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Chapter 2: The Public Misread

Elena e Ricardo formalizam o noivado sob tensão extrema após a intromissão de Leo. A notícia vaza, forçando uma intervenção pública de Ricardo que sela o destino de Elena. O capítulo termina com Ricardo assumindo o controle da vida escolar de Leo, deixando claro que a proteção oferecida é, na verdade, uma forma absoluta de domínio.

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The Public Misread

O escritório de Ricardo Valente, no trigésimo andar da cobertura, não possuía o calor de um lar; era uma caixa de vidro temperado suspensa sobre São Paulo, onde cada sombra parecia desenhada para intimidar. Elena mantinha a coluna reta, sentada diante da mesa de ébano, observando o homem que, minutos antes, era apenas uma lembrança amarga e agora se tornava o guardião forçado de sua vida.

Ricardo não lia o contrato com pressa. Ele o examinava como se buscasse uma falha estrutural, algo que pudesse usar para desmantelar a fachada que acabavam de construir. A ponta de sua caneta tinteiro batia ritmicamente contra o mármore, um som metálico que perfurava o silêncio da sala.

— Você pede proteção contra o escândalo da escola como se fosse uma caridade, Elena — Ricardo disse, sem desviar o olhar do papel. — Mas o custo de ter o sobrenome Valente associado ao seu filho não é apenas a assinatura neste documento. É a perda da sua privacidade. Eu não serei um noivo ausente. Onde eu estiver, você estará. E, inevitavelmente, o garoto estará no centro dessa órbita.

Elena sentiu o estômago revirar. A dignidade era tudo o que lhe restava, e cada palavra de Ricardo parecia uma tentativa de reduzir sua autonomia a uma cláusula de rescisão.

— Leo não é um peão no seu jogo de xadrez, Ricardo. Ele é uma criança que precisa de uma escola, não de um estudo de caso sobre a minha moralidade — ela respondeu, a voz firme apesar da trepidação interna.

Ricardo, finalmente, levantou o olhar. Seus olhos cinzentos eram impenetráveis.

— O que me garante que esse não é apenas o primeiro de uma série de 'imprevistos' que você trará para minha vida?

A resposta de Elena morreu quando a porta se abriu. Leo, com cinco anos e olhos curiosos demais para a sua idade, entrou segurando um pequeno boneco de ação. Ele parou no centro da sala, observando a tensão entre os adultos com uma seriedade que não lhe pertencia.

— O senhor também não tem ninguém para tomar café da manhã, moço? É por isso que precisa da mamãe? — a pergunta do menino ecoou como um tiro.

Ricardo congelou. O silêncio que se seguiu foi mais aterrorizante que um grito. Ele desviou o olhar de Elena para o menino, e por um milésimo de segundo, a frieza do bilionário vacilou. Ele assinou o contrato com um movimento seco e se afastou para a janela, deixando Elena sozinha com seu medo crescente.

Horas depois, a paz forçada da cobertura foi estilhaçada. O celular de Elena vibrou na mesa de mármore com uma notificação que parecia um veredito: “O bilionário Ricardo Valente oficializa noivado com a desconhecida Elena Rios”. Abaixo, uma foto granulada dela saindo da portaria na manhã anterior. A imprensa não esperou. O saguão do edifício foi invadido por flashes e perguntas invasivas antes que ela pudesse sequer pensar em uma estratégia.

Elena tentou sair pelos fundos, mas foi cercada. O assédio era sufocante. Antes que ela pudesse ser esmagada pela multidão de microfones, uma mão firme, adornada por um relógio de luxo, envolveu seu cotovelo. Ricardo surgiu como uma muralha, sua presença física silenciando os jornalistas instantaneamente. Ele não a soltou; ele a puxou para perto, selando a imagem de casal perfeito para as câmeras.

— Minha noiva não dará declarações hoje — Ricardo disse, sua voz desprovida de qualquer emoção, mas carregada de uma autoridade que ninguém ousou desafiar.

Dentro do carro blindado, o silêncio era tão pesado quanto a armadilha em que ela havia se metido. Elena sentiu o peso do custo de sua proteção. O telefone de Elena começou a tocar, uma insistência que ela reconheceu imediatamente: a diretora da escola de Leo.

— Sra. Rios, o comportamento de Leo atingiu um limite inaceitável. Ou ele sai da instituição hoje, ou a bolsa de estudos será revogada — a voz da diretora cortava o ar com desdém.

Elena abriu a boca para implorar, mas Ricardo tomou o aparelho de sua mão. Ele encostou-se no banco de couro, o olhar fixo no vazio, e assumiu a chamada com uma autoridade que fez o sangue de Elena gelar.

— Aqui é Ricardo Valente — ele disse, sua voz um veludo gélido. — O custo da matrícula? Não se preocupe com valores. A escola será inteiramente patrocinada pela minha fundação até o fim do ciclo do menino. E quanto às faltas... ele terá um tutor particular e segurança privada a partir de amanhã.

Ricardo desligou o telefone, virando-se para Elena com um sorriso que não atingia os olhos.

— O jogo começou, Elena. E agora, você é minha.

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