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Chapter 12: Chapter 12

Arthur assume o controle da holding após a purga, apenas para descobrir que a empresa está falida por uma dívida oculta de 1998, uma armadilha armada por V.M. Sotto. Ao ser cercado pelo Conselho Superior, Arthur destrói as provas físicas da dívida para impedir a absorção da empresa, tornando-se um fugitivo e iniciando uma guerra aberta contra Sotto.

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Chapter 12

O ar na sala de reuniões da Holding Valente não era de triunfo; era de velório. Arthur sentou-se na cadeira de CEO, o couro ainda morno do corpo de seu antecessor, enquanto o ar-condicionado soprava um frio industrial que parecia querer congelar o sangue nas veias de todos os presentes. A destituição da diretoria fora cirúrgica, uma execução via Protocolo de Fundador que deixara o conselho atordoado. Helena permaneceu de pé junto à janela, observando o porto através do vidro blindado, imóvel como uma estátua de mármore.

Ela não se virou quando Arthur abriu o ledger de 1998, a peça de evidência que deveria ter sido sua arma de vitória definitiva.

— Você venceu a batalha, Arthur — a voz de Helena era um sussurro seco. — Mas você acaba de herdar uma carcaça. O Protocolo de Fundador não apenas expôs a fraude de Salles; ele ativou a cláusula de liquidação forçada. Se essa dívida não for quitada em setenta e duas horas, a holding deixa de ser nossa e passa a ser propriedade exclusiva do credor original.

Arthur percorreu os números amarelados. O montante era astronômico, um buraco negro financeiro desenhado para consumir a linhagem Valente no momento em que alguém tivesse a audácia de assumir o comando. O nome do credor na última página era apenas uma sigla: V.M.S.

— Sotto — murmurou Arthur. A percepção atingiu-o com a força de um soco. Ele não fora libertado; fora atraído para uma armadilha perfeita.

No escritório do porto, o cheiro de maresia e ferrugem era sufocante. Ricardo Salles, o homem que há poucas horas ditava o destino da família, parecia encolhido. Seus ombros, antes estufados pelo poder executivo, estavam curvados sob o peso da ignomínia.

— O Conselho não quer apenas a minha cabeça, Arthur — Salles cuspiu, os olhos inquietos varrendo a sala. — Eles querem a liquidação total da linhagem. Você assumiu uma carcaça podre. O indiciamento por manipulação de dados que pesa contra você não foi obra minha. Foi Sotto. Ele orquestrou a falência oculta em 98 para que o Conselho pudesse absorver os ativos Valente como dívida impagável. Eu era apenas a ferramenta.

Arthur não desviou o olhar da coluna de débitos. Ele deslizou um pen drive sobre a madeira gasta. Salles tremia. Arthur percebeu que o Conselho Superior não buscava justiça; buscava a absorção total. Enquanto Salles tentava negociar sua sobrevivência, Arthur compreendeu que o tempo estava esgotando.

Do lado de fora, o som de botas pesadas e o ruído metálico de um contingente do Conselho Superior ecoaram contra as paredes descascadas da doca. Eles não vieram para negociar.

— O jogo acabou, Valente — a voz do Enforcer do Conselho soou abafada pela porta de ferro. — A falência da sua linhagem é um fato público. A custódia é o próximo passo.

Arthur não respondeu. Seus dedos deslizavam pelo teclado, bloqueando o acesso aos servidores da holding. Ele transformou a empresa em um cofre digital selado, negando ao Conselho o acesso aos ativos que eles tanto cobiçavam. O custo, porém, era a paralisia total: sem liquidez, a empresa morreria em dias, e o mercado reagiria à instabilidade com o desmantelamento das ações.

Um sinal sonoro estridente rompeu a calmaria. O terminal exibiu uma mensagem direta de V.M. Sotto: “A dívida de 1998 é o título de propriedade da sua linhagem. Entregue o controle total até o amanhecer, ou a falência será executada em praça pública.”

Arthur levantou-se, caminhando até a mesa onde os ledgers originais — o único rastro físico daquela dívida — repousavam. Ele os ergueu, sentindo o peso do papel antigo. Se ele os mantivesse, Sotto teria a prova legal para destruí-lo. Se ele os destruísse, a dívida perderia a base documental, mas ele se tornaria um fugitivo sem defesa legal.

— Helena — ele chamou, a voz firme. — O jogo de 1998 termina aqui.

Com um movimento frio, ele jogou os ledgers na lareira improvisada do escritório. As chamas lamberam o papel, apagando décadas de extorsão. A diretoria havia caído, os ratos haviam fugido, mas ao destruir a prova, Arthur queimara as pontes de volta à segurança. Ele agora era o alvo direto de Sotto, e a guerra de sucessão, antes uma disputa de salas de reunião, tornara-se uma luta por sobrevivência absoluta.

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