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Chapter 7: Identidade sob Pressão

Lucas e Mateus sobrevivem ao ataque da facção ao escritório. Lucas percebe que a facção quer usá-lo como testa de ferro para controlar a rede. Ele confronta Helena, descobrindo que a traição envolve o uso de sua assinatura, e encontra uma anotação na caligrafia de seu pai no caderno de contabilidade, revelando que o homem que todos acreditavam estar morto pode ser o traidor.

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Identidade sob Pressão

O estalo seco do primeiro disparo contra a vidraça do escritório de remessas não soou como um aviso; soou como uma sentença. O vidro temperado estilhaçou-se em uma chuva de diamantes falsos, e o ar, antes impregnado pelo cheiro de café e poeira industrial, tornou-se denso com o odor metálico de ozônio e pólvora.

Lucas puxou Mateus pelo colarinho, arrastando-o para trás da mesa de mogno maciço. O impacto de uma bala na madeira fez o braço ferido de Mateus latejar em um espasmo violento. Ele mordeu o lábio até sangrar, os olhos fixos na porta que começava a ceder.

— Eles não vieram negociar, Lucas — sibilou Mateus, a voz cortada pela adrenalina. — Sabem que o fundo está vazio. Vieram buscar a rede inteira. O que resta dela.

Lucas não respondeu. Seus dedos, trêmulos, tateavam o dispositivo de segurança no bolso. O alarme silencioso — a última linha de defesa — estava morto. Não era falha técnica; era sabotagem. O traidor não apenas drenara o fundo; ele cegara a rede. A traição tinha o cheiro inconfundível da casa de sua mãe. Passos pesados ecoaram no corredor de carga. Eram profissionais, movendo-se com a cadência de quem já possuía a planta do local.

— O alarme foi cortado de dentro — murmurou Lucas, a constatação pesando mais que o perigo externo. — Eles estão limpando o caminho para uma sucessão forçada.

Usando a memória de quem ajudara a projetar aquele espaço, Lucas forçou a grade de ventilação lateral, uma saída de emergência para carga perecível que ele mesmo instalara anos atrás. Ele empurrou Mateus, cujo rosto estava cinzento pela perda de sangue, e deslizou logo atrás, justo quando a porta principal cedeu sob o impacto de uma marreta. O eco das vozes da facção reverberou pelo metal, mas eles já estavam no subsolo, rastejando pelo escuro, longe da luz fluorescente que oscilava como um batimento cardíaco moribundo.

Horas depois, em um armazém de trânsito isolado na periferia, o silêncio era o verdadeiro inimigo. Lucas estabilizava o ferimento de Mateus com a precisão fria que usava em Londres, embora aqui o ativo fosse a vida do homem que, até ontem, ele considerava um estorvo.

— Por que ainda tenta estancar o sangue de um cadáver? — Mateus soltou uma risada seca, interrompida por um gemido. — Sua assinatura digital já foi usada para legitimar a falência. A rede acabou.

— Eles não querem apenas o dinheiro, Mateus — Lucas disse, a voz despida da hesitação cosmopolita. — Querem a estrutura. Querem que eu assuma o controle oficial para lavagem de capitais. Se eu entregar as chaves, eles descartam todos vocês. Se eu mantiver a posse, eles precisam de mim vivo. É a única moeda que me resta. Você sabe quem é o traidor. Preciso de um nome.

Mateus encarou Lucas, a hostilidade diminuindo sob o peso da realidade. — O traidor não é um estranho. Ele tem acesso à sua casa. Ele usa o seu login.

Lucas retornou à casa de Helena sob a capa da noite, o peso da arma que ele nunca quis portar escondido na cintura. Encontrou a mãe na sala de estar, a rigidez de sua postura denunciando que ela esperava por ele. O caderno de contabilidade, o registro sujo de segredos, jazia aberto na mesa de centro.

— Você vendeu a minha assinatura, mãe — Lucas disse, a voz cortante. — Entregou a minha vida para que eles pudessem monitorar cada transação.

Helena não chorou. — Eu fiz o que era necessário para proteger o seu nome. A facção teria destruído você primeiro.

Lucas ignorou a justificativa e folheou as páginas finais do caderno. Números, datas, nomes de famílias que confiavam no "fio". Mas, ao chegar à última página, um detalhe o paralisou. Uma anotação curta, escrita em uma caligrafia inconfundível, angulosa e precisa. A letra de seu pai. O homem que todos acreditavam estar morto há uma década, enterrado com as dívidas que deram origem a tudo aquilo. O traidor não era apenas alguém de dentro; era o fantasma que a rede jurava ter exorcizado.

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