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Chapter 1: O Acessório de Luxo

Arthur é humilhado por Dr. Valente em um hospital, mas descobre uma fraude na licitação da família. Ele usa esse conhecimento para forçar uma dependência imediata de seu sogro, culminando na entrega de uma pasta que contém a prova do crime, preparando o terreno para o colapso do sistema de licitações.

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O Acessório de Luxo

O ar no corredor do Hospital Albert Einstein não era apenas estéril; era denso, carregado com o cheiro de antisséptico e o pânico silencioso de quem tem muito a perder. Arthur caminhava dois passos atrás de Dr. Valente, o magnata que sustentava o título de genro de Arthur como quem carrega um fardo descartável. À frente, Beatriz, sua esposa, movia-se com a precisão fria de uma herdeira, ignorando-o completamente. Para ela, Arthur não era um marido; era um acessório que, no momento, estava empoeirado.

— Arthur, a pasta. Agora — a voz de Valente foi um chicote seco, sem que ele sequer se virasse.

Arthur apressou o passo, sentindo o peso da maleta de couro legítimo. Dentro dela, a licitação do lote imobiliário que definiria o próximo trimestre da construtora Valente. O sogro parou bruscamente diante de um grupo de investidores, ignorando o genro que quase tropeçou para manter o ritmo.

— Valente! Soube que o leilão amanhã é seu, mas que a concorrência está pesada — comentou um dos homens, rindo enquanto olhava de soslaio para Arthur, que permanecia imóvel, com a cabeça levemente baixa, o retrato perfeito do subordinado invisível.

— A concorrência é um detalhe — Valente sorriu, uma expressão gélida que não alcançava os olhos. — O que importa é quem domina a avaliação do terreno. Arthur, entregue a pasta ao Sr. Mendes. Ele precisa ver a nossa 'superioridade técnica'.

Beatriz lançou-lhe um olhar de tédio. Arthur entregou a pasta, mantendo o rosto neutro, embora seus dedos tivessem memorizado cada falha na encadernação. Ele sabia que o documento ali dentro era uma bomba-relógio jurídica.

Eles entraram na sala de espera VIP, um ambiente onde o ar-condicionado parecia gelar a arrogância. Valente atirou sua própria maleta sobre a mesa de centro de vidro.

— Arthur, verifique o acesso ao portal da licitação municipal — Valente ordenou, a voz carregada de um desdém habitual. — O sistema está travando e o leilão começa em menos de uma hora. Se perdermos essa concessão por um erro técnico, você pode considerar seu lugar nesta família como oficialmente vago.

Beatriz, ocupada com o smartphone, nem levantou os olhos. Arthur abriu a pasta com movimentos calculados. Enquanto o sogro se servia de um uísque, Arthur acessou o terminal. Seus dedos deslizaram pelo teclado com uma precisão que contrastava com sua imagem de submisso. O que ele encontrou não foi um erro de sistema, mas uma fraude grosseira: Valente havia adulterado os dados de avaliação para manipular o lance inicial. Era uma falha técnica que, se descoberta, levaria a família à prisão, não apenas à derrota.

Arthur fechou o terminal e encarou o sogro.

— O sistema não está travando, Dr. Valente. O senhor inseriu um valor de referência que não existe no edital. Se eu corrigir agora, o sistema aceita. Se eu não fizer nada, o leilão será anulado antes mesmo de começar.

Valente empalideceu, o copo de uísque tremendo levemente na mão. A arrogância deu lugar ao pânico puro. Ele precisava daquela licitação para manter o status da empresa. Ele precisava de Arthur.

Horas depois, na sala de leilões da Faria Lima, o ambiente exalava o perfume caro de café gourmet e desespero contido. Valente conferia o relógio com impaciência. Beatriz mantinha a postura rígida, os olhos fixos no painel eletrônico.

— Onde está o arquivo de validação final? — Valente sibilou, sem se virar para Arthur. — O leiloeiro vai abrir o lote em cinco minutos. Se você não trouxer a documentação, eu juro que sua estadia nesta família termina hoje.

Arthur, parado um passo atrás, sentiu o peso da pasta contra o peito. Ele não era mais apenas o genro invisível; ele era o único homem na sala que detinha a chave daquele império. Ele caminhou até o sogro, estendendo a pasta com um sorriso controlado. Dentro, não estavam apenas os documentos de conformidade, mas a prova da adulteração que Valente havia ordenado. O sogro agarrou a pasta com um puxão brusco, sem notar o brilho perigoso nos olhos de Arthur. O sistema de licitações estava prestes a travar, e apenas o administrador — Arthur — possuía a senha para restaurá-lo.

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