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Chapter 2: A Dívida do Leilão

Dante escapa da segurança do hospital com a prova da fraude de Valente e impede que sua irmã assine a renúncia do patrimônio familiar. Ele invade o leilão de elite no momento crucial, interrompendo a venda com um lance que expõe a subavaliação criminosa e força o confronto direto com Valente.

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A Dívida do Leilão

O ar no Hospital Santa Helena tinha o cheiro estéril de dinheiro e pânico, mas para Dante, era apenas o perfume da corrupção sendo desmantelada. Ele atravessou o saguão com a precisão de um predador. No bolso interno de sua jaqueta, o pen drive pesava como uma sentença de morte. Nele, a avaliação original do terreno da família — o documento que provava que Arthur Valente havia subavaliado o patrimônio em 80% — era a chave para a ruína do executor.

Um bipe estridente cortou o silêncio. O sistema de segurança, alertado pela falha de rede que ele causara, isolara a ala administrativa. Dois seguranças, vestindo ternos que custavam mais do que Dante ganhara em um ano de trabalho braçal, bloquearam a saída. Seus rostos exibiam o desprezo de quem é pago para manter a ordem da elite longe de homens como ele.

— Parado. Mãos onde possamos ver — ordenou o mais alto, a mão pairando sobre o coldre oculto.

Dante não sentiu medo, apenas uma clareza gelada. Ele não era mais o pária que entrara ali; era um homem armado com a verdade. Sem hesitar, ele forçou um curto-circuito no painel de elevadores ao seu lado. Faíscas dançaram no ar enquanto as portas de metal se abriam violentamente, criando uma barreira entre ele e os seguranças. Aproveitando a confusão, ele mergulhou na multidão urbana, desaparecendo antes que as portas de vidro fossem travadas. O meio-dia se aproximava; o tempo era seu único inimigo real.

O apartamento da família, no bairro nobre, exalava o desespero de uma vida sendo desmontada. Dante entrou sem bater. Sua irmã, Helena, estava sentada à cabeceira, mãos trêmulas segurando uma caneta sobre um documento de renúncia. Diante dela, um advogado de terno impecável, ostentando o brasão da firma de Valente, observava o relógio com impaciência calculada.

— A assinatura é uma formalidade, senhorita Helena — disse o advogado, com um desdém polido. — O despejo foi autorizado para as treze horas. Se assinar agora, a empresa garante um prazo de cortesia. Caso contrário, a polícia será notificada antes do meio-dia.

Helena inclinou-se para assinar, o peso do sacrifício esmagando seus ombros. Ela acreditava que aquilo salvaria Dante de um escândalo ainda maior.

— Nem pense nisso — a voz de Dante ecoou, fria e cortante como aço temperado.

O advogado estremeceu. Dante caminhou até a mesa e, com um movimento calmo, depositou o arquivo de avaliação original sobre os papéis de renúncia. A cor fugiu do rosto do advogado ao ver a prova da fraude de 80%.

— Valente não quer apenas o terreno, ele quer a sua destruição — Dante disse, olhando para o homem com uma autoridade que o fez recuar dois passos. — Diga ao seu mestre que, se ele tocar em um único fio de cabelo da minha irmã, o que ele perderá não será apenas uma licitação, mas a liberdade.

O advogado saiu às pressas, mas o aviso ecoou no ar: Valente não permitiria que Dante chegasse ao leilão vivo. O tempo corria. Dante precisava de um plano para entrar no Salão de Leilões da Elite. Ele sabia que o local estaria cercado por seguranças particulares de Valente, mas a arrogância do executor era sua maior vulnerabilidade: Valente não esperava que um pária tivesse a audácia de aparecer publicamente.

Horas depois, o Salão de Leilões da Elite cheirava a café caro e à urgência parasitária de quem lucra com a ruína alheia. Dante infiltrou-se no fundo da sala, observando Arthur Valente reger o espetáculo. O executor ajustava as abotoaduras de ouro enquanto o leiloeiro, um homem de voz metálica, conduzia os lances finais. Valente trocou um olhar cúmplice com um sócio oculto, cuja presença emanava um poder que superava a do próprio Valente. Eles não competiam; encenavam um roubo.

O leiloeiro elevou o martelo. — Cento e vinte milhões. Dou-lhe uma... dou-lhe duas...

Valente sorriu, o sabor da vitória já na língua. Ele não viu Dante sair das sombras. O martelo começou a descida, o som do impacto prestes a selar a falência da linhagem dos Dante.

— Duzentos e quarenta milhões — a voz de Dante cortou o salão como um tiro. O martelo parou no ar, suspenso a centímetros da base, enquanto o silêncio absoluto engolia a sala. Valente girou na cadeira, o pânico finalmente nublando sua arrogância ao ver o homem que ele acreditava ter enterrado no corredor do hospital.

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