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Chapter 3: O Pacto de Sangue

Leo confronta Sr. Wei no salão de chá, recusando a submissão e descobrindo que a dívida é um pacto de sangue que exige sua confissão pessoal para ser revelado. Após testemunhar a destruição física do bairro pela Vanguard Horizon, ele se une a Mei para invadir o escritório de Wei. Lá, Leo é forçado a confessar sua negligência familiar para abrir um cofre analógico, descobrindo, ao final, uma foto recente de seu pai, provando que ele está vivo e manipulando o destino do clã.

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O Pacto de Sangue

O vapor subia do bule de porcelana trincada, carregando o cheiro acre de folhas antigas e umidade. Sr. Wei não serviu o chá; ele o empurrou através da mesa de madeira maciça, um gesto que, no Salão da Comunidade, funcionava como uma sentença. Leo Chen observou o líquido âmbar balançar, refletindo a luz fria do neon que piscava lá fora, anunciando outra loja de conveniência prestes a ser engolida por tapumes da Vanguard Horizon.

— Beba — disse Wei, sua voz uma lixa suave contra o silêncio. — A dívida não se paga com pressa, Leo. Ela se dissolve com paciência. Se você assinar a transferência de titularidade agora, o bairro ganha mais seis meses. É um preço justo pelo que seu pai deixou para trás.

Leo não tocou na xícara. Seus dedos, acostumados ao toque preciso de uma régua de escala, tremiam. Ele havia passado a noite decifrando as anotações marginais do ledger que Mei lhe entregara. A caligrafia era, inegavelmente, de seu pai, mas a assinatura que validava a venda do terreno da mercearia era uma falsificação grosseira, uma farsa que o prendia como um grilhão de ferro. Ele sabia agora que a Vanguard Horizon não era uma construtora externa; era a fachada de um pacto de sangue que Wei mantinha para sustentar sua própria autoridade.

— Onde está o contrato original, Wei? — Leo perguntou, a voz cortante. — Aquele que não foi assinado com a minha mão, mas com a chave mestra que vocês roubaram do nosso clã?

Wei sorriu, um movimento lento que não alcançou seus olhos. — Você ainda não entendeu. A dívida é maior que o dinheiro. É um pacto que, se rompido, destruirá não apenas as lojas, mas o seu nome. Você é o único que pode acessar o cofre final. Sem o seu sangue, a história morre aqui.

Ao sair do salão, o choque da realidade foi físico. O ar da rua estava saturado com o som metálico de marretas e o cheiro de concreto úmido. Fitas zebradas da Vanguard Horizon bloqueavam a entrada de três lojas vizinhas à de Mei. Funcionários de colete laranja, armados com tablets, marcavam as fachadas com tinta spray vermelha. Era uma contagem regressiva visual, uma geometria de destruição que ignorava as décadas de história gravadas no tijolo aparente.

Mei estava no meio da rua, segurando um dos avisos de despejo com as mãos trêmulas, mas firmes. Ao ver Leo, ela caminhou até ele, o papel amassado servindo como uma arma improvisada.

— Você viu as marcações? Eles estão apagando a escritura do nosso clã — a voz dela era um fio de aço. — Você vai assinar a transferência, como eles esperam, ou vai finalmente entender que seu nome é a única coisa que separa essas famílias da rua?

Leo olhou para as fachadas marcadas. O desdém que ele sentira ao chegar, aquela necessidade de manter distância, parecia agora um luxo podre. Ele sentiu o peso do contrato forjado em seu bolso. Se ele fugisse, o bairro cairia. Ele precisava entrar no escritório de Wei e recuperar o ledger final.

Minutos depois, a tensão no escritório de Wei era quase palpável. O ambiente cheirava a madeira velha e papel queimado. Leo não se sentou. Ele mantinha os dedos cravados na borda da mesa de carvalho, sentindo a vibração das britadeiras lá fora. Wei empurrou um ledger encadernado em couro surrado pelo tampo da mesa.

— O ledger final está aí dentro. Ele explica como a chave mestra passou para as mãos deles. Mas o cofre não aceita chaves. Ele responde ao peso da verdade.

Leo encarou o objeto: uma caixa de metal pesada com entalhes em jade, sem fechadura visível. Ele sabia o que precisava dizer. A verdade era o único preço possível. Com a voz embargada, ele admitiu o que evitara por anos: que seu pai não apenas assinara a dívida, mas que o próprio Leo, em sua negligência, tornara-se o alvo perfeito para aquele pacto. Ao confessar sua vergonha perante o cofre, o mecanismo travou com um estalo seco, exigindo algo ainda mais profundo. O cofre abriu parcialmente, revelando, entre documentos de dívida, uma foto recente de seu pai, datada de ontem. O fôlego de Leo sumiu. Seu pai não estava morto; ele era o arquiteto da própria armadilha que agora consumia o bairro.

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