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Chapter 4: O Cerco Digital

Elena escapa do museu após extrair o microcircuito, mas descobre que o objeto ativou um rastreador. Ela se refugia com Bia e confirma que seu pai, Roberto Viana, é peça central no esquema de chantagem de Tiago. O capítulo termina com o início do lockdown digital da cidade e uma ameaça direta de Tiago, indicando que o sacrifício de Elena será transmitido ao vivo.

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O Cerco Digital

O zumbido metálico no interior da relíquia não era um defeito de fabricação; era um gatilho. No instante em que Elena extraiu o microcircuito, o ar na câmara climatizada do museu tornou-se rarefeito. O visor do seu dispositivo portátil mudou de um verde estável para um vermelho pulsante. O contador, projetado na retina de sua mente, marcava 143:58:00 para a consagração permanente. O circuito não era apenas o repositório da lista de nomes — era um farol digital que acabara de transmitir sua localização exata para o mainframe de Tiago.

Elena enfiou o chip na fenda interna da jaqueta, sentindo o relevo plástico contra a pele como uma marca de gado. O silêncio do museu, antes um aliado, tornou-se uma armadilha. As luzes de segurança, que varriam o recinto em um ritmo preguiçoso, pararam subitamente. Elas convergiram para o centro, onde ela estava. O sistema não buscava apenas um intruso; ele iniciava um lockdown. Pelo visor do tablet, ela viu o mapa da cidade se fechar como uma mandíbula de metal. As saídas principais exibiam ícones de bloqueio. Ela disparou para a tubulação de ventilação, o metal arranhando seus ombros enquanto o som de botas pesadas ressoava no granito abaixo. Ela precisava chegar a Bia. O hotel era o único lugar onde a tecnologia de rastreamento poderia ser contornada.

O quarto 302 do Hotel Santa Fé tinha gosto de mofo e desinfetante barato. Quando Elena arrombou a porta, Bia estava sentada na ponta da cama, os dedos trêmulos digitando em um smartphone que piscava em tons de âmbar. O contador no canto do Feed, projetado no espelho do banheiro, marcava 143:10:00.

— O Tiago sabe — sussurrou Bia, sem desviar os olhos da tela. — Ele enviou um alerta de 'pessoa de interesse' para o banco de dados de reconhecimento facial. Se você sair desse quarto, os sensores da rua vão te identificar antes da esquina.

Elena ignorou o pânico de Bia e conectou o microcircuito a um leitor adaptado. A tela do laptop brilhou, revelando uma planilha crua: nomes, datas, valores e números de contas em paraísos fiscais. Lá, na linha 42, o nome de seu pai: Roberto Viana. O erro que a marcou a vida toda não fora uma falha de julgamento; era uma engrenagem de extorsão industrial.

— Ele não está apenas protegendo o santuário, Bia. Ele está limpando a lista de quem pagou pelo milagre — disse Elena, a voz dura. — Meu pai está aqui. O esquema de chantagem é o que sustenta tudo isso.

Bia levantou o olhar, o rosto iluminado pelo brilho azulado e doentio do celular.

— O sistema de segurança é fechado, Elena — Bia murmurou. — Você está tentando forçar uma porta que não tem fechadura, apenas uma senha de administrador. E adivinha? Só o seu pai tem a chave mestra desse servidor.

Elena tentou uma última injeção de código, mas o cursor travou. Uma notificação vermelha saltou na tela: ACESSO NEGADO. IDENTIDADE DO USUÁRIO: FILHA DO PROTOCOLO 01. VIGILÂNCIA ATIVADA. O som de sirenes distantes começou a ecoar pelas ruas estreitas. As câmeras do hotel, antes estáticas, giraram em uníssono, focando na fachada do edifício. O lockdown digital havia começado. Bia recebeu uma mensagem codificada e seus olhos se arregalaram. Ela virou o celular para Elena, a tela exibindo uma sentença de morte digital: 'Ele sabe que você tem a lista. O sacrifício será ao vivo'.

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