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Chapter 10: O Tabuleiro de Xadrez

Arthur Valente frustra a aquisição hostil do Conselho Superior ao revelar que eles já perderam o controle financeiro de seus próprios ativos. Ele expõe publicamente as provas da corrupção da oligarquia, forçando o início do colapso do Conselho e preparando o terreno para a auditoria federal.

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O Tabuleiro de Xadrez

O som da porta da mansão Lacerda sendo aberta com violência não foi um acidente; foi uma declaração de guerra. Marcus Vane, o emissário do Conselho Superior, entrou no saguão com a arrogância de quem ainda acreditava que o dinheiro podia comprar o tempo e a dignidade alheia. Atrás dele, três advogados corporativos com pastas de couro granulado formavam uma falange, prontos para fatiar o patrimônio de Beatriz Lacerda.

— A aquisição é inevitável, Beatriz — Vane anunciou, ignorando Arthur, que estava sentado em uma poltrona de couro no canto da sala, observando a luz da tarde incidir sobre os documentos. — O Conselho decidiu que a Lacerda não tem mais fôlego operacional. Assine a transferência de ativos e evite uma liquidação forçada por falência técnica.

Beatriz Lacerda manteve a postura, embora seus dedos apertassem a borda da mesa de mogno. Ela olhou para Arthur, buscando o sinal. Arthur fechou o notebook com um estalo seco, o som cortando a tensão como uma lâmina.

— Incompetência operacional, Vane? — A voz de Arthur era um sussurro gélido, carregado de uma autoridade que fez os advogados recuarem um passo. — Você está aqui para comprar o que já não pertence a eles há exatos doze minutos. O Conselho não é mais dono de nada que possa ser negociado aqui.

Vane riu, um som seco e sem humor. — Você é um pária, Valente. Suas bravatas não mudam o registro imobiliário.

— Verifique os registros de custódia das Ilhas Cayman e a liquidação das subsidiárias que alimentam o fundo do Conselho — Arthur deslizou o notebook pela mesa. — Seus patrões estão falidos em papel, mas ainda não se deram conta. A auditoria federal sobre as contas de Montenegro começa em quarenta e oito horas. Quando a poeira baixar, o que sobrar do Conselho não será suficiente nem para pagar o café desses seus advogados.

O rosto de Vane perdeu a cor. Ele abriu o notebook e o silêncio que se seguiu foi absoluto, quebrado apenas pelo zumbido dos servidores na sala de inteligência adjacente. Ele percebeu, tarde demais, que o tabuleiro havia sido virado enquanto ele ainda contava as peças.

Horas depois, o clima na sala de segurança era de guerra. O zumbido dos servidores parecia o batimento cardíaco da própria mansão. Beatriz encarava os monitores, onde o fluxo de dados do Conselho tentava, inutilmente, contornar as travas de integridade que Arthur instalara.

— Eles estão desesperados — disse Arthur, sem desviar os olhos das linhas de código. — A tentativa de aquisição hostil é o canto do cisne. Eles sabem que, se a Lacerda permanecer independente, o fluxo de provas que estamos alimentando para a Controladoria será a corda que os enforcará.

— E a segurança física? — perguntou Beatriz. — Montenegro ainda tem capangas nas ruas. Se eles não podem comprar a casa, vão tentar quebrá-la.

— Deixe que tentem — Arthur respondeu, com uma calma predatória. — A humilhação deles será mais profunda se eles mesmos se colocarem em evidência diante das câmeras que instalei. Eles não vêm para negociar; vêm para se autoincriminar.

Na manhã seguinte, a fachada da Casa Lacerda tornou-se o epicentro de um confronto silencioso. Dois veículos pretos bloquearam a entrada, e quatro homens desceram, cercando a propriedade. Viana, o líder, avançou com um documento de despejo ilegal, ignorando os avisos da segurança.

Arthur não esperou o confronto escalar. Ele caminhou até a varanda, observando Viana. Com um comando simples em seu dispositivo, Arthur desativou os sistemas de bloqueio da mansão e projetou, no telão externo voltado para a rua e para a imprensa que ele mesmo convocara, os extratos bancários que ligavam o Conselho Superior à fraude de Montenegro.

O pânico foi instantâneo. A arrogância dos capangas evaporou diante das câmeras de TV que capturavam cada detalhe dos documentos. Viana parou, olhando para o telão, percebendo que não estava mais em um leilão, mas em uma execução pública.

Arthur observou o horizonte. O tabuleiro final estava montado. Com a oligarquia em pânico e a auditoria federal a poucas horas de distância, ele sabia que a queda deles não seria apenas financeira; seria o fim da era que o havia descartado. Ele tinha a prova, o tempo e o controle. O xeque-mate era apenas uma questão de paciência.

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