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Chapter 8: A Queda da Herdeira

Arthur confronta Beatriz, revelando que já possui o controle de seus ativos, e utiliza provas de fraude documental para forçar o Consórcio Superior a abandonar a proteção à herdeira. Beatriz é destituída de sua diretoria e expulsa da empresa, enquanto Arthur se prepara para o confronto final com a liderança do Consórcio.

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A Queda da Herdeira

O café era um santuário de discrição no coração financeiro da cidade, mas para Beatriz, o ambiente parecia uma câmara de execução. Ela não esperou que Arthur se acomodasse. Suas mãos, antes firmes ao ditar o valor de mercado de empresas inteiras, tremiam ao deslizar um envelope pardo sobre o mármore frio.

— Arthur, por favor — a voz dela, despida da arrogância habitual, soava como vidro quebrado. — Tenho aqui as provas da conspiração de Viana e os registros de caixa dois que o conselho ocultou de mim. Se você interromper a liquidação da minha divisão de jade, essas informações são suas. Podemos recomeçar.

Arthur não tocou no envelope. Observou a mulher que, durante anos, o tratara como um acessório decorativo, agora reduzida a uma peça descartável no tabuleiro que ela mesma ajudara a corromper. Ele tomou um gole lento de seu café, sentindo o amargor que combinava com a queda dela.

— Você ainda não entendeu a natureza do jogo, Beatriz — respondeu Arthur, sua voz desprovida da submissão que ela tanto exigia. — Você acha que isso tem valor. Você acha que me oferece uma vantagem.

Ele desbloqueou um tablet sobre a mesa, exibindo um relatório minucioso. Eram os mesmos documentos, mas com um adendo: a prova de que a própria Nova Era Holding já havia drenado os fundos de Viana há quarenta e oito horas. Beatriz empalideceu, o pânico finalmente substituindo a negação. Ela não tinha mais nada a oferecer.

Sem esperar por uma resposta, Arthur levantou-se e dirigiu-se ao Edifício Horizonte. O escritório no quadragésimo andar era um aquário de vidro e poder, onde o Dr. Aris, emissário do Consórcio Superior, o aguardava.

— Você caminha como se fosse dono do prédio — disse Aris, sem desviar os olhos dos monitores que exibiam a derrocada das ações de Beatriz. — O Consórcio monitora sua trajetória desde o primeiro leilão. Você se tornou um problema de liquidez, Arthur.

Arthur caminhou até a mesa de mogno e depositou um arquivo selado com a insígnia da Câmara de Avaliação. O som do papel contra a madeira soou como um tiro.

— O Consórcio não monitora problemas, Aris. Ele gerencia ativos. Beatriz é um ativo tóxico que perdeu a utilidade. Esta prova de fraude no pingente de jade é a chave que encerra a proteção institucional dela. Se vocês tentarem mantê-la, o mercado saberá que a integridade do Consórcio é uma ficção.

Aris abriu o arquivo. A cor fugiu de seu rosto ao ver o selo oficial. Arthur não estava pedindo permissão; estava apresentando a fatura de uma dívida de honra que o Consórcio não podia ignorar. O emissário recuou, a autoridade institucional de Beatriz evaporando no ar condicionado gélido da sala.

Minutos depois, Arthur entrou na sala de reuniões da diretoria. O estrondo da porta de mogno silenciou os murmúrios dos acionistas. Beatriz levantou-se, mas Arthur não a olhou. Ele caminhou até a cabeceira da mesa, o trono dela, e depositou a pasta preta.

— A pauta de hoje não é sobre expansão, Beatriz. É sobre liquidação — declarou Arthur.

Beatriz tentou uma última faísca de arrogância: — Você não tem autoridade, Arthur. O conselho não aceitará que um homem que vivia de favores dite o destino desta empresa.

Arthur abriu a pasta. Não houve discursos. Apenas o laudo da Câmara de Avaliação, carimbado com o selo dourado que nenhum investidor ali presente ousaria contestar. O documento detalhava a fraude sistemática: a divisão de jade, o coração do império dela, era composta por polímeros de alta densidade. Falência técnica.

— O Consórcio já retirou o suporte — Arthur disse, olhando para os investidores, que evitavam o olhar de Beatriz como se ela fosse um cadáver. — A Nova Era Holding absorveu cada dívida. A era de Beatriz acabou.

No saguão, a queda foi completa. Beatriz estava diante das portas giratórias, seus pertences em uma caixa de papelão barata. Ela tentou ajustar o blazer, um gesto automático de quem busca um status que já não existia. Arthur desceu a escadaria principal, cada passo um decreto. Ele parou a centímetros dela, onde o perfume caro de Beatriz se misturava ao odor metálico de derrota.

— O erro não foi técnico, Beatriz. Foi de julgamento — Arthur sussurrou, a voz cortante. — Você apostou na minha fragilidade, mas esqueceu que o Rei Dragão não busca vingança. Ele restaura a ordem. E a ordem, hoje, exige a sua saída.

Enquanto ela era escoltada para a sarjeta social, Arthur virou-se para os elevadores privativos. O Consórcio o esperava. A verdadeira guerra, a de quem realmente dita o destino daquela metrópole, estava apenas começando.

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