Novel

Chapter 8: A Pressão Sobe

Leo recusa o suborno da facção imobiliária, aceitando seu papel como garantidor da rede de proteção do Sr. Chen. A facção retalia imediatamente, invadindo o bairro antes do prazo e levando Mei como refém para forçar a entrega do livro-razão.

Release unitFull access availablePortuguese / Português
Full chapter open Full chapter access is active.

A Pressão Sobe

O escritório de Sr. Chen cheirava a mofo, chá de jasmim esquecido e o tipo de silêncio que precede um colapso estrutural. Leo segurava a carta de seu pai, o papel amarelado tremendo entre seus dedos. Não era um pedido de desculpas. Era um mapa de sua própria armadilha. O exílio de dez anos não fora uma rejeição, mas uma estratégia para mantê-lo limpo, uma reserva de capital social e legal para quando o bairro não pudesse mais se defender sozinho. Ele era a última carta na manga de Chen, um garantidor que nem sabia que existia. Cada linha no livro-razão exposto sobre a mesa não era apenas um número, mas uma vida — uma dívida de lealdade que agora pesava sobre seus ombros como chumbo.

O som de pneus de luxo freando no asfalto esburacado da rua cortou a atmosfera. Antes que Leo pudesse fechar o livro, a porta do cortiço se abriu. Um homem de terno cinza, impecável e deslocado, entrou no espaço compartilhado. Ele não parecia um gângster; parecia um contador de alto nível, com mãos limpas e um sorriso que não chegava aos olhos.

— O seu pai foi um homem prudente, Leo — disse o homem, deslizando um envelope pardo sobre a mesa de fórmica gasta. — Ele sabia que o bairro é um peso morto. Ao nomeá-lo fiador, ele não te deu um legado, te deu uma âncora. Estamos dispostos a cortar a corrente.

Dentro do envelope, Leo viu o documento de anulação de dívida e uma chave de apartamento em um bairro nobre. Era a liberdade que ele buscava há uma década, embalada em papel timbrado.

— O que vocês querem em troca? — Leo perguntou, a voz firme, embora o coração martelasse contra as costelas.

— Apenas que esqueça o que está escrito nessas páginas — o representante respondeu, gesticulando para o livro-razão. — A rede de proteção que você herdou é uma fantasia perigosa. Se você assinar, a dívida desaparece e você volta a ser um cidadão comum. Se não, o bairro será varrido, e você cairá com ele.

Leo olhou para o documento, depois para o livro. A tentação era um veneno doce, mas a imagem de Mei, protegendo cada canto daquele lugar, era o antídoto. Ele empurrou o envelope de volta, recusando o suborno abertamente. O representante suspirou, um som de desdém, e deu um passo em direção à saída.

— Você escolheu o lado errado da história, Leo. A limpeza começará pela pessoa que você mais protege.

Leo correu para a cozinha comunitária, onde Mei organizava suprimentos. Ele explicou a oferta, a ameaça, a revelação de que a facção detinha nomes de fugitivos que dependiam daquela rede. Mei parou, o rosto endurecendo.

— Você acha que eles nos assustam? — ela sibilou. — Eu tenho segredos sobre a imobiliária que podem derrubar a fachada deles. O Sr. Chen não era o único a manter registros aqui.

Eles começaram a organizar uma resistência, mas o som de passos pesados ecoou no corredor. Os credores não esperaram o prazo de 48 horas. Eles invadiram o local, não buscando o livro, mas buscando um refém para quebrar a vontade de Leo. Quando os homens agarraram Mei, ela não lutou; ela apenas olhou para Leo, um desafio silencioso em seus olhos. Leo ficou parado no corredor, o livro-razão em mãos, percebendo que a contagem regressiva agora tinha o rosto de Mei.

Member Access

Unlock the full catalog

Free preview gets people in. Membership keeps the story moving.

  • Monthly and yearly membership
  • Comic pages, novels, and screen catalog
  • Resume progress and keep favorites synced