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Chapter 10: O Novo Tabuleiro

Arthur observa a prisão de Sampaio e revela a Beatriz que Montenegro foi o mandante da morte de seu pai. Com a queda do peão, Arthur se infiltra no Baile de Gala da Fundação Montenegro, confrontando o verdadeiro arquiteto de sua ruína.

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O Novo Tabuleiro

O corredor administrativo do Hospital Alencar não cheirava mais a desespero. O odor acre de antisséptico agora era mascarado pelo cheiro metálico de autoridade. Arthur Viana observava, através do vidro temperado, o pátio do hospital. Três viaturas da Polícia Federal bloqueavam a saída. Ricardo Sampaio, o homem que há quarenta e oito horas decidia quem vivia ou morria naquelas alas, era escoltado até o camburão. Suas mãos, antes acostumadas a assinar sentenças de falência, estavam agora algemadas.

Beatriz Alencar parou ao lado de Arthur. Ela não tremia mais. O tablet em suas mãos exibia o gráfico de estabilização das ações do hospital, uma curva ascendente que ignorava a tempestade lá fora.

— Ele foi descartado — disse Beatriz, a voz firme. — A Orion não enviou um único advogado. Sampaio está sozinho.

Arthur não desviou o olhar. Ele sentia o peso do envelope lacrado no bolso interno do paletó. Era a prova de que Sampaio não era o arquiteto, apenas o operário de uma demolição muito mais antiga.

— O jogo não terminou, Beatriz. Sampaio era o peão que bloqueava o tabuleiro. Agora que ele caiu, o verdadeiro rei está exposto.

Ele entregou o envelope a ela. Beatriz abriu o lacre, os olhos percorrendo o memorando interno de 2012. A caligrafia de Montenegro, o filantropo que a cidade idolatrava, era inconfundível. A ordem de "neutralização de ativos" para o pai de Arthur não era um erro administrativo; era um projeto de expansão.

— Ele não apenas roubou o hospital — sussurrou Beatriz, a pele pálida sob a luz fria do corredor. — Ele construiu o império dele sobre os corpos das nossas famílias.

— Exato. E hoje, ele vai descobrir que o passado tem um preço que ele não pode pagar com dinheiro.

Arthur caminhou até a mesa. O convite para o Baile de Gala da Fundação Montenegro estava ali, um cartão de papel grosso com letras douradas. Era o passaporte para o centro do poder, o lugar onde Montenegro se sentia intocável.

— Você vai entrar lá como minha sócia — disse Arthur, ajustando os punhos da camisa. — Vamos mostrar a eles que o tabuleiro mudou de dono.

Horas depois, o salão da Fundação Montenegro era um mar de luzes e champanhe. Arthur caminhava entre a elite da cidade, sua presença emanando uma calma predatória que fazia os convidados abrirem caminho instintivamente. Ele não era mais o pária; era o homem que havia desmantelado Sampaio em menos de uma semana.

Montenegro estava no centro do salão, rindo de uma piada de um senador. Ele parecia um deus, intocável e absoluto. Arthur aproximou-se, a taça de cristal na mão, o segredo que destruiria aquele império guardado no bolso. Quando o olhar de Montenegro finalmente encontrou o seu, o magnata sorriu, um gesto de condescendência que logo se transformou em confusão ao reconhecer o filho do homem que ele acreditava ter enterrado há doze anos.

Arthur parou a um passo de distância. O silêncio ao redor deles tornou-se denso, carregado de uma eletricidade que não vinha da rede elétrica, mas da colisão iminente entre o passado e a justiça. Ele inclinou a taça, um brinde silencioso à queda que estava prestes a começar.

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