O vazamento da auditoria para o servidor externo deixou o gabinete dele em pânico. Se você aceitar, ele ganha tempo para destruir o que resta das provas.

Caio virou-se. O movimento foi lento, quase predatório. — Ele não está negociando, Lívia. Ele está tentando comprar o silêncio de um fantasma que ele mesmo criou. Onde está o executor?

Lívia hesitou, mas a determinação de Caio era um peso que ela não conseguia ignorar. Ela abriu uma gaveta secreta e retirou um dossiê. — O homem que chamam de 'Corvo'. Ele chegou hoje à tarde. A hierarquia estadual não confia mais na polícia local para resolver o problema. Eles enviaram um profissional.

— Então o jogo subiu de nível — Caio pegou o dossiê. — Rafael, você monitorou as movimentações das empreiteiras?

— Estão paralisadas. Ninguém quer assinar nada enquanto o seu nome estiver circulando como o novo polo de poder. Mas eles estão cercando a sua casa, Caio. A Sônia está sendo pressionada.

Caio sentiu o sangue gelar, mas sua expressão permaneceu uma máscara de gelo. A humilhação que ele sofreu anos atrás, quando foi expulso desta mesma cidade, agora servia como combustível. Ele não era mais o alvo; ele era o arquiteto da queda deles.

— Lívia, prepare a transferência final dos dados para a imprensa nacional. Se o Corvo quer me encontrar, ele terá o palco que merece. Mas antes, vamos garantir que a escritura das terras da família Valença seja validada. Sem isso, a cidade continuará sendo um leilão de favores.

*

O café portuário era o oposto do escritório de Lívia: úmido, barulhento e impregnado de sal. Caio encontrou Osmar nos fundos, entre caixas de carga. O velho tremia, mas a prova que ele entregou — um registro de pagamentos que ligava o Secretário Estadual ao desvio do hospital — era o prego final no caixão da elite.

— Eles vão te matar, Caio — sussurrou Osmar.

— Eles já tentaram — Caio respondeu, guardando o envelope. — Agora é a minha vez.

*

A chuva transformava a avenida costeira em um espelho negro. Lívia dirigia com as mãos trêmulas, os olhos fixos no retrovisor. Um SUV preto os seguia, mantendo uma distância calculada.

— Eles estão aqui — ela disse, a voz falhando.

Caio não respondeu. Ele apenas verificou o dispositivo no bolso interno. O impacto veio segundos depois, uma pancada seca que fez o sedã girar sobre o asfalto molhado. O SUV tentou empurrá-los contra a mureta de proteção das obras.

Caio abriu a porta antes mesmo do carro parar completamente. Ele não correu; ele avançou. O Corvo saiu do SUV, uma silhueta armada sob a luz dos postes. Caio não precisou de palavras. Ele desarmou o agressor com uma precisão cirúrgica, um movimento que não era apenas força, mas o resultado de anos de disciplina e ódio contido.

O atentado falhou. O Corvo estava no chão, desorientado. Caio pegou o celular do agressor e viu a última mensagem: "Elimine o Valença. O Secretário não aceita erros."

Lívia saiu do carro, pálida, observando a cena. — Caio, o que faremos?

— O que deveria ter sido feito há anos — ele disse, olhando para o horizonte, onde as luzes da prefeitura brilhavam. — Vamos levar a prova até eles. A guerra de classes não termina aqui. Ela só começou.

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