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Chapter 8: Sinais de Retaliação

Henrique tenta forjar um erro médico de Arthur para incriminá-lo perante os investidores, mas Arthur, antecipando a manobra, utiliza o sistema de auditoria para expor Henrique em flagrante, consolidando seu poder absoluto sobre o hospital.

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Sinais de Retaliação

O escritório de Henrique Viana, outrora o centro de comando do império hospitalar, agora parecia uma vitrine de um museu em liquidação. O patriarca, suspenso pelo conselho e com suas credenciais de acesso revogadas, observava Marcos, o chefe de TI, tremer diante de sua mesa de mogno.

— Você é o melhor que a TI tem, Marcos. Não me decepcione — a voz de Henrique era um fio de navalha. — Eu preciso de um erro. Não um erro real, mas um registro de falha de protocolo no prontuário do VIP. Algo que o sistema valide. Arthur não pode ser o salvador. Ele precisa ser o risco.

Marcos engoliu em seco, o rosto pálido sob a luz fria do escritório. — Dr. Henrique, o Arthur mudou as chaves de criptografia. O protocolo de auditoria agora é em tempo real. Se eu tocar em qualquer registro, o alerta vai direto para o dashboard dele e da Beatriz Lacerda. É suicídio profissional.

Henrique levantou-se, a sombra projetada sobre o técnico como uma sentença. — Se Arthur consolidar o controle, não sobrará nada para ninguém. Faça o que eu mandei.

Enquanto Henrique acreditava estar orquestrando uma manobra de desestabilização, a realidade nos bastidores era um jogo de xadrez onde ele já havia perdido as peças. Na sala de servidores, o ar era mantido a dezesseis graus, um ambiente estéril onde Arthur Viana observava a tela. O log de acesso exibia a tentativa de intrusão vinda do terminal bloqueado de Henrique.

Beatriz Lacerda, ao seu lado, mantinha a postura impecável, embora seus olhos seguissem a cascata de dados com intensidade. — Ele está tentando forjar uma dosagem errada de contraste iodado. Quer que o sistema registre sua assinatura digital em um caso de choque anafilático. É uma tentativa de sabotagem grosseira, Arthur.

Arthur não desviou o olhar. Seus dedos moviam-se com a precisão de um cirurgião que conhece a anatomia do inimigo. — Deixe que ele entre, Beatriz. Ele quer me dar a corda. Eu apenas vou garantir que o nó esteja bem apertado.

Ele não bloqueou a invasão. Em vez disso, redirecionou o tráfego para um espelho lógico. Henrique acreditava estar manipulando o sistema, sem saber que Arthur havia substituído o arquivo original por um log de auditoria que gravava cada comando, cada IP e cada tentativa de sabotagem em tempo real.

O confronto final ocorreu no corredor do Centro Cirúrgico, minutos antes da auditoria internacional. Henrique, com a postura rígida de quem ainda se recusava a aceitar a queda, bloqueou o caminho de Arthur, agitando um prontuário físico como um cetro de poder.

— Você é um oportunista, Arthur — sibilou Henrique, a voz ecoando pelas paredes de vidro. — Este registro mostra uma dosagem de contraste cinco vezes acima do limite. Você condenou o paciente VIP à morte. A negligência é sua.

O silêncio no corredor foi absoluto. Investidores internacionais, que aguardavam a transição de gestão, pararam. Arthur sequer piscou. Ele mantinha as mãos nos bolsos do jaleco, a calma de quem já havia vencido a partida antes mesmo de sentar à mesa.

— Henrique, o papel que você segura é um artefato de um tempo onde o prontuário era uma sugestão para encobrir erros — respondeu Arthur, sua voz cortante e desprovida de emoção. — O sistema de gestão hospitalar, contudo, registra a verdade. Beatriz, por favor.

Beatriz Lacerda, posicionada ao lado de um terminal de rede, não hesitou. Com um toque, ela projetou a gravação na tela de alta definição da sala de reuniões. Não era uma montagem. Era a imagem nítida de Henrique, horas antes, subornando o técnico de TI para corromper os logs.

O rosto de Henrique alternava entre o púrpura da fúria e o cinza da derrota absoluta. Ele tentou articular uma defesa, mas o olhar de Beatriz, sentada à sua direita, selou seu destino. Arthur caminhou até a cabeceira da mesa, o centro de gravidade do hospital, e sentou-se na cadeira que, por décadas, pertencera ao patriarca. O hospital agora era dele, mas a verdadeira purga estava apenas começando.

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