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Chapter 10: A Queda do Império

Lucas consolida a ruína de Ricardo Viana, entregando-o à justiça enquanto assume o controle dos ativos da família. O império Viana desmorona publicamente, e Lucas recebe um convite misterioso que sinaliza uma hierarquia superior observando seu sucesso.

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A Queda do Império

O ar na UTI da Viana Medical estava saturado com o zumbido metálico dos ventiladores. Ricardo Viana, o magnata que outrora ditava o destino de vidas com um aceno de mão, era agora um objeto de estudo clínico. Lucas Viana, o cirurgião que a família tentara apagar, ajustou o fluxo de oxigênio com a precisão de quem calibra um instrumento de precisão. Não havia ódio em seus movimentos, apenas a frieza de um diagnóstico final.

Ricardo, ainda sob o efeito residual da anestesia, tentou focar a visão. Seus olhos, antes carregados de desprezo, agora buscavam uma âncora na realidade. A respiração mecânica que o mantinha vivo era, ironicamente, ditada pelos parâmetros que Lucas definira.

— Você não pode… — Ricardo articulou, a voz um chiado seco. — O conselho… eles vão me tirar daqui…

— O conselho está ocupado demais tentando destruir as evidências que você deixou para trás, Ricardo — Lucas respondeu, sem desviar o olhar do monitor. — A polícia já tem o dossiê. A sua confissão, gravada durante o procedimento, e os registros financeiros da ala leste são irrefutáveis. O império que você construiu sobre cadáveres não está apenas desmoronando; ele está sendo confiscado.

A porta da UTI abriu-se com um impacto seco. Helena entrou, os saltos ecoando como tiros no corredor asséptico. Ela não trazia a postura altiva de antes; havia uma urgência febril em seus olhos. Ela segurava uma pasta de couro com a força de quem se agarra a uma boia em um naufrágio.

— A polícia está no saguão, Lucas — disse ela, a voz vibrando de tensão. — Eles têm o mandado. Encontraram o servidor oculto. Estão subindo.

Lucas não se moveu. O ritmo cardíaco de Ricardo disparou, um espasmo de pânico que fez os monitores apitarem em um alerta constante. Ricardo tentou se levantar, mas a fraqueza física o manteve preso ao leito, um prisioneiro de sua própria biologia.

— Deixe-os entrar — ordenou Lucas. — O espetáculo precisa de plateia.

No Salão de Jade, o epicentro da elite paulistana, a notícia chegava como uma onda de choque. O ambiente, antes um bastião de prestígio, exalava o cheiro metálico de uma derrota iminente. O silêncio dos investidores não era de respeito, mas de terror. Eles observavam os agentes federais, com coletes táticos, caminharem em direção ao centro do salão.

Lucas surgiu na galeria superior. Helena o acompanhava, estendendo-lhe a pasta que formalizava a transferência imediata de todos os ativos remanescentes da Viana Medical. Ela não olhava mais para Lucas com o desdém de outrora; havia a compreensão nítida de que sua liberdade dependia da benevolência dele.

— O conselho de acionistas já assinou — sussurrou Helena. — Ninguém quer ser visto ao lado do Ricardo agora. A traição deles é completa.

Lucas não tocou na pasta imediatamente. Ele deixou o silêncio se estender, observando a reação dos investidores. Homens que, horas antes, disputavam favores de Ricardo, agora evitavam o contato visual, concentrados em seus dispositivos, onde as manchetes sobre a fraude nos óbitos da ala leste explodiam como estilhaços de granada.

— O controle dos ativos não é um presente, Helena. É uma responsabilidade que você mal compreende — Lucas declarou, sua voz ecoando pelo salão. — O tempo do privilégio sem competência acabou.

Ele caminhou até o centro do salão enquanto Ricardo era escoltado para fora por dois agentes. O patriarca, algemado, parou por um segundo, seus olhos encontrando os de Lucas. Sua voz era um fiapo de autoridade perdida.

— Você acha que venceu, Lucas? — sibilou Ricardo. — Você é apenas um cirurgião. O mundo lá fora é feito de predadores que você nem imagina que existem.

Lucas não respondeu com insultos. Ele apenas ajustou o relógio de pulso, o ponteiro dos segundos marcando o início de uma nova era. Ele se aproximou o suficiente para que apenas Ricardo ouvisse:

— Eu não venci apenas a você, Ricardo. Eu venci a sua mediocridade. O que vem a seguir é algo que você nunca terá a capacidade de entender.

Enquanto os agentes retiravam Ricardo do salão, o silêncio foi quebrado por um som que Lucas não esperava: o bipe de um dispositivo de comunicação criptografado em seu bolso interno. Ele se afastou da multidão e retirou o aparelho. Na tela, uma mensagem curta e enigmática, acompanhada de um convite formal com um selo que ele reconheceu apenas de lendas urbanas sobre o poder real em São Paulo.

"O bisturi foi afiado. O teste foi concluído. Bem-vindo à próxima escala, Doutor."

Lucas olhou para o relógio. A era dos Viana estava morta. A dele, porém, acabara de encontrar seu verdadeiro adversário. Ele guardou o dispositivo, o olhar fixo no horizonte, pronto para o próximo nível de jogo.

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