O Império da Precisão
O silêncio no salão de leilões não era de respeito, mas de choque. Arthur observava o jade imperial em suas mãos — a pedra fria, de um verde leitoso, que agora servia como lápide para a influência dos Valente. À sua frente, Alberto Valente, o patriarca que outrora ditara o destino de Arthur com um aceno de mão, tentava manter a dignidade enquanto sua respiração falhava. O colapso cardíaco era real, uma falha biológica que Arthur, com a precisão de um cirurgião, mantinha sob controle apenas para garantir que o velho visse a ruína de seu império até o último segundo.
— Você não entende, Arthur — sibilou Alberto, a voz um fio de agonia. — Esse jade é um brinquedo. O segredo que guardo sobre sua origem… se eu cair, o seu nome será arrastado para a lama. Você não quer ser um Valente? Então entenda que o sangue que nos une é uma maldição que você não pode extirpar.
Arthur inclinou-se, o rosto impassível. — O sangue que nos une é, tecnicamente, o único laço que ainda o mantém vivo, Alberto. Suas contas estão bloqueadas. Sua holding é um casco vazio. Sem a minha assinatura, você não compra nem o oxigênio que o impede de sufocar. Você não é mais o patriarca; é apenas um paciente em estado crítico sob minha custódia.
No escritório privado, Marina aguardava com os documentos da licitação de segunda-feira. Ela não sorria; ela analisava o tabuleiro. — O conselho está em pânico, Arthur. Eles sabem que você não veio para salvar o hospital, mas para desmontar a estrutura de corrupção que os sustentava. O Patriarca tentou liquidar os ativos restantes, mas as contas foram congeladas. O que você pretende fazer com o conselho?
— Eles têm dois caminhos — respondeu Arthur, a voz cortante. — Ou se submetem à nova auditoria que implementarei, ou serão expurgados junto com o legado de Alberto. A licitação de segunda-feira não é uma disputa; é uma formalidade para a minha posse.
Marina entregou-lhe um envelope selado. — Há algo mais. Uma facção internacional, superior aos Valente, está monitorando sua ascensão. Eles não veem um parente deserdado, Arthur. Eles veem um ativo de alto risco que acaba de assumir o controle de um hospital estratégico. Eles querem uma reunião.
Mais tarde, na ala médica, o ambiente era estéril, desprovido da pompa da gala. Alberto, confinado ao leito, tentou uma última cartada, ameaçando revelar a origem bastarda de Arthur. Arthur, sem desviar os olhos do monitor cardíaco, jogou um envelope pardo sobre o peito do velho. — O conselho não se importa com linhagem, Alberto. Eles se importam com a liquidez que eu garanto. Aqui estão as provas das suas fraudes. Se você abrir a boca sobre o meu passado, eu garanto que você passará o resto da sua vida em uma cela, não nesta suíte.
Ao sair, no estacionamento, um homem de terno impecável o aguardava. — Impressionante, doutor. A queda dos Valente foi um teste de estresse eficiente — disse o emissário, estendendo um envelope com um selo negro. — O setor de saúde internacional está mudando. Precisamos de alguém que entenda de anatomia e de poder. O jogo mudou de patamar.
Arthur aceitou o envelope. O passado era um cadáver enterrado. O futuro, agora, era uma questão de precisão global.