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Chapter 5: Sombras no Litoral

Caio descobre que o corte de energia em sua casa é uma retaliação orquestrada pelo Hospital Municipal, confirmando que o hospital é o centro de lavagem de dinheiro da elite local. Enquanto Lívia inicia uma transferência de arquivos para se proteger da vigilância superior, Caio obtém provas documentais cruciais com a ajuda de Rafael Duarte, preparando o terreno para expor os nomes por trás da hierarquia da cidade.

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Sombras no Litoral

O silêncio na casa dos Valença não era de paz, era de cerco. Quando Caio estacionou, encontrou Sônia na varanda, os braços cruzados sobre o peito, observando dois homens em coletes cinza lacrarem o medidor de energia. Não havia logotipos, apenas a arrogância de quem executa uma ordem de "limpeza" urbana sob o manto de uma pendência administrativa.

Caio não correu. Ele caminhou com a cadência de quem conhece o terreno, parando a um palmo do técnico mais velho. O homem, com um sorriso de quem se sentia protegido pela impunidade, estendeu a prancheta.

— Ordem de serviço. Bloqueio preventivo por irregularidade — o técnico disparou, sem desviar o olhar.

Caio não discutiu. Ele estendeu a mão, a palma aberta, exigindo o documento. O técnico hesitou, mas a pressão que emanava de Caio — um peso que não era barulho, mas presença — forçou sua mão a ceder. O carimbo no rodapé era claro: Setor de Apoio Operacional – Hospital Municipal. A conexão não era apenas burocrática; era uma retaliação direta pela exposição do leilão. O hospital não era apenas um prédio; era o cofre onde a elite da cidade escondia o rastro do dinheiro desviado.

— Pode ir — Caio disse, a voz baixa, desprovida de qualquer ameaça vazia. O técnico, sentindo o ar rarefeito ao redor, recuou apressado.

Enquanto Caio confortava Sônia com um aceno firme, a quilômetros dali, a Dra. Lívia Saldanha vivia sua própria asfixia. Em seu escritório, a tela do computador exibia uma sala escura. A voz, distorcida, não pedia; ordenava.

— Encerre a auditoria hoje, Lívia. O custo da sua curiosidade está ficando alto demais.

Lívia olhou para o sensor de fumaça. Ela sabia que a câmera estava lá. Sem tremer, iniciou a transferência dos arquivos para um servidor externo. Se a hierarquia superior queria silêncio, ela lhes daria o caos. Ela era a peça que eles tentavam descartar, mas, ao contrário de Heitor, ela conhecia os protocolos de destruição.

Às 17h20, o hospital municipal cheirava a cloro e desespero. Caio movia-se pelos corredores como um predador que conhece a falha na cerca. Seguindo a coordenada de Rafael Duarte, ele encontrou o enfermeiro no setor de apoio. O homem, trêmulo, empurrou uma pasta pesada contra o peito de Caio.

— Eles não deveriam existir — o enfermeiro sussurrou. — São nomes de laranjas. O hospital é a central de lavagem de toda a cidade.

No estacionamento subterrâneo, sob a luz mortiça, Rafael Duarte esperava, o rosto suado denunciando o medo de ter sido visto. Caio abriu a pasta sobre o capô de um carro. As planilhas não mentiam: o leilão de reurbanização fora apenas a fachada. O verdadeiro fluxo de caixa, o sangue que mantinha a elite da cidade viva, passava por ali.

— Isso é só o começo, Rafael — Caio disse, a voz cortante como lâmina.

Rafael engoliu seco. Ele tinha um nome — um alto funcionário da prefeitura que coordenava a operação — e o entregaria, sabendo que a lealdade agora era sua única moeda de troca contra a sentença de morte que a hierarquia superior já havia assinado para ele. Caio percebeu que o jogo de xadrez não era mais contra Heitor; ele estava enfrentando a própria estrutura da cidade. E, desta vez, ele não pretendia apenas vencer; ele pretendia desmontar o tabuleiro.

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