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Chapter 9: O Contra-Ataque

Arthur utiliza o dossiê da CVM para destruir a credibilidade da Apex e de Eduardo Menezes, forçando a prisão do rival. Ele sacrifica a estabilidade imediata da holding para purgar a influência de Roberto e dos traidores, assumindo o controle total enquanto a empresa enfrenta um colapso público inevitável.

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O Contra-Ataque

O ar na sala de reuniões da Holding Valente tinha a densidade de um cofre trancado. O silêncio, apenas pontuado pelo zumbido dos servidores e pelo tique-taque do relógio, era uma arma. Arthur Valente manteve as mãos espalmadas sobre o mogno frio, sentindo a vibração da estrutura. À sua frente, Eduardo Menezes, o arquiteto do fundo Apex, tentava manter a compostura, mas o tremor em seus dedos ao segurar o copo de água era a confissão de sua derrota iminente.

“A proposta de aporte foi recusada, Eduardo,” Arthur disse, a voz desprovida de qualquer hesitação. “E a patente da rede neural permanecerá sob meu controle. O jogo de extorsão termina aqui.”

Roberto Valente, no canto oposto, soltou uma risada seca. “Você está cavando sua própria cova. Sem o capital da Apex, a holding abre o mercado em insolvência técnica. O conselho não vai tolerar sua arrogância por mais dez minutos.”

Arthur não olhou para o pai. Ele não estava mais jogando o jogo de egos que definira sua infância. Com um movimento preciso, ele deslizou um dossiê sobre a mesa. O baque surdo foi o único som na sala.

“Isso não é um pedido de socorro, Roberto. É um relatório de auditoria forense,” Arthur afirmou, observando a cor drenar do rosto de Menezes. “Cada centavo drenado para as Ilhas Cayman via derivativos da Apex foi rastreado. A manipulação de mercado entre vocês não é apenas uma violação contratual. É crime federal.”

O conselho, antes composto por aliados silenciosos de Roberto, começou a murmurar. Arthur não lhes deu tempo. “O servidor já disparou o envio automático para a CVM e para a Polícia Federal. Se qualquer um de vocês tentar bloquear a investigação agora, estará assinando sua própria sentença de cumplicidade.”

Beatriz Lemos, sentada à direita, fechou seu laptop com um estalo seco. Ela olhou para Roberto, depois para o dossiê, e finalmente para Arthur, com um brilho de reconhecimento técnico. Ela não disse uma palavra, mas sua mudança de postura — inclinando-se em direção a Arthur — foi a declaração de lealdade que o conselho precisava para entender que o vento havia mudado.

O pânico, antes concentrado em Arthur, agora inundava o lado de Roberto. Menezes tentou se levantar, mas suas pernas falharam. O controle de Roberto, construído sobre décadas de nepotismo, havia sido estilhaçado por uma única pasta de documentos. A hegemonia Valente estava morta; o que restava era a contagem regressiva para a abertura do mercado.

Às 09h55, a tela principal exibia o gráfico da Apex em queda livre. O 'pré-market' reagia ao script de auditoria que Arthur injetara na rede da Bolsa. O estrago era cirúrgico. Beatriz depositou uma nova pasta sobre a mesa. “Registros de comunicação entre Menezes e a diretoria da Apex. Ele estava liquidando posições estratégicas da família para garantir que a holding não tivesse fôlego para se defender da aquisição hostil.”

Arthur percorreu os e-mails com a frieza de um cirurgião. “Você entende o que isso significa, não é?” Beatriz perguntou, a voz baixa. “Se entregarmos isso agora, a Apex colapsa e Menezes vai para a cadeia, mas a Holding Valente será arrastada na lama da investigação. O mercado não distinguirá vítima de traidor.”

Arthur levantou o olhar. “O colapso público é o preço por ter permitido que parasitas como Menezes se sentassem à nossa mesa. A patente da rede neural é meu único ativo real. Se a holding cair, eu caio com ela, mas com a patente em mãos e a concorrência eliminada. É uma destruição mútua controlada.”

Ele discou para o contato direto na Polícia Federal. “Aqui é Arthur Valente. Tenho as provas da fraude. O servidor está disponível. Podem entrar.”

Enquanto as sirenes começavam a soar ao longe, Arthur viu o gráfico da Apex atingir o fundo do poço. O rival estava acabado, mas o caos que se seguia na sede da empresa era apenas o começo do pesadelo que ele teria que gerenciar. A vitória tinha um custo proibitivo: ao expor a podridão, Arthur revelou a fragilidade de todo o ecossistema Valente. O conselho, antes arrogante, agora estava em estado de choque, esperando que ele apresentasse uma solução mágica para uma hemorragia que ele mesmo acelerou.

“Deixe cair,” ele ordenou a Beatriz, fechando o laptop. “Quando eles estiverem desesperados o suficiente para aceitar qualquer condição, eu apresentarei o plano de reestruturação. Até lá, que o mercado termine o trabalho de purga.”

Arthur caminhou até a porta do conselho, onde Roberto ainda gesticulava freneticamente para os acionistas. Ele empurrou a porta, silenciando a sala com sua presença. “A cláusula que você cita, Roberto, foi revogada em 2018. Talvez a pressa em desviar ativos tenha nublado sua memória.”

Roberto tentou protestar, mas Arthur jogou um tablet sobre a mesa, exibindo a trilha de assinaturas digitais de Roberto autorizando transferências ilegais. O silêncio foi absoluto. A lealdade dos acionistas, sempre proporcional ao lucro, acabara de ser convertida em instinto de sobrevivência.

“Beatriz,” Arthur chamou, sem desviar o olhar do pai. “Por favor, conduza a escolta. O ex-presidente não tem mais acesso aos servidores.”

Roberto foi conduzido para fora sob o olhar frio dos homens que, até dez minutos atrás, seguiam suas ordens. Com Roberto removido, Arthur sentou-se na cabeceira da mesa. A patente estava protegida, mas a cotação das ações mostrava a Valente em queda livre. O império que ele acabara de retomar estava, pela primeira vez, à beira do colapso público absoluto.

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