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Chapter 11: O Último Prontuário

Arthur confronta Henrique em seu escritório, utilizando a auditoria internacional e a prova da sabotagem médica para forçar sua renúncia imediata. Henrique é destituído e expulso, enquanto Arthur assume o controle total da Viana Corp, preparando-se para os desafios dos investidores superiores.

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O Último Prontuário

O escritório da presidência da Viana Corp não era mais um santuário de poder; era uma câmara de descompressão. O ar-condicionado, mantido a rigorosos dezenove graus, não conseguia dissipar o calor da humilhação que emanava de Henrique Viana. Ele estava sentado à mesa de mogno, os dedos trêmulos sobre o tampo polido, observando o reflexo de Arthur Viana no vidro que dava para a orla.

Arthur não entrou; ele ocupou o espaço. Seus passos, firmes e ritmados, ecoaram como uma contagem regressiva. Ele parou a dois metros da mesa, as mãos nos bolsos, a postura de quem não precisava mais provar nada.

— A diretoria executiva assinou as rescisões, Henrique — Arthur disse, a voz desprovida de qualquer tom de triunfo, apenas a frieza de um diagnóstico clínico. — O conselho votou por unanimidade. Você não é mais o controlador da Viana Corp.

Henrique tentou uma risada, um som seco que morreu na garganta. Ele golpeou o teclado do terminal principal, mas a tela, antes um espelho de sua onipotência, exibia apenas o veredito digital em vermelho: ACESSO NEGADO. CONTATE O ADMINISTRADOR DO SISTEMA.

— Você acha que uma senha de administrador te faz um deus? — Henrique sibilou, os olhos injetados de ódio. — Você é um médico de pronto-socorro. Eu construí este império enquanto você suturava feridas em clínicas de fachada.

— Eu suturava vidas enquanto você suturava o balanço financeiro com mentiras — Arthur respondeu, sem desviar o olhar.

Beatriz Lacerda entrou. Ela não trazia mais a hesitação da executiva que servia a um mestre temido; ela trazia a precisão de quem já havia auditado o futuro. Sem trocar um olhar com Henrique, ela depositou uma pasta de couro preta no centro da mesa. O som do couro contra o mogno foi o único ruído na sala.

— Os auditores internacionais finalizaram o cruzamento de dados — Beatriz anunciou, a voz cortante como um bisturi. — O contrato de transferência de ativos foi cancelado por inadimplência técnica. O fundo de investimento rompeu o vínculo. Sua era acabou, Henrique.

Arthur abriu a pasta. Não havia discursos, apenas fatos. Ele revelou o prontuário do paciente VIP, detalhando a configuração deliberada do sistema para ignorar alertas de alergia ao contraste iodado.

— Você tentou subornar a realidade, Henrique — Arthur afirmou, deslizando uma caneta sobre o prontuário. — Mas seus fundos foram congelados há quarenta minutos. A auditoria encontrou o rastro. O paciente VIP não foi uma fatalidade; foi o seu erro final.

Henrique olhou para a porta, buscando o apoio de uma diretoria que já não existia. O silêncio da sala era a prova de sua solidão.

— Você tem uma escolha — Arthur continuou, a voz baixa, perigosa. — Renúncia voluntária e exílio, ou este prontuário segue agora para a Polícia Federal. O conselho não vai te proteger. Eles preferem que você seja o bode expiatório a perderem a licença de operação.

O magnata, antes intocável, assinou. Cada traço de sua caneta era a demolição formal de seu legado. Ao soltar o objeto, ele parecia um homem que acabara de sofrer uma falência sistêmica.

Henrique saiu do prédio sob escolta, um pária em seu próprio império. Arthur permaneceu diante da vidraça, observando o horizonte. Beatriz aproximou-se, o tablet em mãos exibindo a estabilização das ações.

— Você salvou o hospital, Arthur. Mas os investidores superiores estão observando. A guerra contra o sistema está apenas começando — ela alertou.

Arthur, agora o novo presidente, não respondeu. Ele apenas observou as luzes da cidade, ciente de que a purga administrativa era apenas o primeiro corte. O verdadeiro desafio estava além daquela sala de vidro, onde a hierarquia que permitiu a Henrique existir ainda aguardava o próximo movimento.

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