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Chapter 8: O Xadrez de Sangue

Lucas sabota a liquidação do legado de seu pai e usa o conhecimento dos desvios financeiros de Chen para usurpar a autoridade do ancião, tornando-se o novo gestor da rede sob o olhar atônito de Mei e dos devedores.

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O Xadrez de Sangue

O escritório de fundos da loja de chás cheirava a umidade, papel envelhecido e ao incenso barato que o Sr. Chen insistia em queimar para mascarar o odor de decadência. Lucas encarava o monitor do tablet de gestão, a luz azulada projetando sombras profundas sob seus olhos. O livro-razão digital, uma rede de lealdades e dívidas que sustentava a vida de centenas, pulsava com a urgência de uma contagem regressiva. Amanhã, o legado de seu pai seria liquidado. Não como uma dívida financeira, mas como uma purga de memória.

Lucas tocou a tela. O nome de Wei, seu amigo de infância, brilhava em vermelho. A ordem de liquidação estava pronta, aguardando apenas a assinatura digital do herdeiro. Se ele confirmasse, a oficina de restauração de teares de Wei seria confiscada e o homem, despojado de sua identidade no quarteirão. Se negasse, Mei, que vigiava a porta como uma sentinela de seda e silêncio, saberia instantaneamente.

— Você está hesitando — a voz de Mei veio do corredor, fria e precisa. — O Sr. Chen não tolera falhas de processamento. A liquidação de amanhã é o fechamento de um ciclo que o seu pai deixou aberto. Não tente ser o herói, Lucas. Você é apenas o executor.

Lucas não respondeu. Ele sentia o peso do tablet, um objeto que, dias atrás, ele teria considerado uma ferramenta de trabalho, mas que agora reconhecia como uma coleira. Ele navegou pelas subcontas, um labirinto de dados que Chen acreditava ser inacessível para alguém com a mentalidade de um "estrangeiro". Com dedos firmes, ele redirecionou o fluxo da cobrança de Wei para uma conta fantasma, uma brecha técnica que ele mesmo criara. Era um jogo de xadrez onde cada peça era uma vida.

Ele saiu da sala, passando por Mei. Ela não se moveu, mas seus olhos, analíticos e impiedosos, seguiram cada movimento dele. Lucas sentiu o suor frio na nuca. Ele precisava de mais do que apenas sabotagem; precisava de autoridade.

O confronto na residência de Chen foi silencioso. O ancião estava sentado, as mãos sobre o livro-razão físico, um tomo encadernado em couro que continha os segredos da linhagem.

— O sistema sinalizou uma anomalia — disse Chen, sem desviar o olhar. — Corrija a liquidação. Agora.

Lucas manteve a postura. Ele não era mais o herdeiro que implorava por distância; ele era o homem que conhecia os segredos do credor. Ele abriu o tablet e projetou os dados na parede, revelando não a falha de Wei, mas os desvios de Chen.

— Não é uma anomalia, Sr. Chen. É uma auditoria. Se o legado do meu pai for liquidado, os registros desses desvios serão enviados automaticamente para os outros credores da rede. Eu não sou o executor. Eu sou o novo gestor.

O silêncio que se seguiu foi absoluto. Chen empalideceu, a máscara de autoridade trincando. Mei, na sombra, deu um passo atrás, o choque evidente em sua imobilidade. Lucas sentiu o poder da rede sob seus dedos, uma corrente elétrica que ele finalmente aprendera a conduzir. Ao sair para o beco, três devedores aguardavam. Ao verem Lucas, eles se ajoelharam. A notícia de que o ancião havia sido dobrado já circulava. A rede tinha um novo centro, e a queda de Chen era apenas o primeiro movimento.

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