Novel

Chapter 1: O Corredor do Desprezo

Arthur Viana, fingindo ser um zelador, sofre uma humilhação deliberada de Beatriz Alencar no Hospital Alencar. Durante o incidente, ele hackeia a rede interna e obtém provas de uma fraude financeira que levará o hospital à falência. Ele confronta o Dr. Silas, o diretor clínico, usando essa informação como alavanca para garantir sua cooperação no leilão iminente.

Release unitFull access availablePortuguese / Português
Full chapter open Full chapter access is active.

O Corredor do Desprezo

O ar no Hospital Alencar era filtrado, caro e carregado de uma esterilidade que não conseguia esconder o cheiro de medo dos pacientes da ala VIP. Arthur Viana, trajando o uniforme cinza-chumbo da equipe de manutenção, empurrava o carrinho de limpeza com a precisão de quem conhece cada centímetro daquele mármore. Para o mundo, ele era apenas um funcionário descartável, um fantasma que limpava as pegadas de quem realmente mandava na cidade.

O som de saltos agulha contra o piso de granito anunciou a chegada de Beatriz Alencar. Ela caminhava com a postura de quem possuía o terreno, ladeada por dois assistentes que pareciam carregar o peso de suas ambições. Ela não olhou para Arthur. Para ela, ele era parte da mobília, um objeto inanimado que deveria ser contornado.

Beatriz parou subitamente para conferir um documento no tablet. Arthur, mantendo a cabeça baixa, esperou o momento exato. Com um movimento calculado, Beatriz girou o corpo e, com a ponta do salto, atingiu a base do balde de água suja de Arthur. O líquido escuro se espalhou, encharcando as barras da calça de alfaiataria dela e manchando o uniforme de Arthur.

— Desculpe, zelador — disse ela, sem um pingo de remorso, a voz destilando um desprezo polido que ecoou pelo corredor vazio. — Você estava no caminho errado. Limpe isso. Agora.

Os assistentes riram, um som seco e cruel. Arthur sentiu o peso do olhar deles, a diversão contida de quem se sente superior. Ele não respondeu. Ajoelhou-se, sentindo o frio do mármore contra os joelhos. Enquanto passava o pano, seus dedos, calejados por anos de uma vida que ela jamais imaginaria, tocaram a lateral da bota de Beatriz. O sensor de proximidade em seu relógio modificado capturou a frequência da rede interna do hospital. Ele não precisava de autorização; ele precisava de uma porta de entrada.

Beatriz se afastou, o clique de seus saltos diminuindo enquanto ela discutia números de uma licitação que, para o público, era transparente, mas que Arthur sabia ser um desvio de verbas monumental. O link de acesso aos servidores já estava em seu dispositivo, oculto sob a manga do uniforme.

Minutos depois, na sala de manutenção, Arthur fechou a porta e a trancou. A máscara de submissão caiu, revelando um olhar frio, analítico. Seus dedos dançaram pelo teclado com uma elegância militar. O sistema de segurança, projetado para proteger os esquemas de Beatriz, tentou bloquear sua conexão com alarmes silenciosos.

— Tão previsível — murmurou Arthur. Ele inseriu um código de override legado, uma chave mestra dos tempos em que a família Viana ainda detinha o controle daquela instituição. O sistema estremeceu, reconhecendo a autoridade de um fantasma. A tela brilhou em verde: "Licitação_Fase_Final_Alencar". A fraude era absoluta: Beatriz estava drenando o fundo de reserva para uma empresa fantasma, condenando o hospital à falência técnica em menos de um mês.

Arthur baixou o arquivo selado. Ele era a chave para destruir não apenas Beatriz, mas todo o conselho que a sustentava.

Ele caminhou até o escritório do Dr. Silas. O ambiente era denso, carregado com o cheiro de café expresso caro e a umidade de um pânico mal dissimulado. Silas, um homem cujo rosto parecia esculpido em tensão, não levantou os olhos dos prontuários.

— O que você quer, Viana? — a voz de Silas falhou ao tentar um tom autoritário. — Saia agora ou garanto que sua carteira de trabalho será o seu último documento nesta cidade.

Arthur caminhou até a mesa de mogno e, sem pedir licença, depositou o pen drive metálico sobre a superfície de vidro. O objeto brilhou sob a luz fria.

— O senhor tem dívidas, Silas. Não com o hospital, mas com o consórcio de apostas da Zona Sul — Arthur falou, sua voz era um murmúrio controlado, desprovido de qualquer traço de servidão. — Beatriz Alencar não é apenas sua parceira na licitação. Ela é quem segura a coleira que o mantém nesse cargo. Se esse arquivo chegar à mesa do conselho, o senhor perde a liberdade.

Silas empalideceu, o sangue drenando de seu rosto. Arthur olhou para o relógio. O leilão começaria em poucas horas. Ele segurava o arquivo que podia falir o hospital e destruir a reputação de Beatriz. O jogo de xadrez havia começado, e a primeira peça a cair seria o orgulho da mulher que pensou que poderia pisar nele impunemente.

Arthur saiu da sala, deixando Silas em um silêncio absoluto. O que ele faria com o segredo de Beatriz?

Member Access

Unlock the full catalog

Free preview gets people in. Membership keeps the story moving.

  • Monthly and yearly membership
  • Comic pages, novels, and screen catalog
  • Resume progress and keep favorites synced