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Chapter 8: A Contra-ofensiva de Beatriz

Beatriz tenta um último golpe cibernético desesperado para apagar provas de fraude, mas Arthur a atrai para um honeypot, transformando suas tentativas de invasão em confissões digitais. O capítulo termina com a chegada da polícia para prender Beatriz, consolidando o domínio de Arthur sobre o hospital e a holding.

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A Contra-ofensiva de Beatriz

O escritório de Beatriz Sampaio na Vance Capital não era mais um centro de comando; era um sarcófago de vidro. O zumbido dos servidores, antes uma sinfonia de eficiência, agora soava como o ruído branco de uma falência iminente. Na tela principal, o cursor piscava sobre a mensagem "Acesso Negado" com uma cadência cruel. Beatriz, com as mãos trêmulas, tentava forçar a entrada via backdoors de nível administrativo, mas a infraestrutura da holding — as contas off-shore, os registros do leilão, os contratos de aquisição — havia sido drenada para uma rede fantasma que ela não conseguia rastrear.

— Onde você está, Arthur? — sussurrou, a voz falhando sob o peso da humilhação. A ideia de ser trancada fora do próprio império era um veneno. Sem hesitar, ela acionou seu plano de desespero: um terminal criptografado conectado a um hacker do submundo. Ela autorizou a transferência de metade do seu capital pessoal, um preço obsceno por um ataque de força bruta. Se pudesse apagar os registros da auditoria interna que Arthur usava como arma, ainda teria uma chance de convencer os acionistas de que o colapso era um erro técnico, não uma ruína planejada.

No saguão do Hospital Vance, a atmosfera era o oposto: gelada, esterilizada e perfeitamente controlada. Arthur Vance observava os acionistas através da vidraça, seu reflexo sobreposto à movimentação nervosa da elite paulistana. Eles ainda não sabiam que a base de suas fortunas havia sido removida. Dr. Elias Thorne aproximou-se, as mãos segurando um tablet com rigidez.

— Arthur, há uma intrusão massiva na ala administrativa — Elias sussurrou, o pavor evidente. — É a Beatriz. Ela está tentando forçar uma entrada via servidor externo. Se ela corromper a base de dados, o escândalo será incontrolável.

Arthur não se virou. Seus olhos, precisos e frios, acompanhavam o movimento dos seguranças no térreo.

— Ela não está apenas tentando, Elias. Ela está se entregando — Arthur respondeu, sua voz calma cortando a tensão. — Eu permiti que ela visse a ilusão de um acesso. O servidor que ela ataca é um honeypot. Cada comando dela é uma confissão assinada.

De volta ao seu escritório, Beatriz sentiu uma pontada de euforia quando o sistema piscou. A tela, antes tomada por linhas de código, escureceu. Ela prendeu a respiração, esperando o colapso da rede do hospital, o caos necessário para encobrir suas fraudes. Mas o sistema emitiu um bipe seco. Uma janela de terminal abriu-se, exibindo um log de movimentação em tempo real. O ataque de Beatriz não derrubara o hospital; por uma engenharia reversa que ela não compreendia, todo o fluxo de dados fora redirecionado para os dispositivos de Arthur Vance. Suas tentativas de invasão estavam sendo gravadas como provas de crime cibernético, selando seu destino com seu próprio carimbo pessoal.

Arthur entrou no escritório sem bater. A porta abriu-se com um estalo seco. Ele caminhou até a mesa de mogno, parando diante dela com a calma de um proprietário inspecionando uma casa confiscada. Beatriz tentou esconder o teclado, mas suas mãos paralisaram diante do olhar dele.

— Você não pode fazer isso — ela sibilou, a voz trêmula. — Eu tenho contatos no Conselho. Eu tenho provas de que você manipulou as auditorias.

Arthur sorriu, um gesto frio que não alcançou seus olhos. Ele retirou do bolso a chave de latão, o metal fosco brilhando sob a luz do escritório. Ele a depositou sobre o documento de venda que Beatriz tentara validar horas antes.

— Você não tem mais nada, Beatriz. Nem contatos, nem influência, nem o comando desta sala. O servidor que você tentou hackear estava isolado há horas. Cada clique seu foi um prego no seu próprio caixão.

O som das sirenes começou a ecoar no saguão, subindo pelas paredes como um lamento. Beatriz olhou para o monitor, vendo as notificações de prisão sendo enviadas automaticamente para as autoridades. O xeque-mate era absoluto. Arthur se virou e caminhou até a porta, deixando-a estática, enquanto as luzes giratórias da polícia pintavam o escritório de azul e vermelho, anunciando o fim da era Sampaio.

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