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Chapter 10: A Escolha que Divide Famílias

Capítulo 10 (POV Rafael): Isabela força reunião familiar por vídeo para expor o dossiê contra Sofia. Rafael interrompe, assume publicamente o noivado e a paternidade, e escolhe contra a irmã. Mateus entra pedindo história, criando momento de intimidade custosa. Sofia ouve da porta, confronta Isabela com dignidade e oferece terminar o acordo. Rafael devolve a escolha a ela, mencionando que Lucas Almeida aguarda resposta definitiva. O olhar entre eles sela compromisso silencioso além do contrato.

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A Escolha que Divide Famílias

O relógio marcava 16h37 quando a porta do escritório privado se abriu com força. Isabela Vargas entrou, dossiê nas mãos, salto ecoando no piso de madeira escura do penthouse no Itaim Bibi. Rafael ainda carregava no corpo o calor da palma de Sofia na sua — o toque que ela mesma iniciara, horas antes, depois da live. Um gesto que não tinha sido parte do contrato.

— Não dá mais para fingir, Rafael. — A voz da irmã cortou o ar como lâmina. — Essa história explode amanhã no jantar da Fundação Vargas e arrasta o nome da família junto.

Ela jogou o dossiê aberto sobre a mesa. Fotos de Sofia grávida. Capturas da mensagem antiga de Lucas Almeida rejeitando o filho antes mesmo de nascer. Na tela da videochamada, tios e primos assistiam em silêncio pesado.

Rafael se levantou devagar. O cansaço pesava nos ombros, mas a voz saiu baixa e precisa.

— Eu já vi tudo isso, Isabela. E já escolhi.

— Escolheu? — Ela riu seco. — Arriscar o império por uma mulher que usou seu nome para esconder filho de outro? Uma...

— Chega. — A palavra bateu como porta fechada. Rafael encarou a irmã, depois a tela. — O noivado é real. A paternidade também. Eu assumo as duas coisas. Quem não aceitar pode deixar a Fundação. Ou a família. A escolha é de vocês.

O murmúrio percorreu os rostos nos quadrados da chamada. Isabela empalideceu, dedos cravados na borda da mesa.

Antes que alguém respondesse, a porta lateral rangeu. Mateus entrou descalço, livro de dragões e cavaleiros nas mãos pequenas. Ignorou a tensão como só uma criança de cinco anos consegue e parou diante de Rafael, estendendo o volume.

— Rafael que não grita... você lê pra mim? A gente parou onde o cavaleiro tem que escolher entre o reino e a princesa.

O menino sorriu, confiante. Rafael sentiu o peito apertar. Pegou o livro, sentou na poltrona de couro e puxou Mateus para o colo sem hesitar. A voz saiu mais baixa do que pretendia:

— “O cavaleiro olhou para o castelo uma última vez...”

Isabela cruzou os braços, voz baixa e venenosa:

— Vai ser pai de mentira para sempre? Até quando vai sustentar esse teatro só para não admitir que errou?

Rafael não parou de ler. Mas a mão tremeu ao virar a página. Mateus se aconchegou mais, cabelinho roçando seu queixo. Do corredor, encostada na porta entreaberta, Sofia ouvia cada palavra. Cada acusação de Isabela doía como facada. Cada resposta contida de Rafael erguia um escudo por ela e pelo filho.

Quando a história terminou, Mateus ergueu o rosto e abraçou Rafael com força.

— Você fica, né? Não vai embora como o outro.

A frase simples caiu no silêncio como pedra na água. Isabela virou o rosto. Rafael apertou o menino contra o peito um segundo além do necessário.

— Eu fico, Mateus.

O menino saiu saltitando, satisfeito. Isabela bateu a porta ao sair. Rafael desligou a chamada sem esperar votação. O silêncio que restou era mais pesado que qualquer grito.

Sofia empurrou a porta devagar e entrou. Postura reta, queixo erguido, olhos brilhando com dignidade dura, conquistada a custo.

— Você não precisava fazer isso contra sua própria irmã.

Rafael se levantou. O espaço entre eles parecia menor que nunca.

Isabela, que não tinha ido longe, reapareceu na porta do corredor.

— Se continuar com essa farsa, eu mesma conto tudo no jantar da Fundação amanhã. A verdade sobre o pai do menino, a mentira do noivado, tudo.

Sofia deu um passo à frente, voz firme, sem tremor:

— Não é farsa proteger meu filho. Eu não peço sua aprovação, Isabela. Nunca pedi. Se o preço for alto demais para você, eu entendo. Mas não vou me esconder.

Rafael segurou o braço de Sofia — não com força, mas com firmeza que dizia mais que palavras. Seus olhos se encontraram. Ali não havia mais contrato, nem estratégia, nem público. Havia a escolha feita: ele havia escolhido o lado dela. Contra o sangue. Contra o nome. Contra tudo que sempre o definira.

Isabela observou os dois por um segundo eterno. Depois, sem mais uma palavra, virou as costas e saiu. O clique da porta foi definitivo.

Sofia baixou os olhos para a mão dele ainda em seu braço.

— Eu posso terminar o acordo agora. Antes que destrua mais coisas.

Rafael não soltou. Sua voz saiu rouca, carregada do que ele ainda não nomeava:

— A escolha agora não é mais minha, Sofia. É sua. E o pai biológico já está esperando uma resposta definitiva.

O silêncio que se seguiu carregava tudo que ainda não tinha sido dito. O jantar da Fundação Vargas estava a menos de vinte e quatro horas. A família estava rachada. E entre eles, o olhar que haviam trocado ainda queimava — selando uma decisão que nenhum contrato conseguiria mais desfazer.

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