Novel

Chapter 2: Blood in the Records

Lucas confronta a natureza da dívida herdada e descobre que seu próprio nome está ligado ao sistema de financiamento do bairro. Mei revela que a morte de seu pai não foi natural, mas uma execução orquestrada pelo consórcio, forçando Lucas a aceitar que sua distância geográfica nunca o protegeu das obrigações ancestrais.

Release unitFull access availablePortuguese / Português
Full chapter open Full chapter access is active.

Blood in the Records

O ar no porão da loja de chá era denso, saturado pelo cheiro de anis estrelado e o mofo de décadas de silêncio. Lucas Chen mantinha o livro-razão aberto sob a luz amarelada de uma luminária de mesa, os dedos travados sobre as anotações cifradas de seu pai. O prazo de vinte e quatro horas não era apenas um aviso legal; era uma contagem regressiva para a sua aniquilação social. Mei estava encostada na entrada estreita, os braços cruzados, observando-o com uma vigilância que ele não conseguia decifrar. Ela não se movia, mas cada respiração sua parecia medir o quanto Lucas estava disposto a sacrificar.

— Você está procurando por números, Lucas — a voz de Mei era baixa, cortante como o roçar de seda em pedra. — Mas o que você tem aí não é contabilidade. É uma confissão de dívidas que nunca foram contraídas, apenas fabricadas para que o consórcio pudesse reclamar o terreno por centavos.

Lucas virou a página, a caligrafia do pai tornando-se errática nas últimas entradas. Ele apontou para uma série de débitos assinados por nomes que ele reconhecia das fachadas das lojas lá em cima: a padaria, o empório, o armarinho.

— Isso não faz sentido — Lucas retrucou, a voz ganhando uma aspereza que ele não pretendia. — Por que o consórcio drenaria o próprio bairro? Se eles destruírem o patrimônio dos Chen, o valor do quarteirão despenca.

Antes que Mei pudesse responder, a porta da frente rangeu, seguida pelo som pesado de passos que não pediam permissão. O Sr. Wei entrou no salão principal. Ele não olhou para os produtos nas prateleiras; seus olhos, frios e calculistas, fixaram-se diretamente no porão. Wei não precisava gritar; sua presença era uma pressão atmosférica que tornava o ar rarefeito.

— O tempo está correndo, Lucas — disse Wei, sua voz grave ressoando entre as paredes de madeira quando ele desceu os degraus. Ele parou a poucos centímetros de Lucas, ignorando a existência de Mei. — O consórcio não se importa com a sua biografia, nem com a distância que você manteve desta rua. Eles querem o terreno. A sua sucessão é a única coisa que impede a demolição imediata do bloco. Se você assinar, o bairro sobrevive. Se não, você será o responsável pela ruína de todos eles.

Wei deixou um novo volume, o livro-razão original, sobre a mesa. Era mais pesado, encadernado em couro gasto. — Aqui estão os nomes — disse Wei, virando-se para sair. — E aqui está o preço do seu pertencimento.

Quando a porta se fechou, o silêncio voltou, mas era um silêncio diferente, carregado de uma culpa que Lucas não sabia que possuía. Mei aproximou-se, movendo uma estante pesada para revelar um painel falso na parede. Ela retirou uma caixa de madeira escura e a empurrou pelo balcão. Dentro, não havia apenas recibos, mas fotografias desbotadas de homens que ele reconhecia das vitrines do bairro, todos marcados com selos de cera vermelha. O nome de seu pai estava lá, no topo, mas a caligrafia era diferente, apressada, um pedido de socorro.

Lucas folheou as páginas do livro que Wei acabara de entregar. Na página setenta e dois, seus olhos travaram. Uma transação datada de cinco anos atrás, um mês antes de sua partida definitiva, carregava seu próprio nome. "Contribuição para o fundo de manutenção de linhagem". O suor frio escorreu por sua nuca. Ele nunca fora um estranho; fora um beneficiário, um elo na corrente que ele jurara nunca tocar.

Ele olhou para Mei, buscando uma negação que ela não deu.

— Você acha que o seu pai era apenas um homem que falhou nos negócios? — a voz de Mei era um sussurro de dor. — Ele foi silenciado porque se recusou a entregar o que o consórcio exige desde sempre: a chave para o que está enterrado sob esta fundação. Ele não morreu de causas naturais, Lucas. Ele foi removido pelo sistema que agora, quer você queira ou não, você precisa gerenciar.

Member Access

Unlock the full catalog

Free preview gets people in. Membership keeps the story moving.

  • Monthly and yearly membership
  • Comic pages, novels, and screen catalog
  • Resume progress and keep favorites synced